Rádio WNews

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Glória 3 x 2 Cruzeiro



Fotos Glória 3 x 2 Cruzeiro



Fotos Glória 3 x 2 Cruzeiro



Fotos Glória 3 x 2 Cruzeiro de Porto


Foto Ben Hur Técnico do Cruzeiro de Porto Alegre


Foto Ben Hur Técnico do Cruzeiro de Porto Alegre e equipe do Jornal Negritude

Veja








23 de abril de 2010

Caro leitor, aqui estão os destaques de VEJA desta semana.

VEJA.com - veja@abril.com.br





Edição da semana (n° 2162 - 28 de abril de 2010)


Especial
A ética na vida e na morte
Como médicos, pacientes e seus familiares enfrentam os excruciantes dilemas levantados pela possibilidade médica de prolongar ou abreviar a agonia de pacientes terminais.

• Índice da edição




Entrevista
Senadora Kátia Abreu fala sobre condição da propriedade privada
Eleições
A influência dos institutos de pesquisa na escolha do presidente





História
Uma zebra na eleição britânica
Liberal-democrata Nick Clegg brilha na televisão. Ginástica
É um tanquinho ou não é?
Barriguinha definida é meta entre adolescentes.




Ambiente
O censo da vida marinha e toda sua biodiversidade
Artes
Bernardo Paz, o imperador da arte contemporânea





Música
Um som suave para tempos duros
O folk volta às paradas e aos shows de calouros. Guia
As super televisões - e o que elas têm
Ano de Copa, 11 milhões vão comprar TV nova.




Lya Luft
Os pais do lixo
J.R. Guzzo
Pobres e ricos





Destaques on-line
Reportagem
Como mercado editorial reage aos e-readers



Vídeo
Entrevista com Sérgio Guerra
Música
Entrevista com o cantor Fiuk



Livros
As opções sobre a história de Alice
Teste
Quem é você no mundo de Alice





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Colunistas
Blog
Reinaldo Azevedo
Greve de professores foi campanha anti-Serra


"Bebel desmoralizou o sindicato, que, embora pareça, não pertence a ela e a seu grupo."

Radar on-line
Lauro Jardim
Enxugando dívidas


"A maior cervejaria do mundo conseguiu encolher sua dívida em 2,4 bilhões de dólares."



Coluna
Augusto Nunes
Expediente misterioso


"Se a lei valesse para todos os brasileiros, Lula seria demitido por abandono de emprego."

De Paris
Antonio Ribeiro
Santíssima trindade da bola joga pebolim em Madri


Blogs da redação
Política
VEJA nas Eleições
Protagonistas e fatos da corrida presidencial


Finanças
IR 2010
Como informar empréstimos e os juros recebidos deles?


Variedades
Dez mais
Os games mais divertidos para jogar no trabalho


Futebol
Blog da Copa
Defesa brasileira barra Messi







Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados

Lenin


Camaradas

O portal da Fundação Maurício publica o especial A Atualidade do Pensamento de Lênin, em homenagem aos 140 anos de nascimento desse grande teórico e revolucionário do século XX. Se interessar, cliquem no link abaixo:





http://fmauriciograbois.org.br/portal/revista.php?id_sessao=9&id_publicacao=220

Um grande abraço

Augusto Buonicore

-----Anexo incorporado-----


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Cartaoberro mailing list
Cartaoberro@serverlinux.revistaoberro.com.br
http://serverlinux.revistaoberro.com.br/mailman/listinfo/cartaoberro

Miséria Moral

A miséria moral de ex-esquerdistas

Emir Sader

Alguns sentem satisfação quando alguém que foi de esquerda salta o muro, muda de campo e se torna de direita – como se dissessem: “Eu sabia, você nunca me enganou”, etc., etc. Outros sentem tristeza, pelo triste espetáculo de quem joga fora, com os valores, sua própria dignidade – em troca de um emprego, de um reconhecimento, de um espaçozinho na televisão.

O certo é que nos acostumamos a que grande parte dos direitistas de hoje tenham sido de esquerda ontem. O caminho inverso é muito menos comum. A direita sabe recompensar os que aderem a seus ideais – e salários. A adesão à esquerda costuma ser pelo convencimento dos seus ideais.

O ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo, a seu próprio passado. Não apenas renega as idéias que nortearam – às vezes o melhor período da sua vida -, mas precisa mostrar, o tempo todo, à direita e a todos os seus poderes, que odeia de tal maneira a esquerda, que já nunca mais recairá naquele “veneno” que o tinha viciado. Que agora podem contar com ele, na primeira fila, para combater o que ele foi, com um empenho de quem “conheceu o monstro por dentro”, sabe seu efeito corrosivo e se mostra combatente extremista contra a esquerda.

Não discute as idéias que teve ou as que outros têm. Não basta. Senão seria tratar interpretações possíveis, às quais aderiu e já não adere. Não. Precisa chamar a atenção dos incautos sobre a dependência que geram a “dialética”, a “luta de classes”, a promessa de uma “sociedade de igualdade, sem classes e sem Estado”. Denunciar, denunciar qualquer indício de que o vício pode voltar, que qualquer vacilação em relação a temas aparentemente ingênuos, banais, corriqueiros, como as políticas de cotas nas universidades, uma política habitacional, o apoio a um presidente legalmente eleito de um país, podem esconder o veneno da víbora do “socialismo”, do “totalitarismo”, do “stalinismo”.

ESPETÁCULO

Viraram pobres diabos, que vagam pelos espaços que os Marinhos, os Civitas, os Frias, os Mesquitas lhes emprestam, para exibir seu passado de pecado, de devassidão moral, agora superado pela conduta de vigilantes escoteiros da direita. A redação de jornais, revistas, rádios e televisões está cheia de ex-trotskistas, de ex-comunistas, de ex-socialistas, de ex-esquerdistas arrependidos, usufruindo de espaços e salários, mostrando reiteradamente seu arrependimento, em um espetáculo moral deprimente.

Aderem à direita com a fúria dos desesperados, dos que defendem teses mais que nunca superadas, derrotadas, e daí o desespero. Atacam o governo Lula, o PT, como se fossem a reencarnação do bolchevismo, descobrem em cada ação estatal o “totalitarismo”, em cada política social a “mão corruptora do Estado”, do “chavismo”, do “populismo”.

Vagam, de entrevista a artigo, de blog à mesa redonda, expiando seu passado, aderidos com o mesmo ímpeto que um dia tiveram para atacar o capitalismo, agora para defender a “democracia” contra os seus detratores. Escrevem livros de denúncia, com suposto tempero acadêmico, em editoras de direita, gritam aos quatro ventos que o “perigo comunista” – sem o qual não seriam nada – está vivo, escondido detrás do PAC, do Minha Casa, Minha Vida, da Conferência Nacional de Comunicação, da Dilma – “uma vez terrorista, sempre terrorista”.

Merecem nosso desprezo, nem sequer nossa comiseração, porque sabem o que fazem – e os salários no fim do mês não nos deixam mentir, alimentam suas mentiras – e ganham com isso. Saíram das bibliotecas, das salas de aula, das manifestações e panfletagens, para espaços na mídia, para abraços da direita, de empresários, de próceres da ditadura.

Vagam como almas penadas em órgãos de imprensa que se esfarelam, que vivem seus últimos sopros de vida, com os quais serão enterrados, sem pena, nem glória, esquecidos como serviçais do poder, a que foram reduzidos por sua subserviência aos que crêem que ainda mandam e seguirão mandado no mundo contra o qual, um dia, se rebelaram e pelo que agora pagam rastejando junto ao que de pior possui uma elite decadente e em vésperas de ser derrotada por muito tempo. Morrerão com ela, destino que escolheram em troca de pequenas glórias efêmeras e de uns tostões furados pela sua miséria moral. O povo nem sabe que existiram, embora participe ativamente do seu enterro.


-----Anexo incorporado-----


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Livro

A
Todos que possam intresaar o Lançamento do Livro ÁFRICA EM NÓS está mantido.
Qualquer duvida entre em contato nestes números de telefone: Airton_ 9305-8043 (Airton)
8227-6163 (Vera) e e-mails: vera.yetima@ bol.com.br; airton_feitosa@ yahoo.com. br; ma_fesilva@yahoo. com.br; myotase@yahoo. com.br; tucanafro.campinas. sp@gmail. com

A entidades, pessoas, personalidades abaixo descritas, indo ao local do evento receberão um livro, conforme comunicados anteriores:
Posteriormente serão emitidas todas as informações sobre as pessoas que de toda forma buscaram inviabilizar ou destruir esta importante atividade. mas, graças a nossa força e perseverança, eles não conseguiram. O POVO NEGRO PODE MAIS!

Att.

Maurilio Ferreira da Silva
Presidente do Tucanaro Campunas e Coordenador do GT Zumbi - Movimento Negro Unificado - MNU

A entidades, pessoas, personalidades abaixo descritas, indo ao local do evento receberão um livro, conforme comunicados anteriores:
Listagem de pessoas entidades, personalidades que serão agraciadas com o Livro África Em Nós – Lançamento 26/04/2010 – 19H00 – Academia Campinense de Letras – ACL

OBs. É necessário estar presente para receber o livro

Comentário do Leitor

Gabriel Waldrigu deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Glória 3 x 2 Cruzeiro jogo Dramático":

Grêmio esportivo gloria de vacaria mostrou que se tiver garra e conjunto conseguirá o tão sonhado acesso para a primeira divisão em 2011, que condições a diretoria dá para os atletas dentro de campo jogarem , esperamos que a comunidade de vacaria compareça ao estádio para incentivar e torcer para o Leão da serra se classificar.

News Negro

Dois são presos por injúria racial após agredir rapaz negro no ...
O Globo
Sem motivo aparente, os dois teriam passado a agredi-lo e dito que ele deveria apanhar porque é negro. De acordo com a vítima, os dois usavam palavrões de ...
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Microsoft vai investir em empresas de negros na África do Sul
O Globo
A empresa afirmou nesta sexta-feira que irá usar o dinheiro ao longo dos próximos sete anos para oferecer assistência a negros donos de pequenos negócios de ...
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Cultura promove 1º Seminário Regional da Saúde da População Negra ...
Canal Rio Claro
... 24 de abril, o 1º Seminário Regional da Saúde da População Negra. O Seminário é fruto de uma parceria da Cultura com a Secretaria da Saúde, ...
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Comunidade Negra rejeita toque de recolher da PM
Bom Dia Sorocaba
Após o Conselho Tutelar rejeitar adoção de toque de recolher em Bauru, agora é o Conselho Municipal da Comunidade Negra que se posiciona contra. ...
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Conselho da População Negra elege Diretoria
Entrelinhas
Os integrantes do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da População Negra de Botucatu reuniram-se no último dia 20, no auditório Cyro Pires, ...
Veja todos os artigos sobre este tópico


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HEITOR (((((º_º))))) CARLOS
http://portodoscasa is.blogspot. com/
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Show em Vacaria RS

Por favor repassem aos seus amigos

Obrigado

Roberto



Cultura ao alcance de todos

Conjunto Bluegrass Porto-alegrense

Com pouco mais de dois anos de existência e seu disco de estréia recentemente lançado, o Conjunto Bluegrass Porto-Alegrense já é referência no cenário regional por sua proposta de trabalho bastante peculiar.

São apresentações de Bluegrass, uma forma de música norte-americana de raiz influenciada pela cultura de imigrantes escoceses, irlandeses e afro-americanos em que utilizam um único microfone condensador. Exatamente como em 1940, durante a formatação desse estilo musical.

Além disso, as aparições do CBPA acontecem principalmente nas ruas em tradicionais feiras de antiguidades e no centro da cidade e costumam ter um tanto de oficina, já que o grupo compartilha o conhecimento da história da música bluegrass com o público.

Heine Wentz (violino e voz), Marcio Petracco (bandolin e voz), Ricardo Sabadini (violão e voz) e Pedro Marini (contrabaixo e voz) estudam a forma mais pura dessa espécie de música e a levam às pessoas na forma de canções, instrumentais e temas “à cappella”.

Ouça em “www.conjuntobluegrass.com”







Dia 30 abril - sexta feira 21h

Restaurante Mangiare

(jantar opcional - fone 32 32 62 49)

Ingressos antecipados (150) R$ 20,00 – entrega em casa fone 32 32 34 44

Apoio

UCS-FM - a sintonia inteligente

fone 32 31 81 05



Puro Grão - é você de bem com a vida

fone 32 32 08 07



Pedreira Vacaria - sempre a melhor entrega

fone 32 31 22 34



RROSSI PRODUÇÕES E EVENTOS

Entrevista Técnico Paulo Porto do Glória

- Um jogo abaixo de chuva campo sem condições de praticar um bom futebol o que iguala as coisas, o Glória hoje precisava jogar se impor tecnicamente, e ficou difícil em função do estado do gramado, a gente buscou a superação de jogar de acordo com o gramado e conseguimos vencer.
(Continua na próxima edição)
Reportagem: Paulo Furtado

Flagrado em Antidoping


23/04/2010 - 08h47
Flagrado em antidoping, atleta põe culpa em droga para aumentar o pênis
Do UOL Esporte
Em São Paulo

LaShawn Merritt, campeão olímpico dos 400 m, foi pego em antidoping em três exames realizados

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NA FOLHA DE S.PAULO
XARÁ DE CHERUYOT FATURA MARATONA DE BOSTON
Campeão olímpico dos 400 m rasos nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, o norte-americano LaShawn Merritt, de 23 anos, foi suspenso preventivamente após falhar em testes antidoping. Três exames deram positivo entre os meses de outubro de 2009 e janeiro de 2010.

A substância pega foi o DHEA (deidroepiandrosterona), um esteróide anabolizante. O curioso do caso é que segundo Howard Jacobs, advogado do atleta, a substância fazia parte da fórmula de um produto usado pelo velocista para “aumentar o tamanho do pênis”.

“Nenhuma sanção vai disfarçar o embaraço e a humilhação que sinto”, afirmou Merritt, segundo matéria desta sexta-feira da Folha de S.Paulo.

O produto, que é vendido sem prescrição médica, seria o ExtenZe, que tem como promessa melhorar o desempenho sexual.

O campeão olímpico foi criticado pela federação dos EUA de atletismo por ter colocado em dúvida sua carreira, além de se tornar “alvo de piadas”.


Fonte: Uol

Edmilson Teve Problemas com Álcool


23/04/2010 - 10h15
Edmilson fala de problemas com álcool na adolescência; futebol salvou
Do UOL Esporte
Em São Paulo

Edmílson disputa bola em partida do Zaragoza

KAKÁ VOLTA A SER RELACIONADO PARA JOGO DO REAL
VEJA A CLASSIFICAÇÃO DO CAMPEONATO ESPANHOL
O pentacampeão mundial pela seleção brasileira Edmílson, hoje jogador do Zaragoza, contou em entrevista à imprensa espanhola que teve problemas com bebidas durante sua juventude, mas que com a ajuda do futebol e da religião conseguiu superar os obstáculos.

“Se não fosse por Deus, poderia não estar vivo”, disse o jogador nascido em Taquaritinga (SP), em entrevista ao La Sexta, da Espanha.

“Meu pai colhia laranjas no local em que nasci e desde os 12 anos eu o ajudava. Ao final do trabalho, o dono da plantação colocava em nossa frente uma garrafa de cachaça - álcool puro - e eles tomavam. No fim, sobrava um pouco e eu bebia também”, relatou o defensor.

Segundo ele, o problema se agravou quando crescia. Passou a sair aos fins de semana com os amigos e, em meio a uma vida “bastante difícil”, “bebia muito”.

“Meu pai teve muitos problemas com o álcool, mas sempre foi um exemplo para mim, pois sempre lutou muito para sustentar a família. Ficar 30 anos colhendo laranjas no Brasil não é fácil, e vejo com orgulho de onde saí”, concluiu.

Edmílson é um dos jogadores do Zaragoza em missão complicada no fim de semana. O time enfrenta o Real Madrid, vice-líder do Campeonato Espanhol, sábado às 15h (de Brasília). Os madrilenhos correm atrás do Barcelona, que tem um ponto a mais na tabela.

Fonte: Uol

Campanha dos Blogueiros Contra Carlos Simon


21/04/2010 - 07h05
Campanha de blogueiros do Grêmio faz contagem regressiva para aposentadoria de Simon
Marcos Jorge
Em São Paulo
SIMON X EDUARDO BUENO

Em 2005, a Ediouro publicou o livro Grêmio, nada pode ser maior, de autoria do jornalista e escritor Eduardo Bueno. A obra, marcada pelo tom jocoso e uma explícita parcialidade ao tricolor gaúcho, referiu-se à Carlos Eugênio Simon como parte da "infame estirpe dos juízes que surrupiaram o Grêmio". A declaração levou o árbitro a mover uma ação contra autor e editora. Depois de dois anos de processo tramitando, ambos foram condenados a indenizar o árbitro em R$ 15 mil.


BLOG DO JUCA: RESPOSTA DE EDUARDO ''PENINHA'' BUENO
TOP 5: CONFIRA AS ARBITRAGENS POLÊMICAS DE SIMON
QUIZ: TESTE O QUE VOCÊS SABE SOBRE ÁRBITROS EM COPAS
Carlos Eugênio Simon será, pela terceira vez, o árbitro brasileiro na Copa do Mundo da África do Sul. Apesar de contar com o prestígio do Comitê de Arbitragem da FIFA, dentro do Brasil, o árbitro está longe de ser unanimidade. Um exemplo disso é uma campanha espirituosa organizada por um grupo de blogueiros do Grêmio, que criou uma contagem regressiva para sua aposentadoria.

A ideia de fazer a brincadeira surgiu depois que o árbitro concedeu uma entrevista à imprensa afirmando que provavelmente se aposentaria logo após o Mundial da África do Sul. Simon, que precisa de três jogos para igualar o recorde de oito atuações em Copas do francês Joël Quiniou, completa 45 anos meses depois do Mundial. A idade é o limite máximo estabelecido pela Fifa para atuação desses profissionais.

Assim que soube da notícia, a rede de blogueiros do Grêmio ativou seus contatos e cada um cuidou de uma parte do processo. Enquanto um programou o aplicativo, outro fez o design, e quando o widget (pequenos aplicativo que costuma ser anexado a blogs e páginas de internet) ficou pronto, todos o adicionaram a seus respectivos blogs. O código, que pode ser anexado a qualquer blog ou website, tem uma imagem de Simon com o apito e faz a contagem regressiva até o fim da Copa do Mundo (ver ao lado).

Criado sem muitas pretensões, o aplicativo é definido pelo publicitário e blogueiro Minwer Daqawiya como um “misto de homenagem em tom de brincadeira e alívio ao mesmo tempo”. Disponibilizado no fim de março, o relógio já teve mais de 300 downloads e aos poucos vai se espalhando pelos blogs gremistas na internet.

Procurado pelo UOL Esporte para comentar a iniciativa dos blogueiros, o árbitro preferiu não se pronunciar.

A caminho de sua terceira Copa do Mundo, Simon é, pelo bem ou pelo mal, a figura de maior expressão no quadro de árbitros do Brasil. Três meses antes de ser convocado pela Fifa para participar de seu terceiro Mundial, o árbitro havia sido afastado pela CBF até o fim do Campeonato Brasileiro de 2009 por conta da atuação no jogo entre Palmeiras e Fluminense, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro de 2009. A polêmica surgiu porque o árbitro anulou um gol do atacante Obina, alegando que ele teria cometido falta no zagueiro.


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Libertadores


Confrontos Chave Oitavas de final
Ida: 28/04; Volta: a definir
Corinthians x Flamengo

Melhor campanha da primeira fase com apenas dois pontos perdidos em seis partidas, o Corinthians faz contra o Flamengo o clássico brasileiro das oitavas. O time rubro-negro, em crise, venceu o Caracas na última rodada. Ida: 29/04; Volta: a definir
Universidade do Chile x Alianza Lima

O Universidade do Chile se classificou em primeiro no grupo do Flamengo, e de forma invicta. O adversário será o Alianza Lima, que perdeu a condição de primeiro do seu grupo na última rodada ao ser derrotado pelo Estudiantes. Ida: 27/04; Volta: a definir
Vélez Sarsfield x Chivas

O Vélez Sarsfield ficou com a quarta melhor campanha da primeira fase ao se classificar em primeiro no grupo do Cruzeiro. Já o Chivas entrou direto por decisão da Conmebol, já que em 2009 foi eliminado por causa da gripe suína no país. Ida: 29/04; Volta: a definir
Libertad x Once Caldas

O Libertad é um dos clubes que entram nas oitavas sem ter perdido um jogo na fase de grupos. O adversário do time paraguaio é o Once Caldas, que ficou em segundo no seu grupo ao ser derrotado pelo São Paulo na última rodada. Ida: 27/04; Volta: a definir
Estudiantes x San Luis-MEX

Atual campeão da competição, o Estudiantes conseguiu terminar em primeiro do seu grupo somente na última rodada e irá enfrentar o San Luis-MEX, que vai disputar a Libertadores-2010 a partir das oitavas de final, assim como o Chivas. Ida: 28/04; Volta: a definir
Internacional x Banfield

Com gol de Giuliano no fim, o Inter escapou de enfrentar o Cruzeiro nas oitavas e agora irá encarar o Banfield, que terminou em segundo no seu grupo com 11 pontos. O time de Jorge Fossati terá a vantagem de decidir em casa. Ida: 28/04; Volta: a definir
São Paulo x Universitário

Mesmo não apresentando um futebol convicente, o São Paulo venceu confronto direto e ficou com a segunda melhor campanha da fase. Já o Universitário ainda não perdeu na competição (obteve duas vitórias e quatro empates). Ida: 29/04; Volta: a definir
Nacional-URU x Cruzeiro

Ao lado do Flamengo, o Cruzeiro também não terá a chance de fazer a última partida em casa, encarando o Nacional do Uruguai na primeira partida no Mineirão. As duas equipes tiveram campanhas parecidas na fase de grupos.
Fonte: Uol Esportes

Duelo de Pesos Pesados



23/04/2010 - 07h01
Mano prevê provocação sobre Ronaldo e duelo de pesos pesados com Adriano
Alexandre Sinato
Em São Paulo

Ronaldo terá quatro turnos a mais de treino que os demais até o jogo diante do Flamengo, na quarta


Adriano chegou a ser criticado pela torcida do Fla na última partida e tenta a redenção nas oitavas

CORINTHIANS VENCE E AVANÇA COMO LÍDER GERAL
MANO DEFENDE RONALDO: 'ELE SEMPRE FUMOU'
ROBERTO CARLOS MINIMIZA CRISE DO FLA
LEIA MAIS NOTÍCIAS SOBRE O CORINTHIANS
LIBERTADORES: CONFIRA A CHAVE DAS OITAVAS
O duelo entre Corinthians e Flamengo nas oitavas de final da Libertadores será diferente para Ronaldo. Rubro-negro declarado e alvo da ira dos flamenguistas quando acertou com a equipe paulista, o Fenômeno sentirá pela primeira vez o peso da torcida que já fez campanha por sua presença na Gávea e hoje está ressentida. Além disso, ele reencontrará Adriano, companheiro da última Copa do Mundo e compartilhando de mau momento físico e técnico.

Mesmo a quase uma semana do primeiro duelo, Ronaldo e Adriano já surgem como candidatos a protagonistas. Ainda que recebam os holofotes pela má fase que vivem, os dois atacantes concentrarão boa parte das atenções no clássico que reúne as duas maiores torcidas do Brasil e outros nomes importantes, como Roberto Carlos, Vagner Love, Felipe, Bruno, Petkovic...

“É um enfrentamento pesado mesmo, são dois pesos pesados, dois grandes jogadores de destaque no futebol mundial. Com certeza cada um fará o melhor e espero que Ronaldo faça ainda melhor, porque é isso que queremos dele”, completou Mano, brincando sutilmente com a forma física dos dois atacantes.

O camisa 9 corintiano e a comissão técnica também preveem um clima hostil no Rio de Janeiro. No ano passado, quando as equipes se enfrentaram no Maracanã pelo Brasileiro, os flamenguistas hostilizaram Ronaldo mesmo sem o jogador ter participado do duelo. Ele se recuperava de duas fraturas na mão.

“Depende muito do que é a provocação, depende do momento. Acho que nessa hora um atleta sabe exatamente no que mexeu e precisa estar preparado para tudo, concentrado no que está fazendo. E trabalhar sob pressão extrema para esse tipo de atleta é muito comum”, apostou Mano Menezes.

A história de amor entre a torcida do Flamengo e Ronaldo acabou em dezembro de 2008. Os rubro-negros queimaram camisetas criadas para pedir sua contratação pelo clube rubro-negro. E desde então novos capítulos reforçaram o divórcio.

O camisa 9 declarou que hoje é corintiano e que encerrará a carreira no Parque São Jorge. Eliminou o sonho de vestir a camisa do Flamengo e avisou que seu amor pelo clube estava de lado.

Agora, para intensificar ainda mais tal separação, Corinthians e Flamengo se enfrentam nas oitavas de final da Libertadores. O primeiro duelo será na próxima quarta-feira, no Maracanã. Uma semana depois, as equipes se encaram no Pacaembu.

Fonte: Uol

A Nova Zelândia acessa o Blog do Jornal Negritude



Parabéns! Você só teve a sua primeira visita de Nova Zelândia.




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Revista Veja

23 de abril de 2010
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Caro leitor, aqui estão os destaques de VEJA desta semana.

VEJA.com - veja@abril.com.br

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Edição da semana (nº 2162 - 28 de abril de 2010)

[Especial]
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A ética na vida e na morte
Como médicos, pacientes e seus familiares enfrentam os excruciantes dilemas levantados pela possibilidade médica de prolongar ou abreviar a agonia de pacientes terminais.
http://veja.abril.com.br/280410/etica-vida-morte-p-100.shtml

Índice da edição
http://veja.abril.com.br/280410/sumario.shtml

[Entrevista]
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Senadora Kátia Abreu fala sobre condição da propriedade privada
http://veja.abril.com.br/280410/contra-preconceitos-p-021.shtml

[Eleições]
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A influência dos institutos de pesquisa na escolha do presidente
http://veja.abril.com.br/280410/gangorra-numeros-p-076.shtml

[História]
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Uma zebra na eleição britânica
Liberal-democrata Nick Clegg brilha na televisão.
http://veja.abril.com.br/280410/razao-tropicos-p-118.shtml

[Ginástica]
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É um tanquinho ou não é?
Barriguinha definida é meta entre adolescentes.
http://veja.abril.com.br/280410/tanquinho-ou-nao-p-126.shtml

[Ambiente]
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O censo da vida marinha e toda sua biodiversidade
http://veja.abril.com.br/280410/uma-visita-origem-vida-p-122.shtml

[Artes]
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Bernardo Paz, o imperador da arte contemporânea
http://veja.abril.com.br/280410/imperador-inhotim-p-152.shtml

[Música]
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Um som suave para tempos duros
O folk volta às paradas e aos shows de calouros.
http://veja.abril.com.br/280410/musica-suave-para-tempos-duros-p-158.shtml

[Guia]
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As super televisões - e o que elas têm
Ano de Copa, 11 milhões vão comprar TV nova.
http://veja.abril.com.br/280410/super-teves-p-146.shtml

[Lya Luft]
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Os pais do lixo
http://veja.abril.com.br/280410/pais-lixo-p-028.shtml

[J.R. Guzzo]
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Pobres e ricos
http://veja.abril.com.br/280410/pobres-ricos-p-166.shtml

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[Destaques on-line]
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[Reportagem]
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Como mercado editorial reage aos e-readers
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia-tecnologia/enigma-e-book-decifra-me-ou-te-devoro-536582.shtml


[Vídeo]
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Entrevista com Sérgio Guerra
http://veja.abril.com.br/blog/eleicoes/veja-acompanha-jose-serra/o-tucano-sergio-guerra-no-veja-entrevista/

[Música]
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Entrevista com o cantor Fiuk
http://veja.abril.com.br/noticia/variedades/novo-idolo-adolescente-fiuk-diz-fumou-baseado-era-oregano-552424.shtml

[Livros]
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As opções sobre a história de Alice
http://veja.abril.com.br/noticia/variedades/pais-livros-alice-vai-fisica-psicanalise-552271.shtml

[Teste]
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Quem é você no mundo de Alice
http://veja.abril.com.br/noticia/variedades/alice-pais-maravilhas-personagem-voce-552640.shtml


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Colunistas

[Blog]
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Reinaldo Azevedo
Greve de professores foi campanha anti-Serra
http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

[Radar on-line]
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Lauro Jardim
Enxugando dívidas
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/

[Coluna]
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Augusto Nunes
Expediente misterioso
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/

[De Paris]
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Antonio Ribeiro
Santíssima trindade da bola joga pebolim em Madri
http://veja.abril.com.br/blog/de-paris/


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[Blogs da redação]
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[Política]
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VEJA nas Eleições
Protagonistas e fatos da corrida presidencial
http://veja.abril.com.br/blog/eleicoes/

[Finanças]
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IR 2010
Como informar empréstimos e os juros recebidos deles?
http://veja.abril.com.br/blog/imposto-renda/

[Variedades]
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Dez mais
Os games mais divertidos para jogar no trabalho
http://veja.abril.com.br/blog/10-mais/

[Futebol]
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Blog da Copa
Defesa brasileira barra Messi
http://veja.abril.com.br/blog/copa-2010/

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Gilmar Mendes


Prezadas (os) amigas (os)

Envio para leitura, críticas e publicação o artigo "Gilmar Mendes (ou Dantas?) já vai tarde".

O texto está disponível no endereço: http://www.altamiroborges.blogspot.com/

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Abreijos, Altamiro Borges (Miro)


sexta-feira, 23 de abril de 2010
Gilmar Mendes (ou Dantas?) já vai tarde


Nesta sexta-feira, o sinistro Gilmar Mendes finalmente deixou a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). As reações diante da sua despedida foram distintas. A mídia privada chorou a saída. Editorial da Folha bajulou o ministro. O Estadão também choramingou. Já a TV Globo despeja diariamente confetes e até poderia, dramatizando a troca de comando, acionar o repórter Heraldo Pereira para chorar na telinha. Afinal, ele é serviçal da Gilmar Mendes – nas horas vagas, ele dá aulas no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), a escola privada do ex-presidente do STF.

Já os movimentos sociais e os democratas festejaram a sua saída. Para estes, Gilmar Mendes já vai tarde! Ou melhor: ele nunca deveria ter assumido o comando da mais alta corte do Brasil. Afinal, ele jamais teve a isenção necessária para exercer a função. Sempre foi um tucano de carteirinha – ou um “juristucano”, segunda a corrosiva ironia do jornalista Elio Gaspari. De 1996 a 2000, ele foi subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil no governo FHC. Depois, o protegido do grão-tucano galgou o posto de advogado-geral da União, que exerceu com reconhecida mediocridade.

Habeas corpus para especuladores

Seu ingresso no STF foi a fórceps. FHC interveio ativamente para bancar o seu nome no Senado. Dos 11 ministros da casa, ele teve o maior número de votos contrários (15) da história recente. Na véspera da sessão que aprovou sua indicação, em junho de 2002, Dalmo de Abreu Dallari, um dos mais renomados juristas do país, até alertou: “Se essa indicação vier a ser aprovada no Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sérios riscos a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. Proféticas palavras!

Durante a sua presidência, o STF colecionou os piores momentos da sua história. Gilmar Mendes virou estrela por conceder dois habeas corpus ao rentista Daniel Dantas, retirando-o da prisão em tempo recorde. Tanto que o jornalista Paulo Henrique Amorim o apelidou de Gilmar Dantas! A revista CartaCapital, que nunca deu tréguas aos crimes do agiota “orelhudo”, também criticou as atitudes do ex-presidente do STF. Na prática, ele ficou conhecido como o advogado de defesa do especulador-mor do país, expressão maior da impunidade dos bandidos de colarinho branco.

“Que Deus nos livre de Mendes”

Ao mesmo em que socorria banqueiros e ricaços, Gilmar Mendes ficou famoso por criminalizar os movimentos sociais. Em várias ocasiões, ele atacou os que lutam por justiça no país. Rotulou o MST de “movimento de bandidos”, exigindo atuação mais implacável da Justiça na punição aos “invasores de terras”. Também criticou o governo Lula por dar subsídios para as entidades da reforma agrária, afirmando que o dinheiro seria desviado para “práticas ilegais”. Diante destes abusos de poder, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) “excomungou” o ex-presidente do STF.

“O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como proprietário de terra no Mato Grosso, ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas, os que valem são os que impulsionam o ‘progresso’, embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terra, da destruição do meio-ambiente e da exploração da mão-de-obra em condições análogas às do trabalho escravo... Que o Deus da Justiça ilumine o nosso país e o livre de juízes como Gilmar Mendes”, afirmou uma dura nota da CPT.

Ícone da direita, o “Berlusconi brasileiro”

O ex-presidente da STF também não poupou o movimento sindical brasileiro, investindo contra suas formas de sustentação financeira. Já entre os jornalistas, Gilmar Mendes foi eleito inimigo jurado. Ele foi o mentor do fim do diploma da categoria e da extinção da Lei de Imprensa, duas exigências antigas dos barões da mídia para precarizar o trabalho e gozar de total libertinagem. Tanto que os jornalistas aproveitaram a sexta-feira para fazer o bota-fora do carrasco, realizando protestos em vários estados com o slogan “Ele já vai tarde”.

Gilmar Mendes virou o ícone da direita, o “Berlusconi brasileiro”, sendo bajulado pela oposição demotucano. Em vários momentos, ele foi o principal porta-voz dos ataques preconceituosos ao governo Lula. Sem provas e num gesto irresponsável, chegou a acusar o Executivo de promover escutas telefônicas e atirou: “Não há mais como descer na escala da degradação institucional... Gravar clandestinamente os telefonemas do presidente do STF é coisa de regime totalitário”. Ele extrapolou nas suas funções e colocou em risco o próprio equilíbrio entre os poderes.

Gilmar Mendes sai da presidência do STF sem deixar saudade. No próprio Supremo, ele foi alvo de ásperas críticas. Num dos momentos mais tensos do Judiciário, o ministro Joaquim Barbosa lavou a alma dos brasileiros ao espinafrar, em público, a sua postura autoritária e elitista. “Vossa excelência está destruindo a Justiça deste país... Saia à rua, saia à rua. Vossa excelência não está na rua, não. Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do judiciário brasileiro... Vossa excelência, quando se dirige a mim não está falando com seus capangas do Mato Grosso”. Barbosa falou por todos nós. Gilmar Mendes (ou Dantas, ou Mentes?) já vai tarde!

Kátia Abreu



Revista Veja - Edição 2162
Entrevista: Kátia Abreu
Diogo Schelp

Contra os preconceitos

A senadora e presidente da entidade que representa os produtores rurais diz que o sucessor de Lula precisa assumir um compromisso com a propriedade privada

Lailson Santos

"A norma usada pelo governo para definir trabalho escravo é uma punição à existência da propriedade privada no campo"

Sobre a mesa da presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), em Brasília, há um grande coelho azul igual ao que a Mônica, personagem do cartunista Mauricio de Sousa, utiliza para bater naqueles que a provocam. O bicho de pelúcia foi um presente que a equipe da CNA deu à presidente da entidade, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), de 48 anos, como brincadeira em referência à sua fama de briguenta. No Senado ou no comando da confederação, ela tem procurado provar que muitas das medidas do governo que atrapalham o desenvolvimento do agronegócio e aumentam a insegurança jurídica no país são orientadas por preconceito ideológico. Agropecuarista desde os 25 anos de idade, quando, grávida do terceiro filho, ficou viúva e teve de assumir a fazenda do marido, a senadora concedeu a seguinte entrevista a VEJA.

Qual é a imagem que os brasileiros têm dos produtores rurais?
A ideia prevalente, e errada, é que o agronegócio exporta tudo o que produz, cabendo aos pequenos produtores abastecer o mercado interno. Pequenos, médios e grandes produtores destinam ao mercado interno 70% de tudo o que colhem ou criam. Também é muito forte e igualmente errada a noção de que fazendeiro vive de destruir a natureza e escravizar trabalhadores. Obviamente, como em qualquer atividade, ocorrem alguns abusos no campo. Mas o jogo duro de nossos adversários isolou os produtores do debate e espalhou essa ideia terrorista sobre a nossa atividade. Esses preconceitos precisam ser desfeitos.

Como?
Mostrando na prática que não somos escravocratas e que não destruímos o meio ambiente. Nós temos um projeto em parceria com a Embrapa dedicado a pesquisar e difundir boas práticas que permitam unir produção rural e proteção do ambiente. Essa história de trabalho escravo também precisa ser abordada com ações que produzam respostas práticas. Nós treinamos 200 instrutores para inspecionar fazendas pelo Brasil e avaliar as condições de vida dos empregados. Já visitamos mais de 1?000 fazendas. O que se vê é uma imensa boa vontade da maioria dos proprietários de cumprir tudo o que a lei manda e seguir direito as normas reguladoras. Ocorre que a norma que rege o trabalho no campo, a NR-31, tem 252 itens. Em qualquer atividade, cumprir 252 critérios é muito difícil. Nas fazendas, isso é uma exorbitância. Até em uma fazenda-modelo um fiscal vai encontrar pelo menos um item dos 252 que não está de acordo com a norma.

Por que nas fazendas isso seria uma exorbitância?
Imagine que um determinado trabalhador seja responsável por tirar leite das vacas da fazenda. Um belo dia, o dono acha que o mais adequado é mudar a função do empregado e ele passa a, digamos, ser encarregado de roçar o pasto. Parece simples, mas não é. A norma legal determina que, para mudar de função, o trabalhador precisa antes de mais nada se submeter a um exame médico, que é apenas o primeiro passo de um complexo processo de transferência de uma vaga para outra. Bem, essa exigência seria burocrática e custosa até mesmo em um escritório de contabilidade na cidade. Nas pequenas e médias fazendas, que são 80% das propriedades rurais brasileiras, ela é um absurdo. Quem não sabe que, nessas fazendas, o mesmo trabalhador costuma exercer diversas funções no decorrer do dia? Ele tira leite de manhã cedo, trata das galinhas às 10 horas, às 4 da tarde cuida dos porcos e depois vai roçar o pasto. Outras regras abusivas e difíceis de ser cumpridas à risca por todos os fazendeiros são as que determinam as dimensões exatas dos beliches, a espessura dos colchões ou a altura das mesas nos refeitórios.

"Quero fazer um desafio aos ministros: administrar uma fazenda de qualquer tamanho em uma nova fronteira agrícola e aplicar as leis trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade"

Um produtor pode ser acusado de manter trabalho escravo apenas por descumprir detalhes como esses?
Sim. A Organização Internacional do Trabalho define o trabalho forçado como aquele feito sob armas, com proibição de ir e vir ou sem salário. Isso, sim, é trabalho escravo, e quem o pratica deve ir para a cadeia. O problema é que, pelas normas em vigor no Brasil, um beliche fora do padrão exigido pode levar o fazendeiro a responder por maus-tratos aos empregados. A NR-31 é uma punição à existência em si da propriedade privada no campo. Não estou fazendo a defesa dos que maltratam funcionários ou dos que lançam mão de trabalho infantil. Essa gente tem de ser punida mesmo. Ponto. Estou chamando atenção para o absurdo. Imagine a seguinte situação: é hora do almoço, o trabalhador desce do trator, pega a marmita e decide comer sob uma árvore. Um fiscal pode enquadrar o fazendeiro por manter trabalho escravo simplesmente porque não providenciou uma tenda para o almoço do tratorista. Isso é bem diferente de chegar a uma fazenda e encontrar o pessoal todo comendo sob o sol inclemente. São duas situações diferentes. Mas elas provocam as mesmas punições. Isso confunde o pessoal do campo, que passa a se sentir sempre um fora da lei. Meu ponto de vista é que deveria prevalecer o bom senso. Nas minhas palestras, eu recomendo aos produtores rurais que avaliem a comida, o banheiro e o alojamento dos empregados por um critério simples: se eles forem bons o bastante para seus próprios filhos e netos, então eles são adequados também para os empregados.

Qual o interesse do governo em punir o produtor rural?
Isso é um componente ideológico da esquerda fundamentalista que conseguiu se manifestar no atual governo. Essa parcela atrasada da esquerda acredita apenas no coletivo e não admite a produção individual, privada. O que está sendo feito neste país me deixa indignada e triste, pois não é fácil de desmanchar: estão jogando os pequenos contra os grandes produtores. Isso está acontecendo no IBGE, cujo Censo Agropecuário está cheio de informações falsas, desonestas, distorcidas por razões puramente ideológicas.

O que há de errado no censo?
A melhor definição de agricultura familiar, utilizada até pelo Banco Central, é baseada em três princípios. Primeiro, o tamanho da terra, que deve ser de, no máximo, quatro módulos rurais. Segundo, que utilize mão de obra predominantemente familiar. Terceiro, que a maior parte do faturamento da família venha dessa propriedade. O que o IBGE fez neste governo? Matou os critérios de mão de obra e de renda da propriedade. Com isso, todos os proprietários com até quatro módulos entraram na categoria agricultura familiar. Qual o objetivo disso? Desmoralizar o agronegócio, a grande empresa e a propriedade privada.

Por que isso desmoraliza o agronegócio?
Para dar a ideia de que os pequenos produtores sustentam a produção nacional, mas recebem menos crédito agrícola que os médios e grandes, que exportam tudo. Esse argumento, baseado em estatísticas distorcidas, não traz ganhos ao país. Concordo que precisamos encontrar as diferenças entre os agricultores, mas elas devem se basear em produção e renda, para amparar toda a cadeia e não provocar um conflito entre pequenos e grandes. Afinal, existe propriedade pequena no Paraná que é muito mais produtiva e rica do que uma grande fazenda no Centro-Oeste. Além disso, as informações equivocadas do IBGE dão prejuízo ao setor, porque não se pode fazer planejamento estratégico de investimento em cima de previsões falsas. Em todos os países desenvolvidos, a pesquisa pública é um santuário. Nem a ditadura militar interferiu nos institutos de pesquisa. O IBGE e o Ipea foram aparelhados pelos ideólogos dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente.

"Temos uma lei que garante o investimento em portos e um decreto que o cerceia. Só encontro duas explicações: o preconceito contra a empresa privada ou a proteção a um cartel existente"

Essa é uma postura do governo Lula em geral ou apenas de uma minoria no poder?
Há pessoas no governo que não são xiitas. O ministro do Desenvolvimento Agrário (Guilherme Cassel) e o ex-titular da Pasta de Meio Ambiente (Carlos Minc), contudo, em vez de encontrar soluções para os problemas, passaram os últimos anos dividindo o país para aumentar a sua torcida. Eles não tinham o direito de fazer isso. Um ministro de estado deve proteger o Brasil, não apenas alguns brasileiros. Quero fazer um desafio aos ministros do Trabalho, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário: que eles administrem uma fazenda de qualquer tamanho em uma região de nova fronteira agrícola e tentem aplicar as legislações trabalhistas, ambientais e agrárias completas na propriedade. Mas não podem fazer milagre, porque nós vamos acompanhar. Se, depois de três anos, eles conseguirem manter o emprego e a renda nessa propriedade, fazemos uma vaquinha, compramos a terra para eles e damos o braço a torcer, reconhecendo que estavam certos.

O que mais atrapalha os negócios no campo?
A insegurança jurídica. Se não há estabilidade nem confiança, as plantas e a produção de carne recusam-se a prosperar. Nas empresas urbanas é a mesma coisa. Não se podem utilizar bandeiras sociais ou ambientais para ferir a segurança jurídica. Não vejo problema em dar terras aos índios, aos quilombolas ou aos sem-terra. Mas tudo isso precisa ser feito em concordância com o direito de propriedade. Neste mês, apresentei uma proposta ao Ministério da Justiça para estabelecer um Plano Nacional de Combate às Invasões. Existem planos do governo para coibir o tráfico de drogas, a venda ilegal de animais silvestres e a pirataria. Por que não combater também o crime organizado no campo?

A senhora é contra a reforma agrária?
Não. Sou contra a invasão. Sou contra tomar a terra com um índice de produtividade imbecil, que não é compatível com a atualidade da gestão do empresariado brasileiro. Hoje, os saudosistas de esquerda destroem pé de laranja e invadem órgãos de pesquisa porque o latifúndio improdutivo não existe mais. Os radicais não se conformam com isso. Há quarenta anos, éramos um dos maiores importadores de comida do mundo. Atualmente, não só somos autossuficientes como nos tornamos o segundo maior exportador de alimentos.

O que o produtor rural quer do próximo presidente?
Precisamos que o próximo presidente entenda que dividir o país entre pequenos e grandes é uma visão simplista e ruinosa. É necessário que ele saiba que existe uma classe média rural que não tem a escala das grandes empresas agrícolas, mas que também não se enquadra na agricultura familiar. Essa classe média rural é vulnerável às oscilações de preços e de clima, mas não tem condições de se proteger sozinha disso. Nesse ponto, o estado pode ajudar. Mas a primeira pergunta que faremos aos candidatos será: o que eles pensam a respeito da propriedade privada?

Que medidas podem servir a todos esses três estratos sociais da agricultura?
A medida universal é investir na infraestrutura. Se a movimentação nos portos continuar crescendo à taxa atual, de 12% ao ano, em oito anos nós precisaremos de um outro Brasil portuário. A ironia é que o Brasil tem uma das leis de portos mais avançadas do mundo. Mas, em 2008, o governo aprovou um decreto que vem impedindo novos investimentos privados na construção de portos. O decreto interessa basicamente a empresários que participaram da privatização dos portos públicos, sendo Daniel Dantas o maior deles, e que não querem a abertura da concorrência. Isso faria cair as tarifas, e os portos ficariam mais eficientes. Para resumir, temos uma lei que garante o investimento e um decreto que o cerceia. Só encontro duas explicações possíveis: o preconceito contra a empresa privada ou a proteção a um cartel existente.

A senhora sonha em ser candidata a vice-presidente na chapa de José Serra?
Preciso deixar que a decisão partidária prevaleça. Ninguém pode querer ser vice de alguém. As pessoas querem ser o personagem principal, aquele que terá a caneta na mão para implementar as suas decisões, ideais e planos. O vice é apenas um coadjuvante. Mas fico orgulhosa quando meu nome é citado por eu ser de um estado novo, o Tocantins, por ser mulher e por representar o setor agropecuário, que nunca teve muito espaço nas chapas majoritárias e na política nacional.


EMAIL: cna@knowtec.com

Candomblé Vegetariano


Iya Senzaruban
Candomblé Vegetariano
27 de maio de 2009
O universo do candomblé está presente na vida de Iya Senzaruban desde muito cedo. Nascida numa família de cultura tradicional do candomblé, ela é filha de um ekede e de um ogã. Foi iniciada nesta senda espiritual aos 7 anos e aos 14 anos tornou-se mãe-de-santo. Desde o início dos anos 90 estuda técnicas da medicina alternativa como a aromaterapia, acupuntura, fitoterapia, auriculoterapia, cromoterapia e cristais. No Sri Lanka entrou no culto a Krishna e Shiva e acabou descobrindo uma forma para substituir, em sua alimentação e nos rituais, os animais e ingredientes de origem animal. Vegetariana há 25 anos, atuante na área de saúde, ela é também responsável pelo Grupo Ile Iya Tundé, entidade filantrópica que atua há 22 anos em Itanhaém, no estado de São Paulo e que ministra cursos e atividades para a comunidade. Sua experiência na renovação do candomblé está sendo relatada no livro que escreve e pretende publicar sob o título de Candomblé Vegetariano. Nesta entrevista à jornalista Cynthia Schneider, da ANDA, Yia Senzaruban fala sobre sua experiência lactovegetariana, sua dedicação ao candomblé, sua caminhada espiritual e a sintonia entre natureza e espiritualidade.

ANDA – Como foi sua experiência de ter se tornado mãe-de-santo tão jovem e depois ter optado pelo vegetarianismo?

Iya Senzaruban – Eu já nasci dentro do santo. Fui iniciada aos 7 anos e aos 14 já era mãe-de-santo. Depois disso andei em vários lugares, mas no Sri Lanka foi uma experiência relevante por causa do vegetarianismo e também porque eu me iniciei como devota de Krishna. E isto tudo criou uma incompatibilidade, pois os devotos de Krishna e Shiva não comem carne de jeito nenhum. Eles comem alguns produtos lácteos e derivados como o queijo, porque a vaca é considerada sagrada. Mas não comem ovo, nenhum outro produto animal sem ser derivado do leite. Desde pequena eu não gostava de comer carne, então optar pelo vegetarianismo foi fácil. Difícil foi conciliar as coisas. Eu levei muitos anos para poder encaixar as duas coisas, que eu considerava muito bonitas. Além disso eu já tinha muita gente que contava comigo pela minha situação religiosa. Não poderia abandonar tudo no meio do caminho.

ANDA – Como foi esta transição para um candomblé vegetariano?

Iya Senzaruban – Eu estou escrevendo um livro a respeito do candomblé vegetariano e também dou cursos e palestras sobre isto. Assim como eu, tem muita gente que é do santo, que é do candomblé e que não gosta da matança e se sente meio acuada. Tem gente que adora, gosta, ama os orixás, admira o ritual que é muito bonito, muito completo, mas na hora de participar de uma matança, “o bicho pega”. A proposta do vegetarianismo no candomblé é fazer de uma outra forma, sem prejudicar o tipo de energia que a gente trabalha, sem mudar muito. As mudanças são muito poucas. Não são eliminados os elementos da natureza, que é o que o candomblé trabalha, as forças da natureza. No livro que estou escrevendo apresento as mudanças que vão desde a comida de santo, que não usa nem camarão ou ovo, nada de origem animal. Mas demorou muito tempo para chegar nisso. Passei a vida inteira dentro de um certo contexto. Hoje já é mais fácil. Mas ainda tem adaptações a fazer, tem hora que eu tenho que buscar outras soluções. Também não dá para buscar a mesma energia, porque a energia de sangue é muito pesada. Ela traz muita proteção mas ao mesmo tempo traz muita sujeira espiritual. Hoje em dia eu procuro ter uma limpeza espiritual e conseguir a mesma coisa sem ter que fazer uma matança: livrar as pessoas de problemas, principalmente na área de saúde, de doenças graves. Como eu também sou terapeuta, vejo muito por este lado, de saúde física, moral, espiritual e psicológica. Meu trabalho como mãe-de-santo é bem voltado para a saúde.

ANDA – Você também trabalha com outras técnicas de terapias como a cromoterapia e acupuntura. Como isto ajuda no seu trabalho?

Iya Senzaruban – Hoje em dia os pais-de-santo estão muito mais cultos. É uma nova época dentro do candomblé. As pessoas estão buscando mais conhecimento, trabalham em outras coisas, não dependem mais financeiramente do candomblé como eram os antigos pais-de-santo, que só viviam para isso. Então ficava muito restrito. Toda religião precisa evoluir, senão fica estagnada e morre.

ANDA – Dentro do contexto religioso é mais difícil a aceitação da mudança?

Iya Senzaruban – A respeito da matança, eu acho que os meus filhos-de-santo que já têm casa vão aproveitar muito mais esta situação renovada e talvez daqui a 10 anos a gente tenha alguma resposta. Isso porque há uma restrição muito séria a respeito disso. Mas aos poucos eu acredito que a gente vai atingindo as pessoas. Afinal, alguém tem que começar, né?

ANDA – Dá para perceber o quanto você está sendo pioneira.

Iya Senzaruban – Isso é porque eu sou filha de Iansã, e Iansã arrebenta tudo. Ela é a minha guerreira, ela derruba mesmo os tabus, os preconceitos. Mas fora a situação de matança, os pais-de-santo têm menos tradicionalismo hoje. Eles são abertos a outras coisas, à busca das raízes, das ervas, de estudos sobre determinados orixás que a maioria não conhecia ainda, mas com uma mente diferente, porque já têm mais cultura. A maioria hoje tem terceiro grau completo e isso faz alguma diferença.

ANDA – Como você relaciona o vegetarianismo e a espiritualidade sob este enfoque profissional na área de saúde?

Iya Senzaruban – Matar os animais é algo que espiritualmente não faz bem, pois você está tirando a vida e depois comendo cadáveres. Não é nada sadio espiritualmente falando. Além disso, principalmente o frango e os animais que se compram em supermercados estão cheios de hormônios. Um frango hoje em dia, de um pintinho para um frango demora três dias. Isso é um absurdo. Imagine o que isto não causa dentro do organismo da pessoa. E ainda afeta a psique, porque são drogas injetadas por tabela. Não adianta você não fumar, não beber, não tomar psicotrópicos e acabar consumindo por tabela quando consome a carne. O efeito é o mesmo. Isso faz também com que cada vez mais as pessoas tenham câncer e outras doenças. O vegetarianismo, ao contrário, é muito bom. É certo que muitas verduras são contaminadas, mas mesmo assim já não faz tanto mal, pois não atinge a aura da pessoa. E com isso ainda tem tantas opções, como os grãos. Eu mesma como muito poucas verduras. O que como mais são legumes, tubérculos, grãos e doces. Inclusive, quando eu dou aulas sobre a comida vegetariana, apresento excelentes opções simples e tão mais baratas! Com um quilo de carne dá para fazer um almoço para quatro pessoas. Com o mesmo dinheiro de um quilo de carne, na cozinha vegetariana, dá para fazer o almoço, o jantar e outro almoço no dia seguinte para quatro pessoas. O vegetarianismo é um estilo de vida para o bolso, para a saúde mental, espiritual e psicológica, pois tudo está ligado. Se você come um alimento saudável, vai ser uma pessoa saudável mentalmente também. Te dá ânimo para fazer exercícios, você se torna uma pessoa mais doce. Geralmente quem é vegetariano não bebe, não fuma, é uma consequência sine qua non. Vai limpando o seu corpo. E ainda tem mais: a pele fica bonita, o cabelo também, não tem barriga, não tem celulite…

ANDA – Há quanto tempo você adotou o vegetarianismo no seu trabalho? E como as pessoas percebem o seu engajamento por esta opção?

Iya Senzaruban – Eu já sou vegetariana há 25 anos e levo o candomblé vegetariano há quase 17 anos. As pessoas, principalmente as mais jovens, se interessam mais. Eu vejo também que quem mais se interessa pelo vegetarianismo é o tipo de pessoa mais intelectual, geralmente artistas, profissionais que se destacam em várias áreas. Eu percebo bem que eles têm uma consciência muito maior. Fora isto há outros grupos que já levam isto como uma realidade. Há alguns colegas meus, na medicina, que também têm trabalhos nesta área. Mas é muito diferente falar para uma pessoa que ganha um salário por mês – e que não são poucas, infelizmente é a realidade majoritária no nosso país – aí é muito difícil de atingir. Eu tenho esta sorte de conseguir atingir muita gente neste nível, por exemplo, ensinando a fazer a farofa multimistura para a alimentação ficar mais completa. Ensino a fritar a casca de batata, usar a casca de banana, trabalho já há muito tempo com isso. Porque muita gente acha que só a carne alimenta, eles têm esta educação falha. Eu consigo atingir também este público, mas é muito difícil encontrar quem se proponha a trabalhar assim. Eu percebo que o vegetarianismo é uma coisa mais elitizada, sim: financeira e culturalmente. O vegetariano é a pessoa que teve uma cultura mais elevada e que tem dinheiro. Mas com o meu trabalho como mãe-de-santo eu consigo atingir outras classes mais sofridas, de gente que vive com um salário, paga o aluguel e ainda tem três ou quatro filhos. Esta é uma área de atuação maior. Também tenho uma entidade filantrópica, o Grupo Ilê Iya Tundê, que fica em Itanhaém e já tem 22 anos, que me permite ir ensinando. Lá também ensinamos terapias, danças, capoeira e culturas de origem afro, além de cursos profissionais. Tem muitos outros grupos de várias crenças que inclusive utilizam este espaço para fazer entrega de mantimentos e outras atividades para a comunidade.

ANDA – O que pretende o candomblé vegetariano?

Iya Senzaruban – Eu sou uma mãe-de-santo e não estou aqui para questionar a situação de ninguém. Nasci numa situação tradicionalíssima e não posso negar de onde eu vim. Para algumas pessoas isso é o que serve. Para mim não serve mais. A minha função, assim como para quem se sente nesta situação, é encontrar uma nova forma de louvar os orixás sem ofender os outros seres vivos. Eu acho que é uma demonstração de boa vontade para com Deus.



Fonte: ANDA

Mensagem


Mensagem

Ana Amélia Lemos


A pré-convenção garantiu a unidade do Partido Progressista em torno de Ana Amélia Lemos, candidata ao senado e na priorização das eleições proporcionais (Assembleia e Câmara Federal). Os PROGRESSISTAS, porém, adiaram o anúncio da Aliança para o Governo do Estado, nas eleições de outubro. Ao final ficou assegurado que todos estarão no palanque do Serra e com quem subir junto.



ANA AMÉLIA LEMOS é pré-candidata ao Senado. Não lhe faltam condições, biografia e ficha limpa na sua primeira manifestação pública. A história de vida é muito parecida com a de muita gente. Lutadora, guerreira e inteligente, aceitou todos os desafios.



Emocionou quando buscou nas lembranças o primeiro desafio de sua vida. Lembrou Clemente Argolo, aos nove anos de idade, descalça, ajudando no Armazém e Dona Rita - uma mulher muito rica – que a levou para estudar na capital. Estudou em POA, voltou para Lagoa Vermelha, completou o 2º Grau (Rainha Da Paz) e iniciou como professora.



Com o vestibular em POA, abriram-se as portas do jornalismo. Falou dos 40 anos de jornalismo bem sucedido (vida pública) e a opção que abraçou (vida partidária).



Entusiasmada, começou bem, sobraram elogios e promessas de grande campanha. Dia 15 de maio será homenageada em Lagoa Vermelha, pela comunidade de sua terra e de 40 municípios da região.





JEFERSON BOTEGA ZH





As últimas do www.twitter.com/franciscoappio



LAGOENSES têm opções (Assembleia): Jussara, Sgarbozza, Dolzan, Marques, Santini, Cecchin, Volpato e Appio.



MÁRCIO TURRA é o mais cotado para suplente de Ana Amélia Lemos, na chapa Progressista, para o Senado.



FRANCISCO TURRA fica na liderança da exportação de frangos, com a fusão das duas entidades de produtores.



ANDRÉ DA ROCHA (prefeito Braz Hoffmann) vai interpelar o DNIT. Afinal a 470 Sul (Barretos/Nova Prata) é estadual ou federal? Hideraldo sabe.



SÃO JORGE E GUABIJU aguardam notícias da SBS, dona do contrato licitado para o trecho de S.Jorge/Guabiju/Nova Araçá ( 24 km ).



DAER dará a Ordem de Serviço para a RS126 Ibiraiaras/São Jorge dia 7 de maio. Tedesco asfaltará 10 km e restaurará 8 com pavimento precário.



J.MALUCCELLI vai decidir até o dia 30/04 sobre contrato Capão Bonito/Lagoa. Estado tem recursos mas depende da empresa. Ou passa o contrato adiante e "desocupa a moita".



LAJEADO DOS IVOS é arroio que abastece o Forquilha. A RS461 (Capão Bonito/Lagoa) cruza suas águas ( 6 km de L. Vermelha) na Usina e Recicladora de Papel (Ceni). Faz conexão com a BR470 no Pinheiro Lascado.







Deputado Estadual Francisco Appio - www.appio.com.br

Revolução dos Cravos


REVOLUÇÃO E CONTRA-REVOLUÇÃO EM PORTUGAL (1974-1976)
(veja, ainda,ao final, o vídeo real dos acontecimentos)

Por Augusto C. Buonicore *

A revolução dos cravos e o Brasil


No Brasil, as notícias dos acontecimentos ocorridos em Portugal desde o 25 de abril de 1974 encheram de alegria e de esperança os corações dos militantes que combatiam uma ditadura sanguinária que acabava de completar os seus dez primeiros anos.

A experiência da opressão nestes dois paises havia se articulado, de algum modo, no texto de uma peça escrita por Chico Buarque e Ruy Guerra intitulada Calabar: o elogio da traição. A peça foi escrita justamente entre os anos de 1972 e 1973 , no auge da ditadura militar brasileira e as vésperas do abril florido da revolução portuguesa.

A polícia federal, inadvertidamente, ou propositalmente, liberou-a para maiores de 18 anos. No entanto, quando já estava montada e pronta para estrear, em janeiro de 1974, um general proibiu sua encenação e mais: proibiu que a própria proibição fosse divulgada na imprensa. Uma das músicas censuradas era justamente Fado tropical na qual Mathias de Albuquerque, comandante das tropas luso-brasileiras na luta contra os holandeses, cantarolava o seu triste refrão: “Ai, está terra ainda vai cumprir seu ideal/ Ainda vai tornar-se um imenso Portugal. /Ai, está terra ainda vai cumprir seu ideal/ Ainda vai tornar-se um império colonial”.

O tema – império colonial – era, naquele momento, bastante incômodo para as autoridades militares brasileiras que mantinham relações cordiais – quase carnais - com o governo fascista português dirigido inicialmente por Salazar e depois por Marcelo Caetano. Ainda em 1965 o governo do general Castello Branco se calou diante do brutal assassinato do general português Humberto Delgado e de sua companheira brasileira, Arajaryr Moreira Campos. O crime foi cometido por agentes da PIDE (polícia política portuguesa) numa pequena aldeia espanhola, próximo da fronteira de Portugal. Em 1958 o prestigiado general havia sido o candidato presidencial pela oposição e, após a derrota, fundou a Frente Patriótica de Libertação Nacional. Por isto, foi obrigado a viver exilado algum tempo no Brasil.

Naqueles anos de ditadura, a polícia política portuguesa agia livremente em nosso país e a Forças Armadas portuguesas chegaram a oferecer estágios em estratégia antiinsurrecional para oficiais brasileiros. A nossa indústria bélica, por sua vez, realizou várias remessas ilegais para as tropas coloniais portuguesas. Existia uma forte simpatia da “linha dura” do regime brasileiro com os propósitos do colonialismo português e, especialmente, com seu anticomunismo visceral.

Esta situação só começaria mudar no final de 1973, graças ao completo isolamento da política portuguesa na África e a ameaça de retaliação árabe - em plena crise do petróleo. Assim, finalmente, o Brasil decidiu-se por votar favoravelmente as moções condenando Portugal. No entanto, a decisão seria tardia e este voto não teria mais oportunidade de se expressar nos fóruns internacionais. O colonialismo português iria se desintegrar pouco tempo depois. A música de Chico Buarque e Ruy Guerra não deixava de ser uma lembrança incômoda.

O Fado tropical era, também, uma crítica a certa ideologia que edulcorava a colonização portuguesa no Brasil e na África, e que tinha no sociólogo conservador Pernambucano Gilberto Freire o seu maior divulgador: era o luso-tropicalismo. Não casualmente Freire manteve boas relações com o salazarismo e com a ditadura militar brasileira.

E o luso-tropical Mathias de Albuquerque, o mesmo que aprisionou, enforcou e esquartejou Calabar, continuava o seu lamento tristemente justificador: “Sabe, no fundo eu sou um sentimental/Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose/ de lirismo ... além da sífilis. É claro/ Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em/ torturar, esganar, trucidar/ Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora”.

Não era possível deixar de ver neste discurso a ideologia dominante no aparelho de estado brasileiro e português, pelo qual os atos mais bárbaros dos carrascos se articulavam com um remorso sentimental. Afinal, a tortura era um ato indesejado, mas necessário para garantir a ordem contra a anarquia plebéia. Sob a fachada sinistra do torturador existiria um coração cristão e amoroso, que padeceria por suas vítimas.



Ouça Fado Tropical – Chico Buarque de Holanda – trecho do filme Fados de Carlos Saura

http://www.youtube.com/watch?v=HiN5AqGaSM8



Logo após a “Revolução dos cravos”, Chico Buarque lhe dedicaria uma canção. Agora se tratava de cantar um outro Portugal. Um país que não era mais um império colonial e sim, justamente, o seu oposto: um país solidário, que alimentava o sonho de liberdade de outros povos martirizados por ditaduras e oprimidos por outros impérios. Por isto, novamente, a censura proibiria a letra de Chico Buarque. A primeira versão de Tanto mar permaneceu, por vários anos, desconhecida do público brasileiro. A gravação seria editada apenas em Portugal. Ela ficaria como um testemunho da solidariedade do povo brasileiro com o processo revolucionário português.

O poema de Chico dizia: “Sei que está em festa, pá/ Fico contente/ E enquanto estou ausente/ Guarda um cravo para mim// Eu queria estar na festa, pá/ Com a tua gente/ E colher pessoalmente/ Uma flor do teu jardim// Seu que há léguas a nos separar/ Tanto mar, tanto mar/ Sei também quanto é preciso, pá/ Navegar, navegar./ /Lá faz primavera, pá/ Cá estou doente/ Manda urgentemente/ Algum cheirinho de Alecrim”.



Tanto Mar – versão original, cantada por Chico Buarque na TV portuguesa (1975)

http://www.youtube.com/watch?v=hdvheuHhF2U&feature=related



Quando, finalmente, a letra foi liberada ela já havia perdido a sua razão de ser. Então, o poeta a refez para que correspondesse melhor ao novo tempo que vivia Portugal. Em 1978 a revolução dos cravos já tinha refluído - e murchado sua festa, pá - e havia , portanto, de se cantar, agora, a esperança no desabrochar de uma nova primavera, que nasceria de uma semente esquecida n’algum canto de jardim.

O general Ernesto Geisel assumiu a presidência do Brasil em 15 de março de 1974. No mesmo dia eclodiu o levante do regimento de Caldas da Rainha. Em Portugal já se anunciava um novo tempo. Aqui o regime também prometia uma primavera democrática que se traduziria numa abertura “lenta, gradual e segura”. No entanto, foi sob este manto roto que se arquitetou um dos mais nefandos crimes da ditadura militar brasileira contra as forças oposicionistas. Um dia após a posse do general foram presos na fronteira do Uruguai o dirigente comunista David Capistrano e seu camarada José Roman. Começava aí a operação de cerco e aniquilamento dos remanescentes da esquerda marxista brasileira – no caso do comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Cerca de uma dezena de dirigentes deste Partido foi friamente assassinada.

O PCB não só não havia participado da luta armada contra o regime como a havia condenado injusta e duramente. Por isto mesmo havia sido poupado do extermínio físico. Esmagadas as organizações da esquerda armada, ele passou a ser o novo alvo privilegiado da ditadura. O extermínio da esquerda socialista e marxista era a condição para a liberalização do regime. Haveria de se construir a nova casa sobre uma terra arrasada.

O último ato da tragédia “abridista” foi a Chacina da Lapa em dezembro de 1976, na qual caiu parte Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB ) e tombaram assassinados Pedro Pomar , Ângelo Arroyo e João Batista Drummond. Estava-se tentando garantir que, no Brasil, não teríamos um 25 de abril. Aqui não seria um grande Portugal.



O 25 de Abril florido ... e armado


Poucos minutos após a meia-noite do dia 25 de abril, o locutor da rádio Renascença leu a primeira estrofe e colocou no ar a canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso. Uma bela letra que dizia: “Grândola, vila morena/ Terra da fraternidade, / O povo é quem mais ordena/ Dentro de ti, ó cidade”.



Clipe da bela canção Grândola, Vila Morena:

http://www.youtube.com/watch?v=RhDXm9fu1P0&feature=related



Esta era a senha para o início das operações militares que poriam abaixo o governo de Marcelo Caetano e , com ele, 48 anos de ditadura salazarista. Carros blindados marcharam sobre Lisboa e as principais rádios foram tomadas. Os jovens capitães do Movimento das Forças Armadas (MFA) passaram a anunciar os objetivos da rebelião: por fim ao regime fascista. Os poucos quartéis ainda leais ao antigo regime renderam-se e seus soldados confraternizaram-se e aderiram ao movimento revolucionário.

As ruas, pouco a pouco, foram tomadas por uma multidão alegre, composta principalmente de trabalhadores. Cravos vermelhos eram distribuídos para os soldados e passavam a enfeitar os canos de seus fuzis. A revolução já tinha o seu símbolo.

O regime caiu como um castelo de cartas. Nenhuma resistência partiu dos temidos agentes da repressão, que fugiam assustados ou eram presos atônitos. Diz a lenda que um único oficial tomou o aeroporto de Lisboa – pois sua tropa havia se atrasado devido ao trânsito.

O povo tomou o Largo do Carmo e cercou o quartel onde se refugiava o odiado Marcelo Caetano , ainda protegido pelo que lhe restava da Guarda Republicana. O ditador aceitou renunciar, mas impôs uma condição: “Gostaria de entregar o poder a algum general para que ele não caísse nas mãos da plebe”. Até no seu último ato fazia questão de demonstrar o desprezo que tinha pelo bom povo português. Uma solicitação inaceitável e que acabou sendo acatada pelo oficias rebelados. O general Spínola foi retirado da sua casa e depois de uma longa e amistosa conversa, recebeu a rendição de seu ex-chefe. Talvez, neste momento, já tivesse acertado o seu exílio no Brasil, sem julgamento e contra a vontade do povo.



Assistam a tomada do quartel do Carmo onde se refugiava Marcelo Caetano:

http://www.youtube.com/watch?v=ti8AsJZdbDU&feature=PlayList&p=13742401ED9380D5&playnext_from=PL&playnext=1&index=4



Este foi o primeiro deslize da revolução vitoriosa e revelava certa insegurança de sua vanguarda militar. Outros erros seriam cometidos na mesma direção. Diante da vacilação do comando do Movimento das Forças Armadas (MFA) e da Junta de Salvação Nacional (JSN), que se formava, os trabalhadores saíram às ruas e foram conquistando o direito de reunião, de manifestação, de imprensa, de greve e mesmo partidário. O povo cercou as prisões, exigiu a libertação de todos os presos políticos e foi, prontamente, atendido. Afinal, como dizia a canção, “é o povo quem mais ordena dentro de ti, ó cidade”.



Um raio em céu sereno?



O processo de liquidação do regime fascista não foi um raio em céu sereno, como pensam alguns. O 25 de abril foi conseqüência de um longo e tortuoso processo de luta e de amadurecimento político das massas populares na metrópole portuguesa e nas colônias africanas. Em 1970, vencendo a repressão, os trabalhadores organizaram a Intersindical. Várias greves importantes eclodiram entre o final de 1973 e o início de 1974. Calculou-se a participação de mais de 100 mil pessoas nesses movimentos. Paralisaram também os estudantes da Universidade de Lisboa. O movimento sindical e popular já anunciava um grande primeiro de maio vermelho para 1974.

A queda do regime foi impulsionada pela crise terminal do colonialismo e o início das guerras de libertação nacional na África na década de 1960 (Angola – 1961; Guiné-Bissau – 1963 e Moçambique – 1964). Lutas dirigidas pelo MPLA de Agostinho Netto, Frelimo de Samora Machel e PAIGC de Amílcar Cabral – assassinado pela PIDE em 1973. Mais de oito mil portugueses morreram nessas guerras. Estimou-se que ocorreram mais de 100 mil deserções durante todo o período dos conflitos. Nos últimos anos do regime multiplicavam-se as insubordinações das tropas.

Portugal necessitava manter um efetivo de 120 mil homens e utilizar 40% de suas receitas para manter seu esforço bélico além mar. Por esses motivos, cresceram geometricamente o descontentamento e os movimentos de resistência no interior do país, inclusive no meio da própria oficialidade. Era visível que a guerra era uma sangria injustificada aos recursos do pobre Portugal.

O 25 de abril, portanto, foi preparado por anos de acirrada luta popular pela democracia e pelo movimento nacional libertador das colônias africanas. A crise se agravou ainda mais quando o governo, visando aumentar rapidamente o número de oficiais, criou facilidades de promoção para os conscritos – decretos de julho e agosto de 1973. A resposta foi uma série de reuniões de capitães descontentes e a elaboração de manifestos e de abaixo-assinados. Em nove de setembro de 1973 foi formado o “Movimento dos Capitães”. Nele se destacariam os oficiais Vasco Gonçalves e Otelo de Saraiva. Em dezembro seria formada uma coordenação daquilo que passou a ser denominado Movimentos das Forças Armadas (MFA).

Aparentemente, o movimento da baixa oficialidade nasceu com o objetivo modesto – e nada revolucionário - de resgatar o prestígio das Forças Armadas, abalado pelas guerras coloniais e pelo salazarismo. Mas, era mais do que isto. Muitos de seus participantes tinham contatos com idéias avançadas, inclusive socialistas. Vasco Gonçalves era um deles. Por isto, foram acusados, pelas correntes direitistas, de serem instrumentos dóceis nas mãos do Partido Comunista Português (PCP).

O desconhecimento internacional sobre a real situação de Portugal estava ligado ao silêncio criminoso que grande parte da imprensa ocidental – pró-capitalista - submeteu o país durante décadas. Algo amplamente favorável ao regime ditatorial de Salazar e de Marcelo Caetano, fiéis aliados do “mundo livre” contra a “barbárie comunista”, representada pela URSS. Portugal, afinal, fazia parte da OTAN.

Este silêncio contrastaria com o alarde feito depois de 25 de abril. Muita tinta foi gasta para expor o possível processo de comunização de Portugal. Nunca se falou tanto sobre os perigos que rondavam a jovem democracia portuguesa. O alarmismo liberal se dava, justamente, quando o país vivia um processo de ampliação da democracia – vivia-se um clima de liberdade jamais conhecido pelos portugueses e, ouso dizer, nem pelos demais povos dos países capitalistas europeus.



Spínola e o governo provisório


No dia 26 de abril apareceu triunfante a Junta de Salvação Nacional (JSN), presidida pelo general Antônio Spínola. Nas sombras permaneceram os principais comandantes do levante de 25 de abril: os capitães do MFA. As conseqüências de mais esse erro logo se fariam sentir. Para o povo de Portugal parecia que Spínola havia sido o principal comandante da libertação e ele procurou se utilizar amplamente desta ilusão para se fortalecer, isolar o MFA e preparar um golpe de Estado.

Quem era o general Spínola? Ele havia sido vice-chefe do estado-maior e comandara o exército português na guerra colonial africana. Num passado não muito distante combateu ao lado dos franquistas na Guerra Civil espanhola e participou do cerco nazista a heróica cidade soviética de Leningrado. Credenciais nada recomendáveis para quem comandaria um governo que se propunha ser democrático e popular. Contudo, nos momentos finais do regime, providencialmente, publicou Portugal e o futuro no qual fez críticas a condução da guerra colonial e defendeu uma saída política para o conflito. Advogou uma independência gradual, controlada e, até mesmo, uma integração das colônias numa grande confederação lusitana.

O livro vendeu 50 mil exemplares apenas num dia, esgotando toda a primeira edição. Marcelo Caetano se sentiu traído pelo seu antigo colaborador e, em 15 de março de 1974, o destitui das funções de comando. No dia seguinte, eclodiu o levante do regimento de Caldas da Rainha, comandado por oficiais ligados a Spínola. A revolta foi derrotada e 33 oficiais foram presos e processados. Este fato criou as condições políticas para o estabelecimento de uma aliança entre os jovens capitães revolucionários e o velho general recém ingresso na oposição.

Mais tarde, muitos defenderiam que o livro e a rebelião precipitada foram tentativas de se antecipar aos fatos e de se criar as condições para que o velho general pudesse assumir a direção de qualquer movimento oposicionista que surgisse no interior das Forças Armadas. Por trás deste plano maquiavélico estariam a grande burguesia e o imperialismo. Nesse sentido podemos dizer que eles conseguiriam uma vitória parcial com sua indicação para presidência da Junta de Salvação Nacional.

Segundo os “capitães de abril”, a inclusão dos generais Spínola e Costa Gomes daria mais confiabilidade ao Movimento das Forças Armadas diante do conjunto da oficialidade. Seria a garantia da manutenção da disciplina e da hierarquia no interior da instituição militar. Era preciso debelar o fantasma da anarquia do qual se utilizava os setores mais reacionários da sociedade.

Nos dias que se seguiram ao levante chegaram os dois principais líderes da oposição: o socialista Mário Soares e o comunista Álvaro Cunhal. Este último era um verdadeiro mito da esquerda portuguesa. Aprisionado em 1949, realizou uma fuga espetacular da inexpugnável fortaleza de Peniche em 1960. Conta a lenda que teria sido resgatado por um submarino soviético no litoral português. Foi ele que, em nome do PCP , apresentou o que seria um programa mínimo para a revolução em curso: legalização de todos os partidos democráticos antifascistas, fim da guerra colonial, a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte entre outros.

O seu partido era considerado a esquerda do movimento comunista vinculado a URSS. Após aderir por um breve período as teses reformistas do XX Congresso do PCUS, realizado em 1956, passou – particularmente após o seu VI Congresso em 1965 – advogar uma saída revolucionária para situação portuguesa. Chegou a criar em 1970 um braço armado: a Ação Revolucionária Armada (ARA), que realizou inúmeras ações de sabotagens contra o esforço bélico português na África. Suas ações apenas foram suspensas em maio de 1973.

O PCP havia definido a revolução portuguesa como democrática e nacional, cujos objetivos essenciais eram: a derrubada da ditadura fascista, a liquidação dos monopólios e dos latifundiários, a liquidação da guerra colonial, o fim da dominação imperialista estadunidense e a melhoria das condições de vida do povo. Ou seja, era preciso não somente eliminar o governo fascista, mas também as bases econômicas e sociais deste regime. Após o 25 de abril de o PCP cresceu rapidamente. De 14.593 membros passou, em março de 1975, para cem mil filiados.

O Partido Socialista Português (PSP) foi criado em 1973 na Alemanha Ocidental e logo se compôs com a ala direita da Internacional Socialista. Ele teria como base teórica e política o programa do Partido Social Democrata Alemão aprovado em Bad Godesberg (1959), o mesmo eliminou toda referência ao marxismo.

O PCP e o PSP passaram a compor o primeiro governo provisório. Álvaro Cunhal, foi indicado ministro sem pasta e seu camarada Avelino Pacheco Gonçalves, líder bancário, escolhido ministro do trabalho. Mário Soares , por sua vez, assumiu o ministério das relações exteriores. O Partido Popular Democrático (PPD), de centro-direita, também participou do governo e se ligou a Spínola.

Naqueles dias, todos se diziam socialistas. Até os mais conservadores eram obrigados a se cobrir com um leve verniz de esquerda. O PPD incluiu o socialismo no seu programa e chegou a solicitar seu ingresso na Internacional Socialista, mas não seria aceito. Posteriormente, mudaria seu nome para Partido Social Democrata. Eram lobos procurando se cobrir com as peles de cordeiros.

Não foi à toa que a Junta de Salvação Nacional, rapidamente, se viu dividida entre os setores conservadores, encabeçados por Spínola, com apoio do PPD, e os membros mais ativos do MFA, com apoio dos comunistas. O PSP adotou de inicio uma posição centrista. As polêmicas se davam em torno do ritmo e do próprio sentido da revolução. O problema da descolonização acarretou duras discussões e foi responsável pela primeira grande cisão no interior do governo provisório. Spínola resistia ao processo de descolonização e insistia numa saída confederativa. A esquerda defendia a independência imediata das colônias e a entrega do poder às forças revolucionárias africanas.

O primeiro-ministro Adelino da Palma Carlos, homem da confiança de Spínola, procurou a todo custo travar o desenvolvimento do processo revolucionário. Contraditoriamente, o poder nascido de uma revolução estava nas mãos de dois conservadores: Spínola e Palma Carlos.

Este último estaria no centro da primeira grande crise que levaria a queda do primeiro governo provisório e a ascensão dos capitães do MFA ao centro do poder político. A crise começou quando Palma Carlos exigiu a antecipação da eleição presidencial para setembro de 1974 – um ato que o objetivo de homologar o velho general no poder e afastar a esquerda Afinal, Spínola era a figura mais conhecida e mais prestigiada em Portugal naquele momento, até pela condição que o colocaram os capitães.

Segundo o programa do MFA, aceito por todos, primeiro deveria se realizar as eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, em março de 1975, e somente depois para a presidência da República. A proposta de antecipara a eleição presidencial era uma nítida tentativa de dar um golpe branco contra os capitães e a própria revolução portuguesa.

O MFA entendendo o perigo que corria, e com o apoio do PCP, exigiu a destituição do primeiro-ministro e indicou para seu lugar um homem de sua inteira confiança: Vasco Gonçalves, principal dirigente do MFA e membro de sua ala esquerda. O segundo governo provisório contaria com uma maior participação da esquerda militar e do PCP.

Sobre estes primeiros dias cabe, novamente, destacar a participação do povo. Foi este que impulsionou os capitães para o cumprimento integral do seu programa e mesmo sua radicalização. Ele não se submeteu ao ritmo e a direção impostos pelo general Spínola. Enquanto o velho general falava em corrigir os excessos do PIDE – chegando mesmo a indicar um novo diretor para ela - buscando dificultar a libertação dos presos políticos, a massa popular invadiu as sedes da polícia e os quartéis, libertou os prisioneiros e caçou pelas ruas os detestados agentes da repressão. Não havia porque corrigir os excessos de algo que já não mais existia pela ação insurgente do povo português.

Spínola, entre outras coisas, tentou impedir que o Partido Comunista aparecesse com fisionomia própria. Solicitou que não se publicasse o Avante! como órgão oficial do PCP, nem se ostentassem bandeiras com a foice e o martelo nas manifestações. Que os comunistas não aparecessem publicamente enquanto não fossem oficialmente legalizados. No entanto, as bandeiras comunistas já haviam tomado às ruas. A massa não precisou de autorização oficial para legalizar, na prática, os seus partidos.



O crescimento da luta de classes e a reação patronal



No dia primeiro de maio de 1974 realizou-se a maior manifestação de massas que Portugal havia visto. Reuniram-se cerca de 500 mil pessoas. Os dirigentes dos dois principais partidos de esquerda ocuparam a tribuna de honra. Lado a lado estavam Álvaro Cunhal e Mário Soares. Este foi o último ato unitário da esquerda portuguesa daqueles anos.

A quebra das algemas do salazarismo e a criação de um ambiente de maior liberdade fizeram com que as demandas sociais viessem à luz e com elas o acirramento do movimento popular e operário. Eclodiram centenas de greves. A principal delas foi a dos estaleiros Lisnave, que envolveu mais de 8 mil trabalhadores e durou 14 dias. Os comunistas, agora no governo, adotaram uma política de conter as greves denominadas de “selvagens”. Segundo eles, “as greves injustificadas punham a revolução em perigo”.

Mas, logo o governo buscou atender as demandas dos trabalhadores e aprovou uma série de medidas importantes. Estabeleceu-se um salário mínimo nacional de 3.300 escudos - o que representava para 60% dos trabalhadores um reajuste de 24% nos salários. Dobrou-se o valor das pensões de velhice. Congelou os preços dos aluguéis e de alguns produtos de primeira necessidade. Reduziu-se a jornada de trabalho, estendeu as férias para 30 dias e criou-se o adicional para elas, foi estabelecida a licença maternidade de 90 dias. Os grandes beneficiados desta política social foram as mulheres e os trabalhadores menos qualificados.

A democracia avançou também dentro das fábricas, com a garantia de liberdade de organização sindical. Formaram-se centenas de comissões operárias de base. Afrouxou-se, assim, a ditadura patronal no interior do local de trabalho. O governo provisório tomaria outra decisão visando aumentar a força dos sindicatos: estabeleceu a unicidade sindical em torno da intersindical e depois da CGTP.

Os patrões responderam com demissões em massa. Várias empresas estrangeiras fecharam suas portas. Eram alegados como motivos o aumento dos salários, a ampliação dos direitos dos trabalhadores, a instabilidade política, a ameaça à rentabilidade das empresas e a própria insegurança quanto à manutenção do estatuto da propriedade privada em Portugal. A produção não podia ir bem enquanto a livre empresa estivesse ameaçada, diziam os burgueses.

Nesta luta tudo era permitido. Divulgavam boatos sobre uma possível contaminação dos vinhos produzidos em Portugal, o que ocasionava a suspensão das compras por muitos países. O capitalismo mundial tentava sufocar a revolução de todas as maneiras: suspendia os investimentos, retirava ilegalmente seus capitais, boicotava as exportações portuguesas. A resposta dos trabalhadores foi ocupação das empresas e o estabelecimento do controle operário.



As tentativas de golpes de Spínola e a radicalização do regime


Em setembro de 1974 Spínola percorreu o país concitando a “maioria silenciosa” a se posicionar contra o perigo do novo totalitarismo de esquerda que ameaçava o país. Era início de mais uma tentativa de golpe de Estado. No dia 26 armou-se uma armadilha para Vasco Gonçalves, que foi convidado, juntamente com Spínola, para assistir uma tourada no Campo Pequeno. Após a execução do hino nacional uma multidão iniciou uma sonora vaia contra o primeiro-ministro e aplaudiu o presidente. Ouviram-se palavras de ordem contra o MFA e pela manutenção das colônias. Na saída do evento grupos fascistas tentaram atacar a sede do Partido Comunista Português, sendo rechaçados.

A direita convocou uma grande manifestação da denominada “maioria silenciosa” para Lisboa no dia 28 de setembro. Caravanas foram organizadas por agrupamentos direitistas que pretendiam realizar uma marcha sobre Lisboa – nos moldes da realizada por Mussolini. Na madrugada do dia 27 tropas fiéis a Spínola tomaram de assalto emissoras de TV. Os jornais foram impedidos de circular. O clima era de golpe iminente. As rádios governistas transmitiam marchas militares. O cenário parecia muito o do 11 de setembro chileno. As lembranças estavam ainda muito vivas.

Nos sindicatos, nos bairros populares, nas universidades começaram a se ouvir os gritos: “A revolução corre Perigo!” e “Não Passarão!”. Milhares de pessoas tomaram as principais vias de acessos ao centro de Lisboa. Sob direção dos partidos de esquerda, especialmente o comunista, formaram-se cordões de isolamento. Agora era a vez dos tanques do MFA se juntarem aos operários para defenderem a revolução ameaçada pela reação fascista.

Corriam boatos de que Spínola tentaria prender Vasco Gonçalves e Otelo Saraiva de Carvalho. Tropas revolucionárias cercaram o palácio do governo. Os capitães de abril retomaram as rádios e proibiram a manifestação golpista. Centenas de contra-revolucionários foram presos. Um poderoso arsenal foi encontrado nas sedes dos partidos para-fascistas, como o Partido do Progresso e o Partido Liberal. Acharam-se listas com os nomes das pessoas que deveriam ser presas e executadas. Portanto, o Chile não era apenas uma miragem naquele 28 de setembro português.

O resultado foi bastante adverso para Spínola, que foi obrigado a se demitir. Os elementos direitistas também deixaram o governo. Os partidos fascistas envolvidos no golpe foram dissolvidos. O novo governo chefiado pelo general Costa Gomes reafirmou o compromisso com o programa do MFA e o seu projeto socialista. A partir desse momento aumentou a pressão do imperialismo sobre Portugal.

Em janeiro de 1975 grupos esquerdistas procuraram impedir o congresso do Centro Democrático Social (CDS) na cidade do Porto. No início de março foi impedido um comício do PPD em Setúbal. O PCP criticou duramente essas ações aparentemente radicais que apenas favoreciam a propaganda contra-revolucionária. Mais uma vez ecoou por todo mundo o grito de que Portugal caminhava rapidamente para uma ditadura de esquerda e todos procuravam responsabilizar os comunistas.

Este era o álibi que a extrema-direita precisava para iniciar uma nova onda de violência e de terrorismo contra os trabalhadores e as organizações comunistas. Muitas sedes do PCP no norte do país foram atacadas e destruídas por hordas incentivadas pelo clero conservador. Neste clima de intranqüilidade, a direita portuguesa planejou e tentou executar um novo golpe de mão.

Em 11 de março de 1975, a OTAN realizou manobras provocativas nas costas de Portugal. Entre as embarcações estava o porta-aviões norte-americano Saratoga. Uma frota estrangeira chegou a entrar no estuário do rio Tejo e ancorar próximo do palácio presidencial. Correu boato de uma tentativa de derrubar o governo de Costa Gomes e Vasco Gonçalves e de se recolocar Spínola no poder. O povo, apoiado pelos homens do MFA, saiu às ruas em gigantescas manifestações. Novamente , não era possível deixar de lembrar a estrofe de José Afonso: Terra da fraternidade/ O povo é quem mais ordena/ Dentro de ti, ó cidade.

No rastro destas manobras militares do imperialismo se seguiu mais uma tentativa de golpe militar spinolista. O estopim foi o boato que o general havia sido vítima de um atentado promovido pela esquerda. No dia 12 de março os pára-quedistas da base militar de Tancos se sublevaram. Em poucas horas a rebelião foi debelada e os seus comandantes foram presos ou fugiram do país. No final do dia, uma grande manifestação popular tomou conta das ruas de Lisboa. O golpista Spínola, mentor dessa nova intentona, refugiou-se na Espanha e depois, fazendo o caminho de Marcelo Caetano , seguiu para o Brasil.

Diante dos constantes ataques dos setores conservadores, o processo revolucionário se radicalizou. Foi criado o Conselho da Revolução e uma das medidas tomadas foi a nacionalização dos bancos. Motivo: os banqueiros haviam sido os principais financiadores dos sucessivos golpes frustrados.

O Sindicato dos Bancários teve um papel destacado. Foi ele que denunciou o financiamento dos banqueiros aos grupos contra-revolucionários e as remessas ilegais para o exterior. O sindicato, na prática, passou a controlar os bancos. No dia 3 de janeiro de 1975, 5 mil bancários haviam exigido a nacionalização da banca. Após o 12 de março impediram que os gerentes e administradores voltassem aos seus postos e, simbolicamente, expropriaram as chaves dos cofres. Realizaram uma ampla auditoria e enviaram o resultado para o Conselho da Revolução que se decidiu imediatamente pelas nacionalizações.

Em seguida, nacionalizaram-se as empresas de energia elétrica, de comercialização de petróleo, as estradas de ferro, as companhias de navegação, a companhia de aviação TAP, a Siderurgia Nacional. Várias empresas de propriedade de contra-revolucionários também foram expropriadas. Muitas passaram para o controle direto dos seus trabalhadores. Do inicio da revolução até meados de 1976, foram nacionalizados 245 estabelecimentos; ou seja, todos os setores básicos da economia portuguesa.

Avançou também o ritmo do processo de descolonização. No dia 5 de junho foi criada a República de Moçambique; no dia 12 de julho a de São Tomé e Príncipe. A declaração de independência de Angola deveria esperar até o dia 11 de novembro, pouco antes da derrota definitiva da esquerda do MFA.

Implementou-se o primeiro grande projeto de reforma agrária antilatifundiária, especialmente no sul do país. Ali se expropriaram mais de 179 latifúndios. Até então a lei de reforma agrária estava sendo obstaculizada pelo governo Spinola. A reforma agrária também foi uma obra da ação ousada dos trabalhadores rurais.

Estes foram duros golpes na dominação política e econômica dos grupos monopolistas e dos latifundiários portugueses, aliados ao imperialismo norte-americano e europeu. Foram respostas à ofensiva fascista, patrocinada por estes mesmos setores sociais, e frutos da pressão das massas populares que exigiam que o MFA avançasse no seu programa de reformas estruturais. Estas propostas não constavam do programa inicial dos capitães de abril e só foi possível serem conquistadas quando foi rompida a conciliação com os setores conservadores, existente no primeiro governo provisório, quando se estabeleceu com maior vigor a união entre a esquerda do MFA e as forças democráticas e populares.



O Partido Socialista e a contra-revolução



No entanto, um acontecimento iria desestabilizar este quadro político que apontava para um avanço da esquerda no poder. Foi a eleição da Assembléia Nacional Constituinte, ocorrida em 25 de abril de 1975. Ela deu uma maioria parlamentar aos setores reformistas e conservadores. O PSP saiu como o grande vitorioso com 37,87% dos votos, seguido pelo PPD de Sá Carneiro com 26,38% e pelo PCP com 12,53%. Em breve entraria em choque o poder nascido das eleições e o poder revolucionário, representado pelo governo do MFA e apoiado pelos comunistas. A dinâmica da revolução se chocava com a dinâmica eleitoral.

Poucos dias depois das eleições, no primeiro de maio, eclodiu o primeiro grande conflito entre socialistas e comunistas. Depois de uma série de atos provocativos por parte do PSP, Mário Soares foi impedido de falar no ato público do dia do trabalho. No dia seguinte organizou-se uma grande manifestação de desagravo ao líder socialista, na qual os alvos principais foram os comunistas e o governo de Vasco Gonçalves. Era um claro sinal de que o PSP e Mário Soares começavam guinar perigosamente para o caminho da contra-revolução.

A situação se agravou ainda mais com a tomada do jornal socialista República pelos seus trabalhadores, comandados por grupos de extrema-esquerda. O governo não interviu e, na prática, colaborou com os ocupantes. A mesma coisa aconteceu com a Rádio Renascensa, pertencente a Igreja Católica. Estes foram os pivôs de uma grande campanha internacional, orquestrada pela Internacional Socialista e o Vaticano, contra o perigo da implantação de uma ditadura comunista em Portugal. No dia 11 de julho o PSP abandonou o governo e foi seguido pelo PPD. Os dois partidos passaram então a organizar grandes manifestações contra o governo e o Partido Comunista.

Em perfeita sintonia com a atuação dos líderes socialistas nas grandes cidades, se desencadeou uma grande onda anticomunista no interior do país com ataques as sedes do PCP. Apenas no mês julho 33 delas foram destruídas, em agosto foram 55.

A reação se concentrava principalmente no norte do país e tinha o seu centro na cidade de Braga. Ali era forte a influência do clero conservador e predominava a pequena propriedade rural. Sob ela se instalava uma população analfabeta e despolitizada que não participou do 25 de abril e, até então, não sentira seus efeitos positivos. Pelo contrário, ouvia apenas falar do perigo que corria sua propriedade, caso os comunistas tomassem o poder em Lisboa. Era a Vendéia portuguesa que se unia agora aos girondinos de Mário Soares. O PSP e o PSDA seriam os porta-vozes dos interesses norte-americanos no interior da social-democracia européia.

O próprio jornal L’ Monde advertiu Mário Soares que , ao encabeçar a oposição ao regime, “arriscava-se em converter-se no ‘cavalo de Tróia’ da reação’”. Apesar da legislação proibir financiamento externo, o PSP recebeu milhões de dólares de seus irmãos da social-democracia européia e de outras organizações “democráticas”, em geral, financiadas pela CIA. Naquele momento, inclusive, se estabeleceu uma divergência no seio do bloco revolucionário entre o PCP e a esquerda militar, encabeçada por Vasco Gonçalves. Este último estava convencido que o principal inimigo do processo revolucionário deixava de ser os grupos fascistas e passava ser o PSP de Mário Soares. Esta era uma posição contrária a dos comunistas.

Mais tarde, no início da década de 1980, Mário Soares surpreenderia a Internacional Socialista ao tentar aproximá-la de Éden Pastora, o Comandante Zero, líder dos contra-revolucionários na Nicarágua e apoiado pela CIA. Naquele instante a IS fazia um grande esforço para atrair os partidos de esquerda não-comunistas da América Latina. Em outra reunião, quando ouviu de um dirigente do Partido Trabalhista inglês que se ele ganhasse as eleições britânicas defenderia o desarmamento nuclear unilateral de seu país, Mário Soares retrucou : “espero, então, que vocês percam”. Eles, de fato, perderiam a eleição para a arqui-reacionária Margaret Thatcher.

Em 30 de agosto o presidente da República exonerou Vasco Gonçalves. No dia 2 de setembro uma Assembléia do MFA em Tancos o afastou de suas funções nas Forças Armadas e no MFA. Começava o saneamento da esquerda das Forças Armadas.

A resposta foi a ampliação - e radicalização - da ação dos trabalhadores. Iniciou-se uma luta tenaz pela manutenção das conquistas ameaçadas pelo novo governo, agora encabeçado pelo PSP e PPD. Organizou-se uma jornada de lutas em defesa da reforma agrária. A intersindical realizou uma grande manifestação de cerca de 100 mil pessoas na frente do Ministério do Trabalho. Greves paralisaram as empresas metalúrgicas, construção civil e atingiram os assalariados rurais e camponeses do Alentejo. Os trabalhadores de Lisboa ficaram de prontidão à espera da contra-revolução. No dia 16 de novembro se reuniu uma manifestação de 200 mil pessoas no centro de Lisboa.



A cisão no MFA e o fim do processo revolucionário


A polarização política, finalmente, conduziu a uma cisão grave no interior do próprio MFA. Surgiram três grupos: um comandado por Vasco Gonçalves, representando a esquerda; o “grupo dos nove”, encabeçado por Vasco Lourenço , de tendência reformista e conservadora e, por fim, um grupo de extrema-esquerda, comandado por Otelo Saraiva.

Após a queda do governo Vasco Gonçalves , assumiu o do almirante Pinheiro de Azevedo. As potências ocidentais condicionaram qualquer ajuda econômica ao abandono do projeto revolucionário defendido pelo MFA.

Em 25 de novembro de 1975 eclodiu uma nova rebelião militar. Desta vez ela foi encabeçada pela extrema-esquerda do MFA. A alta oficialidade, com apoio do “grupo dos nove”, esmagou rapidamente a rebelião. Seguiu-se uma nova onda anticomunista. A direita pediu que os comunistas abandonassem o governo. Os mais radicais clamavam pela prisão de Cunhal e o fechamento do PCP. No norte, novamente, ocorreram destruições de sedes do PCP e ele teve que passar para a clandestinidade em várias regiões do país.

O medo de perder o controle sobre a situação e o poder acabasse caindo nas mãos das organizações para-fascistas, levou que o próprio governo e as forças reformistas fizessem cessar aqueles ataques, defendessem a manutenção da legalidade do PCP e sua manutenção no governo. Assim, os comunistas permaneceram no governo, mas perderam a capacidade de intervir em suas decisões.

A direita militar, em aliança com os socialistas de Mário Soares, aproveitou-se do ocorrido para impor sua hegemonia no seio das Forças Armadas. Portugal não sairia do campo ocidental, cristão e capitalista. Os oficiais ligados à esquerda começaram a ser afastados dos seus postos de comandos e expulsos das corporações. Alguns, como Otelo de Saraiva, foram presos. As Forças Armadas se institucionalizaram e passaram a cumprir seu verdadeiro papel num Estado burguês: manter a ordem ao serviço do capital. Era o termidor português.

Mesmo derrotada a revolução deixaria suas marcas. A constituição, aprovada em abril de 1976 quando a esquerda já havia sido afastada do centro do poder, estamparia no seu primeiro artigo: “Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na sua transformação em uma sociedade sem classes”. No seu artigo segundo incluiria como um dos objetivos do Estado democrático “assegurar a transição para o socialismo, mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas classes trabalhadoras”. Mesmo depois do golpe de 25 de novembro os vencedores ainda eram obrigados a prestar homenagens aos vencidos e se esconder sob o manto do socialismo democrático. Contudo, nos anos seguintes, a aliança PSP-PPD iria se esforçar para se desfazer das conquistas mais importantes trazidas pela Revolução dos Cravos.



Conclusão inconclusa


Durante o processo revolucionário ocorreu uma efetiva democratização das Forças Armadas – chegou-se ao limite do possível numa democracia burguesa. “Não se pretende restaurar uma instituição militar ultrapassada, mas sim criar uma nova, no sentido de se caminhar para um exército competente, democrático e revolucionário, posto a serviço do povo e capaz de corresponder à sociedade socialista que se quer construir”, dizia um documento do MFA.

Otelo de Saraiva, um dos mais importantes comandantes do MFA afirmou: “Fui fiel ao princípio que desde logo enunciei: ‘em princípio, os trabalhadores têm sempre razão’, fiz uso da parcela de poder político e militar que me havia sido conferida para apoiar, clara e decididamente , as lutas dos trabalhadores e estratos da população mais desfavorecidos socialmente”.

Um dos documentos da esquerda militar afirmava: “Mas o poder popular nunca será verdadeiramente poder se não for armado. Os trabalhadores só serão capazes de conquistar o poder e de o agüentarem nas mãos se estiverem armados, se tiverem a força organizada do seu lado. E é a conjugação dos trabalhadores armados com os soldados que estão nos quartéis que nascerá o largo movimento e a vanguarda que poderá fazer frente à burguesia e ao imperialismo”.

Após novembro, muitos oficiais foram presos sob acusação de tentar armar o povo. Por outro lado, os oficiais que distribuíram armas para as milícias de direita e prepararam o golpe militar e a guerra civil contra o governo do MFA não foram punidos e sim promovidos. Isto levou que um autor afirmasse que “isso constitui um dos exemplos mais flagrantes de como o mesmo ato, cometido por indivíduos de ideologias diferentes, pode, num caso, ser considerado como crime, e, no outro caso, como ato de patriotismo e amor à democracia”.

De fato, não se constituiu uma estrutura de poder verdadeiramente revolucionário, um aparelho estatal de novo tipo. O MFA era um partido militar que, por um curto período, teve hegemonia no aparato de Estado burguês e procurou controlá-lo e colocá-lo a serviço de seu projeto político democrático e popular. Nem mesmo a hierarquia militar foi substancialmente abalada – precisaram, inclusive, de dois generais para legitimá-los no poder. O MFA estava no poder, mas não era o poder. A vida, rapidamente, tratou de demonstrar esse fato. Isto explica porque foram afastados tão facilmente de seus postos e viram seu generoso movimento ruir sob os golpes sucessivos da alta oficialidade, em aliança com a burguesia e o imperialismo.

Ao contrário do que muitos apressadamente concluíram, a Revolução dos Cravos demonstrou a justeza de duas teses marxistas e leninistas. Primeira: é impossível transitar para o socialismo de maneira pacífica – sem rupturas – simplesmente respeitando a legalidade burguesa. A dinâmica das revoluções populares não pode se subordinar à mesma dinâmica das instituições liberal-burguesas, embora sempre tenha que tê-las em conta. Segunda tese: uma revolução se quiser avançar no sentido do socialismo precisa começar quebrar a máquina do Estado burguês, principalmente o seu aparato de repressão: polícia e exército. Ela precisa construir uma outra institucionalidade e uma outra aparelhagem estatal, essencialmente democrática e popular. No caso português, como o peruano, a revolução acabou sendo tragada pelas estruturas conservadoras, ainda que sob uma fachada democrática, que ela foi incapaz de abolir ou mesmo reformar radicalmente. Por isto, a revolução permaneceu incompleta.

Os limites citados acima não nos devem fazer subestimar ou desprezar a importância daquele movimento que mudou a cara de Portugal, que o projetou para o mundo contemporâneo. O 25 de abril trouxe mais desenvolvimento, mais liberdade, mais direitos e melhores condições de vida para o povo. E, principalmente, libertou Portugal da condição de um país colonialista e algoz dos povos africanos. No entanto, os trabalhadores portugueses ainda esperam e trabalham para o florescimento de uma nova primavera, através da qual revolução possa, finalmente, ser completada e o socialismo conquistado definitivamente.



*historiador, mestre em Ciências Sociais pela Unicamp, secretário-geral da Fundação Maurício Grabóis e membro do Comitê Central do PCdoB.



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