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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Atletas em Berlim


14/08/2009 - 18h11
Após escândalo, Iaaf submete brasileiros a exame de sangue em BerlimFernando Narazaki
Em Berlim (Alemanha)
O anúncio de sete casos de doping no atletismo em um mês colocou o Brasil na mira da Federação Internacional das Associações de Atletismo (Iaaf). Parte da delegação nacional teve de ser submetida a um exame de sangue assim que chegou em Berlim, palco do Campeonato Mundial da modalidade, para mostrar que "estava limpa".

BRASILEIROS DO REVEZAMENTO ADMITEM ABATIMENTO PÓS-DOPING

O revezamento brasileiro do 4 x 100 m rasos foi responsável pelas maiores glórias masculinas nos últimos dez anos. No período, a equipe conquistou duas medalhas mundiais (bronze em 1999 e prata em 2003) e uma olímpica (prata em Sydney-2000). Porém o time chega ao Mundial de Berlim sob muita desconfiança e visivelmente incomodado com o escândalo de doping, que flagrou seis atletas que viriam para o evento na Alemanha, incluindo dois velocistas do revezamento.

O assunto virou um tabu na equipe e os atletas foram instruídos a evitar maiores comentários sobre a questão, mas admitem que o caso abalou o time. "Estão todos abatidos. O que aconteceu foi muito grave e estamos tentando esquecer", explicou Sandro Viana (foto), durante um evento de uma empresa de material esportivo nesta manhã de sexta-feira.
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A confirmação foi dada pelo velocista Sandro Viana, que disputará os 200 m rasos e o revezamento 4 x 100 m rasos na capital alemã. "Assim que a gente chegou no hotel, a Iaaf mandou todo mundo ser testado. Realizamos exame de sangue que a gente não costuma fazer", revelou o atleta em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

"Depois de tudo que aconteceu, eles estão desconfiados, claro. A gente sabe que a patrulha agora vai aumentar, mas também quem não usa fica com a consciência limpa. Não tenho o que temer. Mas foi a primeira vez que fiz um exame assim", disse Viana.

O velocista integrou a parte do grupo que realizou a parte final de preparação na Alemanha e que tinha a companhia de cinco brasileiros flagrados com doping. A maioria da equipe de salto (incluindo Maurren Maggi) treinou na Espanha, os atletas Fabiana Murer e Fábio Gomes, do salto com vara, ficaram na Itália, enquanto os maratonistas ainda estão na Suíça.

O exame de sangue tornou-se uma prática cada vez maior no esporte após a revelação dos primeiros casos de EPO (eritropoetina), justamente a droga encontrada nos testes feitos fora de competição em cinco dos atletas pegos no escândalo de doping: Bruno Tenório e Jorge Célio Sena (que disputam o revezamento 4 x 100 m rasos no Mundial), Luciana França (400 m com barreiras), Lucimara Silvestre (heptatlo) e Josiane Tito (revezamento 4 x 400 m rasos).

A substância proibida aumenta a capacidade de transporte de oxigênio para o sangue, ajudando assim na resistência do atleta. No início deste século, a droga foi encontrada principalmente no ciclismo.

Os cinco brasileiros pegos com EPO aplicavam injeções na barriga, mas alegam que seguiam recomendação do técnico Jayme Netto, que, por sua vez, responsabilizou o fisiologista Pedro Balikian Júnior. Netto já anunciou sua aposentadoria do esporte, e os cinco atletas (mais a barreirista Lucimar Teodoro e o atleta Hamilton de Castilho, do arremesso de peso, flagrados com outras substâncias) foram suspensos por dois anos.

A saltadora Fabiana Murer afirmou que não foi uma das testadas, mas reconhece que a pressão está maior sobre o Brasil. "A gente sabe que a cobrança vai aumentar. Na verdade, a Iaaf está cobrando mais todo mundo. Eu fiquei chocada com o caso, sei que é muito triste para o atletismo brasileiro, mas para mim não muda muita coisa", disse.

Além do Brasil, a Jamaica é outra delegação que está sendo alvo de muitos questionamentos. Cinco atletas do país foram suspensos do Mundial, mas posteriormente acabaram liberados pela comissão antidoping nacional, que alegou não ter como identificar se a substância "estranha" encontrada era parte da lista dos medicamentos proibidos.

A Iaaf explicou que aguardará a decisão do caso e pode suspender a Federação Jamaicana dependendo da gravidade. No caso do Brasil, o presidente da entidade internacional, Lamine Diack, já divulgou inclusive um comunicado oficial elogiando a postura brasileira no caso.
UOL Celular

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