Rádio WNews

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Paulo Furtado Glória 2 x 0 Chapecoense


Fotos Glória 2 x 0 Chapecoense


Fotos Glória 2 x 0 Chapecoense

Caixa

Poa, 15/06/09

Bom dia!!

Que tal começarmos a semana sorrindo?


Beijos.

Deise Nunes.

**A Compra da Caixa de Supositórios* *

Joãozinho vai à farmácia.
- Seu Joaquim, me dê uma caixa de supositórios.
Distraído, o menino pega a caixa e vai saindo da farmácia sem entregar o dinheiro.
- É pra por na conta de sua mãe? - grita-lhe o farmacêutico.
- Não, é prá por no cú do meu pai!

Morte de Um Companheiro


Morte de um companheiro
15 de junho de 2009


Recebi com surpresa a morte do ex-companheiro do MNU DE Vacaria/RS na foto do Torneio de futebol Zumbi dos Palmares realizado em 1991 ele está agachado à direita. Foi um intelectual nos ajudou muito nos tempos que fazia-mos parte do Movimento Negro, era um comunista, idealista foi uma grande perda. Mas vida continua temos que cultuar a memória e a história de pessoas que muitas vezes não aparecem nos livros de história de Vacaria/RS, pois infelizmente em nossa cidade quem aparece na história é somente as elites e aqueles que tem dinheiro. Mas nós do jornal Negritude estamos procurando sem o contraponto disso e mostrar a história e a contribuição dos excluidos da sociedade vacariana.

Paulo Furtado

Editor

http;//jornalnegritude.blogspot.com

http;//paulofurtado.blog.terra.com.br

Arquivado em: Editorial de Opinião I Comentários (0)

Glória Vence amistoso contra a Chapecoense

Glória vence amistoso
Foi diante da Chapecoense em Vacaria por dois a zero

Jogando em Vacaria neste domingo, dia 14/06 o Glória venceu a equipe da Chapecoense , atual vice-campeã de Santa Catarina por dois a zero . Os gols foram marcados por Matão cobrando penalti aos quatro minutos do primeiro tempo e Giancarlo cobrando falta aos 45 minutos do segundo tempo . O técnico Bagé utilizou no primeiro tempo alguns jogadores titulares , mas a maioria foram os reservas . No segundo tempo realizou dez substituições colocando em campo a equipe considerada titular . Nesta segunda feira dia 15/06 as 6 horas da tarde o técnico Bagé realiza um coletivo onde vai definir a equipe que irá enfrentar o Panambi na quarta feira , dia 17/06 em Vacaria as 7 horas da noite . No coletivo deverá ser definido o substituto de Roberto Jacaré que foi expulso no último jogo diante do Rio Grande . O Glória é o líder do Grupo Seis da Segundona com dez pontos . A equipe do Panambi está na vice-liderança com oito pontos .

Rádio Fátima AM (Jornalismo), 15/06/2009, 07h56

Lula Emprestou inheiro ao FMI

LARANJEIRAS - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o fato de o governo brasileiro ter emprestado US$ 10 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Em um discurso de improviso, ele lembrou que quando tomou posse na Presidência, em 2003, era favorável à bandeira "Fora FMI". "A situação mudou. Esta semana, eu emprestei US$ 10 bilhões para eles", disse o presidente. Lula avisou que quando deixar o governo, em 31 de dezembro de 2010, tanto ele como seus ministros apresentarão um documento mostrando tudo o que foi feito. "Acabou o tempo em que o presidente da República não tinha de dizer o que fez", afirmou.
Segundo o presidente, o Brasil saiu da fase de cidadão de segunda classe. "Antes, cada vez que o Brasil falava para a Europa ou para os Estados Unidos, falava como se fosse um vira-lata. Isso mudou".

... http://www.estadao. com.br/noticias/ nacional, lula-comemora- emprestimo- de-us-10- bilhoes-para- fmi,386404, 0.htm ....
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Esse gesto pode parecer de um maravilhosos ufanismo verde-amarelo, mas ele me faz lembrar, e confirmar, a indole do povo brasileiro.
Sempre é assim... brasileiro vive numa casa de 2 quartos com 5 filhos, só 1 banheiro, e é alugada. Ganha um dinheiro legal na loteria, e o que faz? Compra o "carro", o simbolo da superioridade material sobre os demais.
Bem! Agora o Brasil é superior à Argentina, superior a varios outros... somos a India da America do Sul.

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HEITOR (((((º_º))))) CARLOS
http://portodoscasa is.blogspot. com/
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Contratos de Emergências

Contratos emergenciais vão agilizar progressão e liberação de vagas no sistema prisional
12/06/2009 17:23

A contratação emergencial, pelo período de um ano, de 210 profissionais para a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), autorizada pela governadora Yeda Crusius e publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (12), vai acelerar a progressão de regime no sistema prisional do Rio Grande do Sul. A progressão ocorre quando o detento sai do regime fechado para o semiaberto ou aberto. O trabalho dos novos contratados para a Susepe vai possibilitar ao Judiciário mais rapidez no andamento dos processos de transferência de regimes, o que é importante para a liberação de vagas - especialmente no caso de apenados que já estão para ganhar a liberdade.
Depois de exames na Perícia Médica do Estado, os novos profissionais da Susepe vão participar, em julho, de curso de capacitação ministrado por professores da Escola Penitenciária (ESP). Os 210 contratados - 26 advogados, 110 assistentes sociais e 74 psicólogos - exercerão atividades em todas as regiões penitenciárias do Estado. Um número maior será destinado às Casas Especiais, localizadas em Porto Alegre e no Complexo de Charqueadas. Eles vão se somar aos 24 advogados, 47 assistentes sociais e 111 psicólogos pertencentes ao quadro efetivo - um acréscimo, portanto, de 100% no total.

Advogados vão atuar no controle legal e cuidar de benefícios garantidos aos detentos por direito, conforme a Lei de Execuções Penais (LEP). Já os psicólogos e os assistentes sociais ficarão responsáveis pela emissão de laudos ao Judiciário. A mesma lei que permite os contratos emergenciais por um ano também prevê a realização de concurso público, no final desse período, com o mesmo número de vagas oferecido para as contratações temporárias.

Investimentos
Neste ano, com as contas públicas equilibradas, o governo do Estado vai investir cerca de R$ 186 milhões na Segurança Pública. Para o sistema prisional, estão previstos R$ 102 milhões, que serão aplicados na geração de vagas e em construção e reforma de penitenciárias. Ao priorizar a Segurança, o governo do Estado implantou o Programa Estruturante Cidadão Seguro (www.estruturantes.rs.gov.br), que vai investir, até 2010, R$ 462 milhões no setor.

Em 1.727 vagas prisionais já criadas pelo governo Yeda Crusius, foram investidos R$ 21,8 milhões. As que estão em obras representam aproximadamente R$ 11 milhões. Neste ano, com a conclusão de novos albergues em Porto Alegre, Caxias do Sul, Charqueadas e Carazinho, surgirão mais 298 vagas - entre os regimes aberto e semiaberto.

Para renovação da frota da Segurança, o governo Yeda já adquiriu 1.629 veículos zero quilômetro. A meta é chegar, até 2010, a cerca de 2 mil novas viaturas. "Estamos dando continuidade ao que sempre nos propusemos a realizar na área da Segurança Pública, desde antes de assumirmos o governo", afirma a governadora.

Fonte: Site do Estado

Curso em Osório

Polícia Civil realiza em Osório curso sobre "Uso Legal e Progressivo da Força e da Arma de Fogo”
12/06/2009 17:30


A Polícia Civil, por meio da Academia de Polícia Civil (Acadepol), promove a partir desta segunda-feira (15) nova edição do “Curso sobre uso legal e progressivo da força e da arma de fogo”. A iniciativa, que segue até o próximo dia 19, é fruto de uma parceria firmada entre o Governo do Estado e a Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Ao todo, estão sendo realizadas vinte edições do Curso ao longo de 2009. Com aulas em dois turnos, o evento tem a carga de cinqüenta horas com disciplinas teóricas e práticas. A formação oferece as disciplinas de Direitos Humanos, TOP – Técnicas de Operações Policiais e, também, Armamento e Tiro. O grupo é formado por trinta alunos.

Em 2009, Vacaria, Santa Rosa, Bagé e Ijuí, entre outras cidades, também serão sedes do Curso. As próximas edições, após Osório, serão realizadas – respectivamente – em Porto Alegre e Alegrete.

Fonte: Ascom PC

nara o Pássaro e o leão












JUNHO DE 2009 - 20h51

Nara: o pássaro e o leão

por Augusto Buonicore*


No último dia 7 de junho completaram-se vinte anos da morte da cantora Nara Leão. Ela foi uma das pessoas mais importantes na configuração do que conhecemos hoje como Música Popular Brasileira (MPB). Participou da criação da Bossa Nova, da “música de protesto”, do tropicalismo etc. Foi também uma artista engajada nas lutas do seu tempo pela liberdade e pelos direitos do povo. Era um bichinho estranho: meio pássaro e meio leão.



Capa do disco do Show Opinião (1965)
Chico e Nara cantam Dueto



DUETO
http://www.youtube.com/watch?v=6Fx5CHMwWDU
Nara nasceu no Espírito Santo em 19 de janeiro de 1942, mas com apenas um ano de idade mudou-se para o Rio de Janeiro. Era filha de uma família relativamente avançada para época. “Não havia em nossa casa os valores tradicionais da classe média nem normas de conduta. Não comemorávamos natal, nem aniversários, nem réveillon”, afirmou ela. Menina extremamente tímida e insegura quanto a sua beleza e possíveis talentos.

Aos 12 anos começou a aprender tocar violão com Patrício Teixeira. Cantor e instrumentista, companheiro de Pixinguinha, havia criado um novo método que, ironicamente, batizou “O Capadócio”. Esse era o nome ofensivo dado aos tocadores de violão no início do século 20. Patrício, como negro capadócio, havia sentido na carne o preconceito da sociedade carioca de sua época.

Amiga e namorada de Roberto Menescal, e depois de Ronaldo Bôscoli, teve o seu apartamento em Copacabana transformado num dos pontos de encontro dos jovens músicos que criariam um novo estilo musical: a Bossa Nova. Lá se reuniam Carlos Lyra, João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Silvia Telles etc. Nara não era somente uma anfitriã amável – ou a musa daqueles rapazes talentosos – mas também uma das cabeças daquele movimento cultural que surgia.
Em 1958 o grupo foi convidado para cantar no Clube Universitário Hebraico. Como a única figura de certa expressão era Silvia Telles, o funcionário colocou um cartaz “Silvia Telles e um grupo bossa nova”. Sem planejar, o movimento já tinha conseguido um nome. O poeta Manoel Bandeira se referiu a ele como “uma música intimista mais apropriada para apartamentos”. Era isso e um pouco mais.

Nara subiu ao palco pela primeira vez em 13 de dezembro de 1959. Em pânico, cantou quase de costa para o público as músicas “Se é tarde, me perdoa” e “Fim de Noite”. Nascia, assim, uma estrela ainda que um pouco gauche.

Nara se politiza

A primeira experiência de Nara com uma grande gravadora – a Columbia - não foi das mais felizes. No teste cantou “Insensatez” de Vinícius e Tom. Acharam a música chata e longa demais. Sugeriram que cantasse boleros. Ela não gostou da proposta, pegou seu violão e foi embora.

Estranhamente, a “musa da bossa nova” não estrearia em disco cantando o estilo que havia contribuído para criar. Naqueles anos o Brasil estava mudando e Nara também.


Separada de Bôscoli, começou um namoro com o cineasta Cacá Diegues. Através dele se aproximou do pessoal do Cinema Novo e dos intelectuais que organizavam o Centro Popular de Cultura da UNE. Naquele ambiente efervescente ela foi se politizando e aderindo às idéias da esquerda e ao projeto cultural nacional-popular. Saíamos dos “anos JK” e entravamos na “era Jango”. A grande bandeira do momento eram as reformas de base.
Além de Cacá, Carlos Lyra também influenciou Nara. Ele, ao lado de Sérgio Ricardo e Geraldo Vandré, propunham uma mudança de rumo na Bossa Nova. Uma das características desse grupo era a busca de uma aproximação maior com os compositores de extração popular, como Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti, João do Valle etc. Buscava uma fusão entre a moderna música urbana – produzida pelas camadas médias – e a música de morro e do sertão.

O movimento da Bossa Nova acabou rachando em duas partes: uma chamada de “alienada” e outra mais politizada. O conflito foi bastante acirrado. Nara entrou na briga ao lado da arte engajada contra a alienação bossanovista. Numa entrevista à revista “O Cruzeiro” afirmou: “A bossa nova, que se apresentava como um movimento renovador – e foi até determinado momento – tornou-se caduca e acadêmica”. Um pouco antes do golpe militar ela ainda afirmaria: “os letristas da bossa nova escreveram letras sem o menor sentido. Então fui procurar os compositores que dizem o que querem e encontrei o samba tradicional, que contém a verdadeira essência da música popular brasileira”.

Foi dentro desse espírito que gravou o seu primeiro disco. Houve muita resistência quanto ao repertório sugerido pela garota. Dele constavam nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Ketti. Onde já se viu, mocinha de Copacabana cantando música de morro? Depois de muita luta convenceu os produtores que aquele era o caminho certo. Além dos compositores populares havia Carlos Lyra, Vinícius de Moraes, Gianfracesco Guarnieri, Baden Powell, Ruy Guerra. Muitos afirmam que esse disco iria cimentar o caminho daquilo que seria chamado de MPB.

O disco se destacava pela forte presença da crítica social. Muitas das canções poderiam ser enquadradas na rubrica de “música de protesto”. Um estilo que vinha ganhando força em todo mundo, inclusive nos Estados Unidos. Destacava-se no LP as músicas “O morro (feio não é bonito)”, “Canção da terra”, “Berimbau”, “Maria Moita” e “Marcha da quarta-feira de cinzas”. Definitivamente, Nara era a nossa Joan Baez.

Em 1963 ela aderiu ao Comando dos Trabalhadores Intelectuais (CTI), uma versão artístico-intelectual do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Os seus membros pretendiam “participar da formação de uma frente única nacionalista e democrática com as demais forças populares arregimentadas na marcha por uma estruturação melhor da sociedade brasileira”.

O golpe militar de março de 1964 iria obstaculizar as mudanças que já se anunciavam nas ruas. A música lançada alguns meses antes “Marcha de quarta-feira de cinzas” se tornou uma profecia realizada e uma conclamação à luta pela liberdade: “Acabou nosso carnaval/ Ninguém ouve cantar canções/ Ninguém passa mais brincando feliz/ E nos corações/ Saudades e cinzas foi o que restou / .../ E, no entanto, é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar/ É preciso cantar e alegrar a cidade”. Foi o primeiro hino da resistência democrática no país.

Provocada por um jornalista que perguntou se ela era “subversiva”, respondeu: “Se cantar músicas que falam dos dramas do povo, dos seus problemas e das suas tristezas, angústias e alegrias é ser subversiva, acho que não escapo dessa classificação primária. Prefiro, porém, ser chamada de apaixonada pela alma brasileira, de procurar as raízes da verdadeira música do Brasil”. Com esse objetivo, viajou por todo país. Pesquisou culturas populares regionais em busca de novos repertórios. Na Bahia conheceu Gil, Caetano, Maria Bethânia. Esse encontro teria conseqüências para a música brasileira alguns anos depois.

Nara também esteve por trás da primeira resposta do mundo artístico ao golpe militar. Em novembro de 1964 lançou o LP “Opinião de Nara”. A música que dava título ao disco havia sido escrita por Zé Ketti e começava assim: “Pode me prender, pode me bater que eu não mudo de opinião”. Uma clara referência ao difícil momento no qual o Brasil estava vivendo. O disco seguia o mesmo esquema do disco anterior, articulando o moderno e estilos de raiz. Trazia músicas de Zé Ketti, João do Valle, Edu Lobo, Baden Powell, Sérgio Ricardo, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ruy Guerra. Sua marca era a crítica ao regime militar e às injustiças sociais.

O LP chegou ao segundo lugar nas paradas de sucesso e empolgou alguns artistas que vinham do CPC, destruído pela ditadura, e procuravam outros caminhos. Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha) propôs transformar o disco num show. O elenco escolhido procurava traduzir a necessária aliança entre os operários favelados, representado por Zé Ketti, os camponeses nordestinos, representado por João do Valle, e as classes média urbanas, espelhada em Nara Leão. A frente popular sonhada pela esquerda nacional. O texto foi escrito por Vianinha, Armando Costa e Paulo Pontes. A direção ficou por conta de Augusto Boal. O show Opinião estreou em dezembro e obteve um estrondoso sucesso de público e crítica.

A reação não tardou. Grupos de direita picharam a fachada do Teatro de Arena com slogans anticomunistas. Durante o show, Nara era obrigada a bater boca com provocadores infiltrados na platéia. O ritmo extenuante acabou sendo demais para ela. Tendo que se afastar, indicou para substituí-la uma menina que conhecera na Bahia de nome Maria Bethânia. A garota estrearia fazendo um grande sucesso, especialmente pela sua performance em “Carcará” de João do Valle.

Nara voltaria ao palco no espetáculo “Liberdade, liberdade”, escrito por Flávio Rangel e Millôr Fernandes. Mais uma resposta dos artistas ao arbítrio que se implantara no país. O texto era uma coletânea de citações de inúmeras personalidades defendendo a liberdade em todos os campos de atuação humana. Como a ditadura poderia censurar as palavras de Cristo, Lincoln, Kennedy ou mesmo trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos? Simbolicamente, estreou no dia 21 de abril de 1965. Um novo sucesso de público e uma nova derrota da ditadura. A direita realizou novas provocações, ameaçando a integridade física e moral dos atores.

As coisas ficaram ainda mais quentes quando Nara, numa entrevista ao “Diário de Notícias”, defendeu a saída dos militares do poder, pois eles “podiam entender de canhão ou de metralhadoras, mas nada pescavam de política”. Advogou o retorno de um governo civil que “nacionaliza-se as empresas e possibilita-se (...) a melhora do nível de vida do operariado e o desenvolvimento econômico do país”. Empolgada, foi ainda mais longe afirmando que “numa guerrilha moderna, o nosso exército não serviria para nada” e, concluiu, “quem está mandando é que deveria ser cassado”. O título provocativo da matéria era “Nara é de opinião: Esse Exército não vale nada”.

A direita militar enfurecida pediu a cassação e prisão da cantora. Os intelectuais e artistas se organizaram para defendê-la e elaboraram um abaixo-assinado endereçado ao marechal-presidente Castelo Branco. Em sua defesa o poeta Carlos Drummond de Andrade publicou um poema-manifesto: “Meu honrado marechal/ dirigente da nação,/ venho fazer-lhe um apelo: /não prenda Nara Leão (...)/ A menina disse coisas/ de causar estremeção?/ Pois a voz de uma garota/ abala a Revolução?/ / Será que ela tem na fala,/ mais do que charme, canhão?/ Ou pensam que, pelo nome,/ em vez de Nara, é leão? (...)/ Que disse a mocinha, enfim,/ De inspirado pelo Cão? (...)/ Deu seu palpite em política,/ favorável à eleição/ de um bom paisano – isso é crime,/ acaso, de alta traição?/ (...)/ Nara é pássaro, sabia?/ E nem adianta prisão/ para a voz que, pelos ares,/ espalha sua canção./ Meu ilustre marechal/ dirigente da nação,/ não deixe, nem de brinquedo,/ que prendam Nara Leão.”

Nara e os festivais

O auge do prestigio de Nara ainda estaria por vir. Em 1966 foi convidada para defender a música “A Banda” de Chico Buarque de Holanda no II Festival da Música Popular da TV Record. Curiosamente, sem planejar, ele concorreria com “Disparada” de Vandré e Téo de Barros. Um dos melhores exemplares da música engajada. A Banda venceu, mas por exigência de Chico, o prêmio foi dividido.

A marchinha foi um fenômeno musical. Chico e Nara foram, subitamente, lançados ao estrelado. As solicitações de shows multiplicavam e eles não podiam mais sair nas ruas. Era um verdadeiro tormento para a introvertida Nara. A TV Record chegou a criar um programa especial: “Pra ver a banda passar”. A dupla de apresentadores foi chamada jocosamente de “desanimadores de auditório” por sua timidez e constrangimento diante das câmeras. Para alívio dos dois, o programa teve curta duração. Em 1967 interpretaria, ao lado de Sidney Miller, a bela canção “A estrada e o violeiro”.

Defensora da música popular não assumiu posições nacionalistas estreitas. Ela e Chico, por exemplo, se recusaram a participar da passeata realizada em julho de 1967 contra a introdução das guitarras elétricas na música brasileira. Aquela era uma jogada de marketing muito perigosa. Nara teria dito “Isso mete medo. Parece uma passeata do Partido Integralista”. Não chegava a tanto. A maioria dos artistas se arrependeria daquela atitude.

Dentro do seu espírito desbravador, Nara causaria mais uma polêmica. Rompendo com as barreiras existentes entre o pessoal da MPB tradicional e a nova onda tropicalista, chegou a participar do disco “Tropicália” cantando “Lindonéia” de Caetano e Gil. Isso causou indignação dos seus camaradas da música engajada e de raiz. Ela apoiou, mas não podia ser definida como uma tropicalista, pois jamais se rendeu aos seus arroubos mais radicais daquele movimento cultural.

Quando do assassinato do estudante Edson Luís, em março de 1968, ela escreveu um longo texto de protesto intitulado “É preciso não cantar”: “Um estudante de 16 anos morreu porque queria instalações sanitárias e comida para melhor cumprir sua função de estudante. (...) Fizemos uma greve de teatro contra a censura. E voltamos a cantar. Mas é impossível cantar, sabendo que os estudantes estão sendo assassinados nas ruas (...) Por isso, é preciso não cantar. Participou, ao lado de outros artistas, da Passeata dos 100 mil.

A decretação do AI-5, em dezembro de 1968, iria eliminar o pouco espaço que ainda havia para expressão político-cultural. Iniciava-se o período mais sombrio da ditadura. Prisões, torturas e exílio se multiplicavam. Em agosto de 1969, ela declarou ao Pasquim: “No Brasil, no momento, não há condições de trabalho, não há estímulo, não dá vontade de cantar. Acho que se não houver liberdade de criação, vai acabar tudo”. Chico Buarque, no exílio, disse a Cacá Diegues que “Nara era um dos nomes mais citados pelos militares durante vários interrogatórios a que era submetido”. As ameaças sobre o casal aumentaram e ele teve que seguir o triste caminho do exílio.

Na Europa, saudosa do Brasil, ela fez as pazes com a Bossa Nova e, pela primeira vez, gravou um disco somente com músicas de seus ex-companheiros. Nascia assim o LP “Dez anos depois”. Esse seria um reencontro definitivo com suas origens musicais. Em 1971, voltou ao Brasil.

No ano seguinte foi indicada para presidir o júri da etapa nacional do 7º Festival Internacional da Canção da rede Globo. Pressionada pelo regime, a direção da emissora destituiu todo o júri brasileiro e o substituiu pelo júri da fase internacional. Nara protestou e o psicanalista Roberto Freire tentou fazer um protesto em pleno festival, mas foi espancado e preso por agentes da repressão. Era o fim definitivo da “era dos festivais”.

Como alternativa ao fechamento dos espaços para divulgação da cultura nacional e popular foi criado o Circuito Universitário. Os artistas passariam a se apresentar em universidades de todo o país. Nara, Chico, Toquinho, Vinícius, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, MPB-4, Sérgio Ricardo, Paulo César Pinheiro, Paulinho Tapajós entre outros entrariam nessa aventura cultural. As condições, muitas vezes, eram precárias, mas isso era amplamente compensado pelo calor das platéias estudantis. Se apresentar e assistir esses shows eram formas de participar da resistência democrática naqueles anos de chumbo.

Uma tragédia se imporia na vida da artista. Em 1979 Nara desmaiou e foi levada ao hospital. Constatou-se que tinha um tumor no cérebro numa área de difícil acesso. A partir daí iniciou-se uma luta titânica da vida contra a morte. Uma luta desigual que ela conseguiu muitas vezes vencer.
Apesar da doença, continuou sua atividade política a favor da democratização do país. Envolveu-se na campanha dos candidatos da oposição em 1982. Assinou manifesto contra as prisões e desaparecimentos de presos políticos na Argentina. Participou ativamente da Campanha das Diretas em 1984. Até o fim defendeu as causas mais sentidas do nosso povo.

As perdas de memória eram mais constantes. Shows tiveram que ser interrompidos e cancelados. Ela lutava minuto a minuto contra a doença. Nos dez últimos anos de sua vida trabalhou incansavelmente e produziu quase uma dezena de discos. Nara morreu em 7 de junho de 1989. Mas, o seu canto de ave pequena e o seu rugido de leão continuam ecoando através das obras que nos legou.

Nota

As principais referências para esse artigo foram extraídas do livro Nara Leão: uma biografia de Sérgio Cabral, publicado pelas editoras Companhia Editora Nacional e Lazul.

Mais no Youtube:

Trechos do DVD Ensaio Nara Leão

http://www.youtube.com/watch?v=d6So1y6AluM&feature=related

Musica do espetáculo Opinião.

http://www.youtube.com/watch?v=sRpcc65lQZE

Nara e Sidney Miller cantam Estrada e o violeiro no 3º Festival da Record (1967)
http://www.youtube.com/watch?v=MsY0QsgTQyQ

Chico, Nara e MPB-4 cantam Noite dos mascarados – Record (1967)
http://www.youtube.com/watch?v=n72vD9Wtt8Y&feature=related





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*Augusto Buonicore, Historiador, mestre em ciência política pela Unicamp



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* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.

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Edição: 44/2009

Gigantinho recebe competições de taekwondo
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O Internacional sediará neste sábado, no Gigantinho, competições internacionais e nacionais de taekwondo. O ingresso para o evento é a doação de um quilo de alimento não-perecível.

O ginásio Gigantinho será palco das maiores competições de taewkondo do Brasil. Neste sábado (13/6), a partir das 14h, terá início o V International Open Taekwondo Championship, que contará com as seguintes disputas: XX Campeonato Brasileiro de Taekwondo categoria Infantil, XVI Campeonato Brasileiro de Taekwondo categoria Juvenil e XVII Campeonato Brasileiro de Taekwondo categoria Master.

Durante a cerimônia de abertura do evento a Federação Gaúcha de Taekwondo prestará uma homenagem ao Centenário do Sport Club Internacional.

O ingresso será um quilo de alimento não-perecível.







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