Rádio WNews

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Carta de um Delgado de Polícia

Poa, 11/08/09

Veja a que ponto chegamos. É realmente vergonhoso.

Beijos.

Deise Nunes.



Senhor Bandido,
Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua imagem
ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro atributo que possa
ferir sua dignidade, conforme orientações de entidades de defesa dos
Direitos Humanos.
Durante vinte e quatro anos anos de atividade policial, tenho acompanhado
suas “conquistas” quanto a preservação de seus direitos, pois os cidadãos e
especialmente nós policiais estamos atrelados às suas vitórias, ou seja,
quanto mais direito você adquire, maior é nossa obrigação de lhe dar
segurança e de lhe encaminhar para um julgamento justo, apesar de muitas
vezes você não dar esse direito as suas vítimas. Todavia, não cabe a mim
contrariar a lei, pois ensinaram-me que o Direito Penal é a ciência que
protege o criminoso, assim como o Direito do Trabalho protege o trabalhador,
e assim por diante.
Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos e
policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro da polícia;
hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o policial sempre será
irresponsável em revidar. Não existe bala perdida, pois a mesma sempre é
encontrada na arma de um policial ou pelo menos sua arma é a primeira a ser
suspeita.
Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não
possuímos dependência digna para você se ressocializar. Porém, quero que
saiba que construímos mais penitenciárias do que escolas ou espaço social,
ou seja, gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da sociedade de
forma digna do que com a segurança pública para que a sociedade possa viver
com dignidade.
Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam qualquer
grevista envergonhado. Presença de advogados, imprensa, colete à prova de
balas, parentes, até juízes e promotores você consegue que saiam de seus
gabinetes para protegê-los. Mas se isso é seu direito, vamos respeitá-lo.
Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois nossa
obrigação também aumentará. Precisamos nos proteger. Ter nossos direitos,
não de lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um policial.
Dois colegas de vocês morreram, assim como dois de nossos policiais
sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para que o
inquérito policial instaurado, o qual certamente será acompanhado por um
membro do Ministério Público e outro da Ordem dos Advogados do Brasil, não
seja encerrado com a conclusão de que houve execução, ou melhor, violação
aos Direitos Humanos, afinal, vocês morreram em pleno exercício de seus
direitos.
Autor: Wilson Ronaldo Monteiro -
Delegado da Polícia Civil do Pará

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