Rádio WNews

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mod Squad intro

Easy Rider - Sem Destino

Florence Griffith Joyner 100m final seul 1988

Legião Urbana - Quase sem querer (ao vivo)

HINO DO GLÓRIA DE VACARIA-RS

Michael Jackson - Beat It 2008 (Thriller 25th Anniversary Remix) feat. F...

Quilombo (Palmares)

AMOR "personal collect" LICA TITO

TERRA DE GIGANTES

Queen- Somebody to Love

Cidade Negra - Vacaria

Salto Alto FC no Esporte Record

Veja






30 de abril de 2010

Caro leitor, aqui estão os destaques de VEJA desta semana.

VEJA.com - veja@abril.com.br


Edição da semana (n° 2163 - 5 de maio de 2010)

Internet
A Língua do Google
A tradução quase instantânea de textos para 52 línguas é apenas o primeiro passo rumo a um comunicador universal em que o idioma deixa de ser barreira e passa ser o portal do grande encontro das culturas

• Índice da edição


Entrevista
Presidente do PT diz que marca de Dilma cabe aos profissionais

Economia
BC aumenta juros para segurar a inflação. Não tem outro jeito?


Especial
Farra da antropologia oportunista
Como funciona a indústria da demarcação de terras. Comportamento
Aula de ética. Ainda existe?
Sim. Para ensinar bons modos a quem subiu na vida.


Espaço
Os 20 anos do telescópio Hubble - o desbravador

Homem de Ferro 2
Robert Doney Jr. interessa mais que a ação do filme


Livros
O palco está dentro de cada um de nós
Em novo livro, Lya Luft escreve sobre vida moderna. Guia
Ataque (discreto) aos fios brancos
Sugestões para dar uma cara nova ao cabelo branco.


Roberto Pompeu de Toledo
O pai de Neymar

Maílson da Nóbrega
Quem descobriu o Brasil? Lula ou Cabral?


Destaques on-line


Vídeo
Série de vídeos sobre como passar em Concursos Públicos

Reportagem
Adoção, o que mudou entre os brasileiros que adotam
A mania das figurinhas da Copa do Mundo invade as redes sociais
A cantora e atriz Miley Cyrus estreia novo filme, Agora sem Hanna Montana


Vídeo
A orquestra da favela de Heliópolis (SP)

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Colunistas
Blog
Reinaldo Azevedo
Tentaram fazer a luta armada vencer no tapetão. Perderam
"Eles não queriam apenas rever a lei: queriam também reescrever o passado."
Radar on-line
Lauro Jardim
Os homens na cozinha
"O público masculino é o alvo de nova linha da Brastemp, com eletrodomésticos na cor preta."
Coluna
Augusto Nunes
O palanque que mais parece um filme de terror
"O elenco no palanque de Dilma conta com 162 espantos. Lula é o produtor."
Genética
Mayana Zatz
Esclerose Lateral Amiotrófica: falta mais ousadia
Blogs da redação
Política
VEJA nas Eleições
Protagonistas e fatos da corrida presidencial
Finanças
IR 2010
Como informar empréstimos e os juros recebidos deles?
Variedades
Dez mais
Os casais famosos mais desiguais em beleza
Futebol
Blog da Copa
Entrevista com Lúcio


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13 de Maio

Por um 13 de Maio de Luta

Um convite à organização



A UNEafro-Brasil, ao lado de movimentos negros e sociais de São Paulo, tais como Círculo Palmarino, Assembléia Popular, Consulta Popular, MST entre outros, construíram no ano de 2009 uma grande manifestação político cultural que celebrou o 13 de maio como um dia de luta e resistência do povo negro. A Aula Pública reuniu centenas de pessoas no Largo da Memória, no metrô Anhangabaú e ganhou grande repercussão.



Neste ano de 2010, convidamos as organizações de luta para construir uma atividade ainda maior, que agregue àqueles/as companheiros/as e organizações que fizeram parte desta experiência, bem como novos/as atores, entidades e movimentos.



Este ano a AULA PÚBLICA terá como eixos a luta contra o Genocídio da Juventude Negra; a Criminalização da pobreza; A impunidade dos crimes cometidos pelo Estado em maio de 2006, além da exigência de Reparações, Ações Afirmativas e Cotas para negros(as).



As reuniões de organização acontecem ás sextas-feiras, às 19h00, no Escritório Central da UNEafro-Brasil, rua abolição, 167 – Bela Vista.



Contamos com o apoio e participação.



Veja como foi o 13 de maio de luta de 2009:



Matéria: http://www.uneafrobrasil.org/home_atos_13_maio.asp



Manifesto: http://www.uneafrobrasil.org/20090510_13_de_maio.pdf



Fotos: http://www.uneafrobrasil.org/fotos_13_maio.asp





--
Douglas Belchior
Conselho Geral - Uneafro
(11)3105-2516 opção - (11) 7550-2800
www.uneafrobrasil.org

Conheça meus espaços na Net:

Conheça meus espaços na Net:
http://feirapreta.ning.com/profile/douglaseliasbelchior
www.negrobelchior.blogspot.com

Na Coréira do Sul Acesse o Blog do Jornal Negritude

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Falta de Renovação Política em Vacaria RS

Num bate-papo com um amigo no MSN que me perguntava que seria os possíveis candidatos a Prefeito de nossa cidade eu menciona não saber e com certeza seria os mesmos nomes, pois não há renovação política nos partidos são sempre os mesmos e mesmos nomes. Não abrem espaço para as novas lideranças até o PT que foi um partido que no passado em Vacaria RS, no RS e no País sempre revelava novos nomes é sempre as mesmas figuras carimbadas de sempre. É uma pena o jovem fica desinteressado da politica com tanta sujeira e desonestidade. Eu fico somente nos bastidores esperando que um dia as coisas melhorem.
Paulo Furtado
Editor

Poema para o Dia do Trabalhador

Poema em homenagem ao dia dos trabalhadores, (nas reminicências do 25 de abril),
pelo nosso valoroso companheiro português, JOSÉ-AUGUSTO DE CARVALHO


Saudade do alvorecer
José-Augusto de Carvalho



Da memória do tempo levanto
a magia daquela alvorada.
Foram armas e cravos de espanto
perfumando uma terra de nada.

A palavra, a doer, clandestina,
finalmente a mordaça arrancava!
Era o verbo, que tudo ilumina,
que, qual raio, na terra se crava.

E na terra de nada, a sangrar,
florescendo, as papoilas estendem
o seu manto a pulsar o querer

da manhã que, sorrindo, a chegar,
traz os astros que nunca se rendem
aos tentáculos do anoitecer.



Viana * Évora * Portugal



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SIMPATIA - Primeiro de Maio
* virgínia além mar


Na luta irmão
na palavra expressão de sentimento
na organização fermento
Trabalhadores são a riqueza da nação

Compadeço-me diante àqueles que direitos não vêem
de lançar mão de regime escravo
que, sendo os mais humildes o suficiente não tem
Quem os livra de jornada e imposto pesado ?

Ergo uma bandeira, a de liberdade
que só pode haver com justiça e igualdade
No mais íntimo me comovo
diante o desprezo à grande parte deste povo

Alinhavo minha fibras aos que esperam
Abraço o pensamento dos que perseveram
busco tecer atitude
que acolhe o trabalho como suprema virtude

Aos aristocratas, burgues e burocratas falta convicção
nada lhes falta, desconhecem empatia
e dos diferentes não enxergam a valentia
Aos esquecidos e ou ilustres trabalhadores minhas saudações


Em 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países. Apesar de até hoje os estadunidenses se negarem a reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiu que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias....

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En el Primero de Mayo




Hoy es primer de Mayo,

y no hay mas alegria

que estrecharte la mano,

abrazar y unir mis manos

a los milliones que movemos el mundo,

que sin ellas no habra

ni patrón, ni burgues, ni explotación.


Todos los dias me pregunto,

y hoy mas todavia :


¿Quien levanta las torres?

Ellos no, nosotros los obreros si,

¿Quien echa a andar las maquillas?

Ellos no, nosotros los sin-sindicatos si,

¿Quien construye los puentes, los rascacielos?

Ellos no, nosotros los albañiles, armadores, carpinteros si,

¿Quien se entierra en las entrañas de la tierra?

Ellos no, nosotros los mineros-wirizeros si,

¿Quien abre las escuelas?

Ellos no, nosotros los maestros-as si,

¿Quien se mete adentro y al fondo de los mares?

Ellos no, nosotros los pescadores y marineros si,

¿Quien carga esos gigantes barcos?

Ellos no, nosotros los jornaleros si,

¿Quien atiende en los hospitales?

Ellos no, nosotras las enfermeras si,

¿Quien hace la tortilla, el pan?

Ellos no, nosotras las tortilleras, los panaderos si,

¿Quien provee sus residencias de agua?

Ellos no, nosotros los operadores de la aguadora si,

¿Quien mueve a la gente?

Ellos no, nosotros los transportistas si,

¿Quien trabaja y hace producir la tierra?

Ellos no, nosotros los campesinos-as si,

¿Quien rellena los ingenios?

Ellos no, nosotros los cañeros si,

¿Acaso pueden darte la luz?

Ellos no, nosotros los electricistas si,

¿Quien administra los bancos?

Ellos no, nosotros los burocratas si,

¿Quien defiende las fronteras?

Ellos no, nosotros los soldados si,


Ellos son dueños de las torres, las maquillas,

los puentes, los rascacielos, las minas, los barcos,

las escuelas, el oro, los hospitales, las tierras,

las fabricas, los aperos, los ingenios, los bancos,

ellos tienen todo, de abolero, todito lo robado.


¿Nosotros?

Nada! nada mas que las cadenas

de sus dueños, los ricos, los ladrones,

los del capital, del engaño y la verguenza.


Pero hermano, compañero, camarada,

tu mano, mi mano, nuestras manos,

sufridas, sudadas, rajadas, heridas, erguidas,

estas manos que levanten, que rompen, que construyen,

estas manos que producen, que hacen y deshacen,

que atienden, que amen y luchen,

estas manos que mueven montañas,

los cerros y todos los poderes.

Estas manos,

unidas en la sangre y el dolor,

unidas en la razón y la decisión,

unidas de verdad en el acero del crisol,


ya sabes hermano-a,

este poder esta en vos, en mi, en nosotros,

en todos los explotados y humiliados,

los marginados y condenados,

este poder esta en nuestras manos.


Decretamos, por las 124 veces en ese dia :


Organización,

Disciplina,

Decisión,

ponga tu mano, quita tu mano,

apaga la maquina, pare el torno, deja el martillo,

vota la pala, el pico, pare la grua, el tractor, el bus,

la mescla, el motor, la zafra, el tejido, la papelera,

la cosecha, la tuberia, el flujo, el aire, la nube.

...Que la tierra se pare.


¡Temblad tiranos!

los amos y todos los imperios,

la hora viene, vendra,

viene la consciencia de clase,

palabra de la sangre y el sudor proletario,

los obreros, campesinos y todos los explotados,

clase contra clase,

sin medianos ni intermedios,

mucho menos los falsos y mentirosos,

hipocritas, traidores y todos los metidos.


Allí vamos,


¡¡ los trabajadores- as al poder !!

Con Marx, Lenin, Sandino, Carlos,

los barbudos y todos los santos.


A la libertad vamos,

a la justicia vamos,

a la dignidad vamos,

al socialismo vamos.



¡Viva el primero de Mayo!

¡Viva la solidaridad internacional de los trabajadores- as!


-----Anexo incorporado-----

_______________________________________________
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http://serverlinux.revistaoberro.com.br/mailman/listinfo/cartaoberro

Boletim Deputado Federal Pepe Vargas





Câmara aprova salário mínimo de R$ 510

O Plenário aprovou nesta quarta-feira (05.05) a Medida Provisória 474/09, que aumenta o salário mínimo de R$ 465 para R$ 510, com efeitos a partir de 1º de janeiro deste ano e que estabelece uma política de valorização do salário mínimo. O reajuste é de 9,67% e inclui a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), mais variação do PIB de 2008 em relação a 2007 (5,64%). A MP agora segue para análise do Senado.
A matéria foi aprovada na forma de um projeto de lei de conversão do deputado Pepe Vargas (PT-RS), que retirou do texto os artigos sobre a regra de reajuste para 2011. A regra era igual à do aumento para 2010, mas, devido à crise econômica internacional, a variação do PIB de 2009 em relação a 2008 foi negativa. Leia mais.
Agência Câmara

Pepe apresentou relatório que estabelece política de valorização do mínimo
Pepe vota favorável ao fim do fator previdenciário

O deputado federal Pepe Vargas (PT/RS) votou a favor do fim do fator previdenciário e pelo reajuste dos aposentados. O Plenário aprovou, na última terça-feira (04.05), 7,72% de reajuste para as aposentadorias da Previdência Social acima de um salário mínimo. O índice foi incluído na Medida Provisória 475/09 por meio de emenda do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) e corresponde à inflação acumulada pelo INPC, mais 80% do PIB de 2008. Os deputados aprovaram também, por 323 votos a 80 e 2 abstenções, a emenda do líder do PPS, Fernando Coruja (SC), que acaba com o fator previdenciário.
O parlamentar, favorável ao fim do fator, chegou a construir uma alternativa mediante a posição contrária do governo à extinção. A proposta de Pepe previa menos tempo de trabalho e maior valor na aposentadoria. O texto não obteve acordo no Colégio de Líderes. Leia mais.
Edison Castêncio

CFT realizou seminário para análise mais técnica sobre câmbio e juros Seminário da CFT sobre Juros e Câmbio

Com participação de representantes da área econômica do governo e economistas, a Comissão de Finanças e Tributação (CFT) realizou na última terça-feira (04.05), na Câmara dos Deputados, seminário sobre juros e câmbio. Segundo o presidente da comissão, deputado Pepe Vargas (PT-RS), os efeitos da crise no sistema financeiro dos Estados Unidos continuam se espalhando pelo mundo. "A ideia é aprofundar o debate sobre a política monetária, abordando o efeito de possíveis mudanças nas taxas de juros na dívida pública, na exportação, no câmbio e no setor produtivo. Há em curso uma discussão se há necessidade de um novo período de alta de juros", afirmou o deputado Pepe Vargas. Leia mais.
Crédito estudantil vai beneficiar mais 200 mil

O Ministério da Educação (MEC) começou a receber nesta semana as novas inscrições para o Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) do ano letivo de 2010. A carteira de crédito universitário tem orçamento de R$ 1,6 bilhão, suficientes para conceder 200 mil novos empréstimos, além de manter o pagamento das parcelas de anuidades dos 486 mil contratos já em vigor. O ministro Fernando Haddad disse que, se a procura for maior, o governo poderá recorrer a crédito complementar. Leia mais.
Edison Castêncio

Pepe em conversa com estudantes
Ministro anuncia medidas de estímulo ao setor exportador e à indústria nacional

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou na última quarta-feira (05.05) um conjunto de medidas para estimular a competitividade do setor exportador e incentivar a produção da indústria nacional. "O objetivo é melhorar a competitividade da indústria brasileira no momento em que a crise internacional torna a concorrência mais aguerrida", disse o ministro ao anunciar as medidas. Leia mais.

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Gabinete Regional
Av. Júlio de Castilhos, 3658 - CEP 95010-002 - Bairro Cinquentenário, Caxias do Sul, RS - Tel.:(54) 3025.1301

Gabinete Nacional
Câmara dos deputados, Anexo IV, gabinete 545 - CEP 70160-900, Brasília, DF - Tel.:(61)3215.5545 / Fax:(61)3215.2545 - dep.pepevargas@camara.gov.br

Grandes Jogos

Sem sombra de dúvida que semana que vem a dupla Grenal estará envolvida em grandes jogos o Inter x Estudiantes e Grêmio x Santos são partidas para provar quem está melhor em sua competição. No meu ponto vista o campeonato Gaúcho não é parâmetro para a dupla. Aqui na nossa realidade de Vacaria RS Domingo é grande jogo contra o Lageadense, eu acho muito difícil o Glória passar quando se precisa de resultados de outros jogos é muito difícil. Veja o Inter no brasileirão do ano passado o Grêmio entregou o jogo contra o Flamengo para prejudicar o colorado. E não se iludam as outras equipes não querem o Glória na outra fase porque sabem que o Glória é um forte candidato a subir. Vamos aguardar e esperar o milagre.
Paulo Furtado
Editor

Antropologia Oportunista

A farra da antropologia oportunista
Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros

Critérios frouxos para a delimitação de reservas indígenas e quilombos ajudam a engordar as contas de organizações não governamentais e diminuem ainda mais o território destinado aos brasileiros que querem produzir



As dimensões continentais do Brasil costumam ser apontadas como um dos alicerces da prosperidade presente e futura do país. As vastidões férteis e inexploradas garantiriam a ampliação do agronegócio e do peso da nação no comércio mundial. Mas essas avaliações nunca levam em conta a parcela do território que não é nem será explorada, porque já foi demarcada para proteção ambiental ou de grupos específicos da população. Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil. Se a conta incluir também os assentamentos de Reforma Agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional. Ou seja, as próximas gerações terão de se contentar em ocupar uma porção do tamanho de São Paulo e Minas Gerais. E esse naco poderá ficar ainda menor. O governo pretende criar outras 1 514 reservas e destinar mais 50 000 lotes para a Reforma Agrária. Juntos, eles consumirão uma área equivalente à de Pernambuco. A maior parte será entregue a índios e comunidades de remanescentes de quilombos. Com a intenção de proteger e preservar a cultura de povos nativos e expiar os pecados da escravatura, a legislação brasileira instaurou um rito sumário no processo de delimitação dessas áreas.

Os motivos, pretensamente nobres, abriram espaço para que surgisse uma verdadeira indústria de demarcação. Pelas leis atuQais, uma comunidade depende apenas de duas coisas para ser considerada Indígena ou quilombola: uma declaração de seus integrantes e um laudo antropológico. A maioria desses laudos é elaborada sem nenhum rigor científico e com claro teor ideológico de uma esquerda que ainda insiste em extinguir o capitalismo, imobilizando terras para a produção. Alguns relatórios ressuscitaram povos extintos há mais de 300 anos. Outros encontraram etnias em estados da federação nos quais não há registro histórico de que elas tenham vivido lá. Ou acharam quilombos em regiões que só vieram a abrigar negros depois que a escravatura havia sido abolida. Nesta reportagem, VEJA apresenta casos nos quais antropólogos, ativistas políticos e religiosos se associaram a agentes públicos para montar processos e criar reservas. Parte delas destrói perspectivas econômicas de toda uma região, como ocorreu em Peruíbe, no Litoral Sul de São Paulo. Outras levam as tintas do teatro do absurdo. Exemplo disso é o Parque Nacional do Jaú, no Amazonas, que englobou uma vila criada em 1907 e pôs seus moradores em situação de despejo. A solução para mantê-los lá foi declarar a área um quilombo do qual não há registro histórico. Certas iniciativas são motivadas pela ideia maluca de que o território brasileiro deveria pertencer apenas aos índios, tese refutada pelo Supremo Tribunal Federal. Há, ainda, os que advogam a criação de reservas indígenas como meio de preservar o ambiente. E há também – ou principalmente – aqueles que, a pretexto de proteger este ou aquele aspecto, querem tão somente faturar. Diante desse quadro, é preciso dar um basta imediato nos processos de demarcação, como já advertiu há quatro anos o antropólogo Mércio Pereira Gomes, ex-presidente da Funai e professor da Universidade Federal Fluminense.

Os laudos antropológicos são encomendados e pagos pela Fundação Nacional do índio (Funai). Mas muitos dos antropólogos que os elaboram são arregimentados em organizações não governamentais (ONGs) que sobrevivem do sucesso nas demarcações. A quantidade de dinheiro que elas recebem está diretamente relacionada ao número de índios ou quilombolas que alegam defender. Para várias dessas entidades, portanto, criar uma reserva Indígena ou um quilombo é uma forma de angariar recursos de outras organizações estrangeiras e mesmo do governo brasileiro. Não é por outro motivo que apenas a causa Indígena já tenha arregimentado 242 ONGs. Em dez anos, a União repassou para essas entidades 700 milhões de reais. A terceira maior beneficiária foi o Conselho Indígena de Roraima (CIR). A instituição foi criada por padres católicos de Roraima com o objetivo de promover a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, um escândalo de proporções literalmente amazônicas. Instituída em 2005, ela abrange 7,5% do território do estado e significou a destruição de cidades, de lavouras e um ponto final no desenvolvimento do norte de Roraima – que, no total, passou a ter 46% de sua área constituída por reservas indígenas. Em dez anos, o CIR recebeu nada menos que 88 milhões de reais da União, mais do que a quantia repassada à delegacia da Funai de Roraima no mesmo período. Não é preciso dizer que a organização nem sequer prestou contas de como gastou esse dinheiro.

A ganância e a falta de controle propiciaram o surgimento de uma aberração científica. Antropólogos e indigenistas brasileiros inventaram o conceito de índios ressurgidos. Eles seriam herdeiros de tribos extintas há 200 ou 300 anos. Os laudos que atestam sua legitimidade não se preocupam em certificar se esses grupos mantêm vínculos históricos ou culturais com suas pretensas raízes. Apresentam somente reivindicações de seus integrantes e argumentos estapafúrdios para justificá-las. A leniência com que a Funai analisa tais processos permitiu que comunidades espalhadas pelo país passassem a se apresentar como tribos desaparecidas. As regiões Nordeste e Norte lideram os pedidos de reconhecimento apresentados à Funai. Em dez anos, a população que se declara Indígena triplicou. Em 2000, o Ceará contava com seis povos indígenas. Hoje, tem doze. Na Bahia, catorze populações reivindicam reservas. Na Amazônia, quarenta grupos de ribeirinhos de repente se descobriram índios. Em vários desses grupos, ninguém é capaz de apontar um ancestral Indígena nem de citar costumes tribais. VEJA deparou com comunidades usando cocares comprados em lojas de artesanato. Em uma delas, há pessoas que aderiram à macumba, um culto africano, pensando que se tratasse da religião do extinto povo anacé. No Pará, um padre ensina aos ribeirinhos católicos como dançar em honra aos deuses daqueles que seriam seus antepassados.

Casos assim escandalizam até estudiosos benevolentes, que aceitam a tese dos índios ressurgidos. Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente de cultura Indígena original, diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Declarar-se índio, no entanto, além de fácil, é uma farra. No governo do PT, basta ser reconhecido como índio para ganhar Bolsa Família e cesta básica. O governo gasta 250% mais com a saúde de um índio – verdadeiro ou das Organizações Tabajara – do que com a de um cidadão que (ainda) não decidiu virar índio. O paradoxo é que, em certas regiões, é preciso ser visto como índio para ter acesso a benesses da civilização. As tribos têm direito a escolas próprias, o que pode ser considerado um luxo no interior do Norte e do Nordeste, onde milhões de crianças têm de andar quilômetros até a sala de aula mais próxima. Aqui, só tinha escola até a 8ª série e a duas horas de distância. Depois que a gente se tornou índio, tudo ficou diferente, mais perto, diz Magnólia da Silva, neotupinambá baiana. Isso para não falar da segurança fornecida pela Polícia Federal, que protege as terras de invasões e conflitos agrários. Essas vantagens fizeram as pessoas assumir artificialmente uma condição étnica, a fim de obter serviços que deveriam ser universais, constata o sociólogo Demétrio Magnoli.

A indústria da demarcação enxergou nas pequenas comunidades negras mais uma maneira de sair do vermelho e ficar no azul. Para se ter uma ideia, em 1995, na localidade de Oriximiná, no Pará, o governo federal reconheceu oficialmente a existência de uma comunidade remanescente de um quilombo – e, assim, concedeu um pedaço de terra aos supostos herdeiros dos supostos escravos que supostamente viviam ali. Desde então, foram instituídas outras 171 áreas semelhantes em diversas regiões. Em boa parte delas, os critérios usados foram tão arbitrários quanto os que permitiram a explosão de reservas indígenas. Também no caso dos remanescentes de quilombolas, a principal prova exigida para a demarcação é a autodeclaração. Como era de esperar, passou a ser mais negócio se dizer negro do que mulato. Desde que o governo começou a financiar esse tipo de segregação racial, os mestiços que moram perto de quilombos passaram a se declarar negros para não perder dinheiro, diz a presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, Helderli Alves. índio que não é índio, negro que não é negro, reservas que abrangem quase 80% do território nacional e podem alcançar uma área ainda maior: o Brasil é mesmo um país único. Para espertinhos e espertalhões.

Os novos canibais

A foto acima parece estranha – e é. O baiano José Aílson da Silva é negro e professa o candomblé. Seu cocar é de penas de galinha, como os que se usam no Carnaval. Silva se declarou pataxó, mas os pataxós disseram que era mentira. Reapareceu tupinambá, povo antropófago extinto no século XVII. Ele é irmão do também autodeclarado cacique Babau, que vive em uma área que nunca foi habitada pelos tupinambás. Sua tribo é composta de uma maioria de negros e mulatos, mas também tem brancos de cabelos louros. Há seis anos, o grupo invade e saqueia fazendas do sul da Bahia, crimes que levaram Babau à prisão. Seu irmão motorista também esteve na cadeia, por jogar o ônibus sobre agricultores. As contradições e os delitos não impediram a Funai de reconhecê-los como índios legítimos e de oferecer-lhes uma reserva gigantesca, que englobaria até a histórica Olivença, um das primeiras vilas do país.

Teatrinho na praia

Os boraris viviam em Alter do Chão, a praia mais badalada do Pará. Com pouco mais 200 pessoas, a etnia assimilou a cultura dos brancos de tal forma que desapareceu no século XVIII. Em 2005, Florêncio Vaz, frade fundador do Grupo Consciência Indígena, persuadiu 47 famílias caboclas a proclamar sua ascendência borari. Frei Florêncio ensinou-lhes costumes e coreografias indígenas. O cacique Odair José, de28 anos, reclamou do fato de VEJA tê-lo visitado sem anúncio prévio. A gente se prepara para receber a imprensa, disse. Seu vizinho Graciano Souza Filho afirma que ele se pinta e se fantasia de índio para enganar os visitantes. Basílio dos Santos, tio do cacique, corrobora essa versão: Não tem índio aqui. Os bisavôs do Odair nasceram em Belém.

Macumbeiros de cocar


Os cearenses de São Gonçalo do Amarante vivem um tormento. Sede do Porto de Pecém, o município esperaabrigar uma refinaria, uma siderúrgica e um complexo industrial. Um padre, no entanto, convenceu seus fiéis de que esses investimentos os expulsarão do local. Sua única saída para ficar lá seria declararem-se indígenas. Querem nos tirar terras que nossos pais e avós compraram com muito suor, reverbera o agente de saúde Francisco Moraes. Eles, então, compraram cocares, maracas e passaram a se pintar. A gente sempre foi índio, só não sabia, diz Moraes, que agora se apresenta como Cacique Júnior e cultiva supostos hábitos dos índios anacés, extintos há 200 anos. Faço macumba e a dança de São Gonçalo. A questão é que a origem da macumba é africana e a da dança, portuguesa.

Made in Paraguai


Há dezoito anos, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) importou índios paraguaios e argentinos para o Morro dos Cavalos, em Santa Catarina. Hoje, vivem lá dezessete famílias. A maioria dos imigrantes só se expressa em espanhol, mas todos foram orientados a se declarar brasileiros. A Funai e o Cimi falam para a gente dizer que é carijó, diz o guarani Milton Moreira, de 49 anos. Paraguaio, ele chegou a Santa Catarina quando tinha 6 anos, mas foi sua presença no local que embasou o pedido de criação da reserva. Curiosamente, Moreira se opõe à demarcação. Cresci aqui porque meu pai não tinha mais onde me criar. Se esses antropólogos querem botar índio em qualquer lugar, por que não põem a gente para morar no apartamento deles?, pergunta Moreira.

índio bom é índio pobre


Em 2000, cinquenta famílias de guaranis se mudaram para uma praia em Peruíbe, no Litoral Sul de São Paulo. A terra que eles ocuparam é infértil, mas ainda assim poderiam ter feito um ótimo negócio. O empresário Eike Batista queria construir um porto no local e ofereceu aos índios uma fazenda produtiva, com infraestrutura, dois rios, um pesque-pague e até caça. Mais: daria 1 milhão de reais a cada família. A tribo tirou a sorte grande – ou quase. A Funai barrou o acordo em 2007. Alegou que os sete anos de ocupação irregular da área converteram os índios em moradores tradicionais do local. A chefe Lílian Gomes (em pé, ao fundo) lamentou. Moradora da região desde 2002, ela é casada com um caminhoneiro (branco), tem carro, TV, computador, faz compras no supermercado e não conseguiu impedir a Funai de enterrar a melhor oportunidade de ascensão social que seus liderados tiveram.

Problema dos brancos

Trezentos pequenos agricultores das gaúchas Erechim, Erebango e Getúlio Vargas estão prestes a perder suas terras. Em 2006, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) transferiu para a região um grupo de 63 guaranis de outros locais do Rio Grande do Sul. Os índios ergueram uma favela em volta de fazendas constituídas por italianos, alemães e poloneses há mais de 150 anos. Estão vivendo em condições subumanas. A gente veio para cá porque o Cimi prometeu mais terras, mas estamos na miséria, diz um dos líderes guarani Severino Moreira (o primeiro à esquerda). Seu sofrimento é passageiro. A Funai declarou que a terra é uma área tradicional dos índios, sugeriu a criação de uma reserva no local e a expulsão dos colonos. São esses últimos, agora, que terão problemas.

Os carambolas


Nunca se soube da existência de quilombos no Amazonas. Mas há quatro anos apareceu um em Novo Airão, a noroeste de Manaus. Lá, 22 famílias se declararam herdeiras de escravos fugidos. Até então, elas contavam outra história: descenderiam de sergipanos que, há 100 anos, teriam imigrado para trabalhar na coleta do látex. Em 1980, a comunidade entrou em um limbo jurídico. Naquele ano, o governo incluiu sua vila no Parque Nacional do Jaú. As famílias passaram a viver ilegalmente na área. O Ministério do Desenvolvimento Agrário resolveu o problema convertendo-os em quilombolas – ou carambolas, como eles se autodenominam. A gente virou ‘carambola’ para não perder a terra, diz Edneu Mendes.

Não basta ser negro


O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) dividiu uma comunidade negra que vive na região central do Rio Grande do Sul desde o início do século XIX. O Incra demarcou na área um quilombo chamado São Miguel. Parte dos negros se opôs ao processo. José Adriano Carvalho explica por quê: O Incra veio com papo de regularizar minhas terras, mas, quando mostrei que a documentação estava em ordem, eles disseram que a intenção era tirar os brancos daqui, afirma. Carvalho se recusou a declarar que era descendente de quilombolas e, por isso, pode ser expulso da terra onde nasceu, há 68 anos.

Destaque do Dia






Destaques do Dia
Yeda Crusius abre a colheita da soja 2009/2010 em Tupanciretã
A governadora Yeda Crusius participa da cerimônia de abertura oficial da Colheita da Soja, safra 2009/2010 em Tupanciretã.


Local: Tupanciretã - RS
Data: 01/05/2010
Foto: Antonio Paz / Palácio Piratini
Código: 34333

Yeda Crusius abre a colheita da soja 2009/2010 em Tupanciretã
A governadora Yeda Crusius participa da cerimônia de abertura oficial da Colheita da Soja, safra 2009/2010 em Tupanciretã.


Local: Tupanciretã - RS
Data: 01/05/2010
Foto: Antonio Paz / Palácio Piratini
Código: 34332

Yeda Crusius autoriza pavimentação da RSC-392, em Tupanciretã
A governadora Yeda Crusius assina a ordem de início das obras de pavimentação da RSC-392, trecho Tupanciretã a Santa Tecla.


Local: Tupanciretã - RS
Data: 01/05/2010
Foto: Antonio Paz / Palácio Piratini
Código: 34336

Yeda Crusius autoriza pavimentação da RSC-392, em Tupanciretã
A governadora Yeda Crusius, acompanhada do prefeito de Tupanciretã, Luís Adolfo Dias(E), do deputado federal, Darcisio Perondi e do secretário de Integração Regional de Santa Maria, Jorge Pozzobom(D), discursa durante a assinatura da ordem de início das obras de pavimentação da RSC-392, trecho Tupanciretã a Santa Tecla.


Local: Tupanciretã - RS
Data: 01/05/2010
Foto: Antonio Paz / Palácio Piratini
Código: 34337

Yeda Crusius autoriza pavimentação da RSC-392, em Tupanciretã
A governadora Yeda Crusius é saudada pelos moradores da região, durante sua visita ao trecho da RSC-392, entre os municípios de Tupanciretã e Santa Tecla que receberá pavimentação asfáltica.


Local: Tupanciretã - RS
Data: 01/05/2010
Foto: Antonio Paz / Palácio Piratini
Código: 34340

Yeda Crusius vistoria balsa que realiza a travessia entre Agudo e Restinga Seca no Rio Jacuí
A governadora Yeda Crusius visita o local aonde se encontra a balsa Deusa do Jacuí, que realiza a travessia no percurso entre Agudo e Restinga Seca, no rio Jacuí, na RSC-287.


Local: Agudo - RS
Data: 01/05/2010
Foto: Antonio Paz / Palácio Piratini
Código: 34345

Yeda Crusius vistoria balsa que realiza a travessia entre Agudo e Restinga Seca no Rio Jacuí
A governadora Yeda Crusius, acompanhada do diretor geral do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem(Daer), Vicente Brito Pereira, do secretário de Integração Regional de Santa Maria, Jorge Pozzobom(2ºesq/dir), e do secretário da Administração e dos Recursos Humanos, Elói Guimarães(D), visita o local aonde se encontra a balsa Deusa do Jacuí, que realiza a travessia no percurso entre Agudo e Restinga Seca, no rio Jacuí, na RSC-287.


Local: Agudo - RS
Data: 01/05/2010
Foto: Antonio Paz / Palácio Piratini
Código: 34347

Yeda Crusius sobrevoa local aonde será erguida nova ponte que ligará Agudo à Restinga Seca
A governadora Yeda Crusius, sobrevoa o local aonde será erguida a nova ponte sobre o rio Jacuí, que ligará Agudo à Restinga Seca na RSC-287.


Local: Agudo - RS
Data: 01/05/2010
Foto: Antonio Paz / Palácio Piratini
Código: 34343

Grécia

(( explode a luta popular na grécia ))
http://inteligencia brasileira. blogspot. com

1º de Maio

O governo Lula passa a ser o grande modelo de governo mundial, um governo capaz de unir o que antes era impensável: o mercado com o social. Por um lado, preservam-se os interesses da banca financeira, e por outro, atende-se os pobres com o Bolsa-Família – um vigoroso programa social que distribui renda para mais de 12 milhões de famílias brasileiras. A síntese dessa singularidade é manifesta pelo livre trânsito de Lula no Fórum Social Mundial e no Fórum Econômico Mundial. Em ambos, Lula é aplaudido.

Porém, é insuficiente afirmar que o governo Lula apenas acresceu ao modelo econômico rentista dos tucanos políticas de mitigação da pobreza. Lula também alterou o papel do Estado. Ao projeto econômico de corte neoliberal do governo anterior intitulado de ‘inserção subordinada à economia internacional’, o governo atual respondeu com a retomada do modelo econômico ‘nacional-desenvolvimentista’ – política econômica na qual o Estado exerce um forte papel indutor na perspectiva do crescimento econômico –, com significações semelhantes e distintas daquele adotado a partir dos anos 30.

O modelo neo-desenvolvimentista atual caracteriza-se por duas vertentes. Por um lado, tem-se o Estado financiador que, utilizando o seu banco estatal, o BNDES e os fundos de pensão, exerce o papel de indutor do crescimento econômico fortalecendo grupos privados em setores estratégicos. Por outro, tem-se o Estado investidor responsável pelo investimento em mega-obras de infra-estrutura que se manifesta no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Porém, diferentemente do nacional-desevolvimentismo da Era Vargas, o Estado não é o proprietário de empresas, mas se torna a principal alavanca para criar gigantes privados que tenham capacidade de disputa no mercado interno e internacional. Destaque-se ainda que ao lado do Estado financiador e do Estado investidor, tem-se o ‘Estado Social’, de que se falou anteriormente.

A junção dos interesses do capital financeiro, que foram preservados no governo Lula, com o capital produtivo manifesto no Estado investidor e financeiro, somados ao Estado provedor de políticas sociais, redundou nas altas taxas de popularidades do governo Lula em algo insólito: um presidente que é reconhecido e admirado por um lado pelos grandes banqueiros e empresários, e por outro, mitificado pelos mais pobres. Lula tornou-se quase uma unanimidade e contrários as raízes anti-populistas do PT – crítico do getulismo e brizolismo – deu origem ao fenômeno do lulismo.

Nos últimos dias Lula tem dito: "Quando eu deixar a Presidência, vou mandar registrar em cartório tudo o que fiz (...), porque quero que quem venha depois de mim saiba que vai ter de fazer mais e melhor.

O resultado de oito anos do governo Lula afirmaram o modelo neo-desenvolvimentista como a rota a ser seguida. A junção do capital financeiro com o capital produtivo acrescido de políticas sociais de mitigação da pobreza tornou-se a plataforma comum a ser perseguida pelos candidatos à presidente. É em função dessa lógica que se pode afirmar que não há diferenças programáticas substancias entre a candidatura de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).

Serra já mais de uma vez manifestou que defende a presença do Estado na economia diferentemente do que pregavam FHC em Alckmin. “A turma do Estado Mínimo está tendo faniquitos. O candidato do PSDB, José Serra, já prometeu a criação de dois novos ministérios: o dos Deficientes Físicos e o da Segurança Pública. E a eleição é em outubro”, afirma o jornalista Ilimar Franco.

O fato é que ganhe Dilma ou ganhe Serra, ambos são vistos como continuadores das bases políticas e econômicas do governo Lula. O próprio Lula tem repetido isso à exaustão: "Feliz do país que vai ter uma disputa que pode ter Dilma, Serra, Marina, Aécio. Houve no país um avanço qualitativo nas disputas eleitorais. O Fernando Henrique e eu já fomos um avanço extraordinário” disse recentemente o presidente. Em outro momento afirmou: “O Brasil está vivendo um momento rico, porque se a disputa se der entre Serra e Dilma, entre Marina Silva e Ciro, é um avanço extraordinário”.

Aliás, não são poucos os observadores da política nacional que vêem um processo de igualamento entre o PT e o PSDB: “O PT iguala-se cada vez mais ao PSDB”, analisa o cientista político Peter Kingstone, diretor do Centro de Estudos sobre América Latina e Caribe da Universidade de Connecticut. Segundo Kingstone, “tanto Serra quanto Dilma Rousseff representam a mesma possibilidade de mudança. Ambos têm forte orientação nacionalista. Com a eleição de um deles, o papel do governo assumirá uma direção mais nacionalista. Será uma mudança em relação às gestões de Lula e FHC. Não vejo uma vitória de Serra como uma guinada para a direita. A gestão Lula tem sido nacionalista mais na retórica do que na realidade”.

Corroborando a semelhança entre os candidatos, o economista João Manuel Cardoso de Mello, que deu aulas para Serra e Dilma, comenta: “A Dilma e o Serra são muito parecidos, têm a mesma visão de mundo. Se houvesse uma reorganização política, eles estariam no mesmo partido. É uma gente que não existe mais na política, gente compromissada com o Brasil. Ambos podem ser enquadrados no conceito inglês de servidor público”. "Não há diferenças essenciais, mas de apresentação. Há um campo comum entre os dois (Serra e Dilma) e divergências na margem", afirma também o economista Luiz Gonzaga Belluzzo.

Cada vez mais iguais no jeito de fazer política
Para além da semelhança programática, PT e PSDB se parecem cada vez mais iguais no jeito de fazer política. A ruptura prometida com a 'Velha República' e inclusive com a 'Nova República', através do surgimento do PT que arrombou a política nacional pela ‘porta dos fundos’ e se apresentou com a grande novidade na política brasileira não se efetivou. O PT e o governo Lula repetem os velhos métodos condenáveis da política nacional, ou seja, o clientelismo e o fisiologismo como regra justificável para se manter a governabilidade.

Se o PSDB tinha o PFL como grande aliado, o PT tem o PMDB. Ambos, PFL e PMDB em seus respectivos momentos de partilha do poder arrancam o que podem – cargos e recursos – para dar sustentação política aos “titulares” do poder. Foi o governo de coalizão que fez ressurgir no cenário nacional figuras que julgavam-se superadas como José Sarney, Jader Barbalho, Romero Jucá, Geddel Oliveira, Collor de Mello, entre outras. Tudo passou a ser justificado pela governabilidade. Registre-se que a tese da governabilidade é um velho argumento conservador. “Todos no Brasil que preferem manter o status quo usam o argumento da governabilidade", afirma Francisco de Oliveira.

Tristemente o PT foi também aos poucos sucumbindo ao centralismo, caciquismo e personalismo. A defendida tese de que os partidos é que devem ser valorizados e não as pessoas foi sendo deixada de lado. A realidade é que o PT foi engolido por Lula. É Lula quem decide, arbitra, define. Tudo passa por ele, do presidente do partido ao candidato à sucessão presidencial.

A candidatura de Dilma Rousseff é uma aposta pessoal de Lula. Dilma nunca foi a candidata do PT, mas o partido aceitou porque também foi “engolido” por Lula, e nome “forte” do partido, José Dirceu, perdeu-se nos meandros do poder de Brasília. Dilma, antes de aportar no PT, passou pelo PDT, partido que rivalizou historicamente com o PT, mas que com a morte de Brizola perdeu força política. Nesse sentido, poder-se-ia afirmar que a candidatura de Dilma é uma ruptura com a própria história do PT, uma ruptura com o seu programa radical transformador.

“A vida partidária no PT está muito ofuscada pela presença dominante de Lula. O presidente tomou conta do partido, que é hoje um instrumento dele”, afirma o sociólogo Werneck Vianna.

Na opinião da pesquisadora Maria Celina d’Araújo, o PT está se transformando em “um partido personalista, como foi o PTB, como foi o PDT de Brizola, não tem espaço para as divergências. Ou acatam a diretriz do chefe ou são considerados desleais, traidores. A política vira uma questão pessoal”. Chico de Oliveira diz algo semelhante: “O PT vai continuar na política como um grupo que se organiza para o poder. Assim como o PMDB, por exemplo. A maneira como o presidente Lula age sobre o partido é caudilhesca. Assim como a maneira que ele se livra das pessoas incomodas”.

A conclusão que se pode chegar é que ao contrário do sistema partidário se fortalecer, assiste-se a um processo de fortalecimento de “lideranças”. Segundo o sociólogo Rudá Ricci, “não há exatamente [hoje] projeto partidário no Brasil, mas e grupos articulados ao redor de uma liderança”. Segundo Rudá, isso vem se dando também no PT: “grupos internos – que o PT, um dia, denominou de correntes – hoje transitam (ao menos os grupos hegemônicos em seus respectivos partidos) por entre partidos e outros agrupamentos que, externamente, parecem adversários”.

Segundo ele, “o Brasil pós-FHC e pós-Lula tem um sistema partidário mais frágil, absolutamente controlado por tais grupos internos, de tipo neopatrimonialista. Lulismo, cada vez mais, independe do PT. Aécio Neves e tucanos paulistas disputam o PSDB, mas já publicou na grande imprensa, por mais de uma vez, que o governador mineiro poderia se deslocar para o PSB ou PMDB, justamente porque é maior que o PSDB. Ciro Gomes foi outra liderança que recentemente demonstrou que é distinto de seu partido, o PSB. Marina Silva é maior que PV, partido que trava com esta liderança um cabo de aço. Até mesmo um aparente partido programático como o PSOL trava uma disputa de foice no escuro a partir de suas estrelas maiores, a começar por Heloísa Helena e Plínio de Arruda Sampaio. O sistema partidário brasileiro é absolutamente corroído pelo personalismo e por projetos de poder pessoais, em todo seu espectro”.

O sociólogo conclui: “Este é o feito político maior de 16 anos de FHC e Lula no poder: a sociedade civil perdeu seu posto e o respeito pelos profissionais da política. A sociedade civil não é tão significativa para definir os rumos do país como no último processo constituinte”.

II-Movimentos Sociais: do ideário da transformação ao pragmatismo?
O posicionamento dos movimentos sociais frente às eleições de 2010 tem muito a ver com pragmatismo e pouco com utopia. A tese é polêmica, mas justifica uma reflexão sobre tema tão espinhoso e que causa arrepios em não poucos.

A preocupação em entender os movimentos sociais é uma constante em nossas análises, e está presente quer de forma temática, quer de maneira transversal. A questão política, mais especificamente, as eleições de outubro próximo, onde deságuam as expectativas e contradições dos movimentos sociais, servem de motivo para tecer algumas considerações a modo de ensaio, pois elas revelam também muito do que é o movimento social brasileiro hoje.

O “imaginário de transformação social” que embalou os principais movimentos sociais e as principais lutas nos anos 1980 se enfraqueceu. A convicção de que a realidade pode ser transformada perdeu a sua força, e o encantamento com a política já não existe mais. Os movimentos sociais vivem uma profunda crise e estão longe de exercerem o protagonismo dos anos 1980 e 1990.

Essas duas últimas décadas do século passado, produziram um vigoroso movimento social reivindicatório, cujo horizonte esteve voltado aos outros e na transformação da realidade, expresso na utopia de que outro Brasil era possível, e que passava, portanto, pelo Estado.

O governo Lula, neste contexto, passa a ser paradigmático. Por um lado, ele atende aos anseios da maior parte dos movimentos sociais e, por outro, contribui para o esgotamento do ideário quando, “a partir dos anos 90, lideranças sociais do país ingressaram na lógica da burocracia estatal e perderam a energia e força moral para impor uma nova lógica política. Abdicaram da ousadia”, como analisa Rudá Ricci.

O pragmatismo do movimento social revela-se na assertiva de que mesmo com todos os problemas, críticas e insatisfações com o governo Lula, têm mais a perder com uma eventual não eleição de Dilma Rousseff. A essa situação, soma-se outra: a autonomia, conceito caro aos movimentos sociais, encontra-se fragilizada ou mesmo relativizada.

Nesse processo de acomodação e enfraquecimento do poder contestatório do movimento social, certamente o mais significativo seja o que ocorreu com o movimento sindical. Segundo Rudá Ricci, “aconteceu uma mudança ideológica muito significativa, iniciada no final da primeira metade dos anos 1990. Alguns sindicalistas datam o período de ingresso na câmara setorial do setor automobilístico como o momento da inflexão. Eu considero que foi o ingresso na Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL) que provocou um grande debate interno. O ingresso na CIOSL ocorreu logo após o ingresso da Força Sindical, o que provocou uma ‘corrida ao pote de ouro’. Para provar sua relevância política, a CUT tinha de abandonar as estruturas paralelas (Departamentos Estaduais e Nacionais, por categoria, como o Departamento Nacional de Trabalhadores Rurais) e direcionar suas forças para filiar confederações e federações, a antiga estrutura sindical. Daí por diante, a ‘curvatura da vara’ não retornou mais ao seu eixo”, diz ele.

O significado desse processo segundo Ricci foi ideológico: “Teoricamente, a CUT deixou de se legitimar pela capacidade de mobilização (mobilismo) para ingressar na legitimação pela capacidade de negociação da agenda estatal. Ora, esta foi a postura da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) pré-1964, o modelo do PCB, o ‘partidão’. A linha oficial do partidão foi, por muito tempo, a de correia de transmissão, em que a organização de base legitimava os dirigentes de cúpula (quase sempre indicados pela direção do partido, como ocorreu com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura [Contag], cujo primeiro presidente não era trabalhador rural)”.

Com a eleição de Lula e o ingresso de vários sindicalistas na estrutura governamental, deu-se um processo ainda maior de acomodação. “A partir daí, convenhamos, não se trata mais de liderança sindical. É um agente governamental”, diz ele.

De fato, na história brasileira nunca um presidente teve uma relação tão cordial com o movimento sindical. Quem mais se aproximou de Lula nessa relação cordata foi Getúlio Vargas, criador da CLT e da estrutura sindical. Vargas, entretanto, enfrentou a contestação do movimento sindical na greve dos 300 mil em 1953 – fato que o empurrou a decidir-se pelo aumento do salário mínimo em 100% para aplacar a ira dos trabalhadores, e nomear João Goulart para o ministério do Trabalho. As duas decisões contribuíram para precipitar o desfecho de agosto de 1954.

Lula, produto da Era Vargas, da estrutura sindical varguista, e liderança emergente do chamado novo sindicalismo que irrompeu nas memoráveis greves do final dos anos 70, é o símbolo de uma geração de sindicalistas que chegou ao poder, e no poder deu visibilidade e reconhecimento ao movimento sindical. Esse reconhecimento manifesta-se pela agenda política e econômica.

Na agenda política registram-se, entre outras iniciativas, as constantes audiências cedidas às Centrais sindicais, o encaminhamento da Reforma Sindical, a institucionalização das Centrais sindicais acompanhado de repasse de recursos, o veto à Emenda 3, a nomeação de ministros indicados pelo movimento sindical – o exemplo maior foi a nomeação de Luiz Marinho como ministro do Trabalho, e posteriormente da Previdência, indicado pela CUT [atualmente prefeito de São Bernardo], e Carlos Luppi, atual ministro do Trabalho, indicado pela Força Sindical.

Na agenda econômica, o governo Lula deu guarida mesmo que com velocidade diminuída a uma antiga reivindicação dos sindicatos: o aumento real do salário mínimo, a correção da tabela do Imposto de Renda, a ampliação do seguro-desemprego, e o mais significativo, o aumento do emprego.

Por conta de algumas de suas políticas, há quem defenda que “Lula levou o getulismo ao extremo”, na medida em que “completou o processo de sujeição dos sindicatos ao Estado, iniciado por Getúlio”. A afirmação é de Ricardo Antunes, que lamenta o fato de que “os trabalhadores perderam uma oportunidade monumental de conseguir ganhos e de ampliarem sua representação social. Os ganhos são de pequena monta, e mesmo assim ocorrem por um preço alto, de servidão ao Estado. Não vejo, nas centrais que recebem dinheiro do governo, nenhuma possibilidade de florescimento do novo”.

Nos últimos anos, as centrais sindicais tiveram dinheiro como nunca. De 2008 para cá, as centrais repartiram entre si R$ 146,5 milhões transferidos pelo governo por meio do imposto sindical, cuja continuidade é uma das exigências das centrais sindicais em troca de apoio eleitoral.

Portanto, essa fartura em polpudos recursos procedentes do Estado, condiciona tanto a autonomia como o ideário político a ser perseguido e defendido. Mas essa não é uma questão que diz respeito apenas ao movimento sindical. Em maior ou menor grau, outras parcelas do movimento social recebem montas significativas de recursos públicos, quer federais, quer estaduais. A continuidade ou não de acesso a esses recursos está em jogo nessas eleições, razão pela qual elas adquirem um cunho pragmático ímpar. “Vários movimentos sociais e organizações populares se enredaram numa forte crise de financiamento e até hoje não acharam uma saída que lhes garanta autonomia política efetiva”, comenta a esse respeito Rudá Ricci.

Em razão dessa dependência, instaura-se uma relação quase esquizofrênica com o governo, que, por um lado, é criticado, mas, por outro, defendido em relação aos “demônios do neoliberalismo”. Ou seja, “tá ruim, mas tá bom”.

Entretanto, mesmo que haja muitas ou grandes semelhanças entre a política econômica de Dilma Rousseff e de José Serra, no trato com o movimento social, poderão existir diferenças mais acentuadas.

O movimento sindical admite que Dilma estará mais distante do movimento sindical que Lula, mas ainda teria maior sensibilidade à sua agenda que Serra, que inclusive se negou a participar das manifestações do 1º de Maio das Centrais Sindicais, onde, certamente, seria vaiado.

Com uma possível vitória do Serra, a relação com o movimento social, certamente, mudaria. Acredita-se que Serra seria mais duro e inflexível nas questões que envolvem tratamento com o movimento social, razão pela qual seriam mais tensionadas. A chances de as manifestações sociais serem tratadas com maior rigor e repressão, seriam grandes.

Outra questão é quais são os projetos de Brasil – se é que as há – dos movimentos sociais que se apresentam para as eleições de outubro próximo. Assiste-se a um esforço muito grande por parte da Assembléia Popular (AP) em forjar um projeto para o Brasil. Parte da militância está mais cética. Segundo Ivo Poletto que participa da coordenação da AP, "há uma frase, repetida nos espaços da Assembleia Popular, que também vive suas crises, que me parece indicar o melhor rumo a ser seguido pelos movimentos sociais: ‘em outubro, nosso candidato é o projeto popular’. Isso significa que não se deverá repetir o equívoco anterior, a saber: apostar todas as fichas em eleições, num partido, num candidato. A prática ensinou que, se não crescer a capacidade sociopolítica dos movimentos sociais, pode-se perder a disputa pela orientação política do governo eleito”.

Então, diz Poletto, “o caminho a ser seguido, e que pode ser permanente e autonomamente definido, é o reforço dos movimentos sociais, aprofundando seu enraizamento em sua base social; capacitando com consciência crítica mais lideranças; avançando na capacidade de trabalhar em rede; articulando-se para ser expressão democratizante do poder popular; democratizando as relações no interior dos movimentos, redes e articulações, para democratizar o Estado através da mobilização política da sociedade brasileira”.iculações, para democratizar o Estado através da mobilização política da sociedade brasileira”.

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Notas:

1 - John Williamson - economista britânico - foi professor no Departamento de Economia da PUC/Rio entre 1978 e 1981, assim como Rudiger Dornbusch, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT); os dois foram figuras centrais na elaboração do ‘Consenso de Washington’. Vários economistas que trabalharam no governo FHC se vincularam ao que se denominou o ‘grupo da universidade católica do rio’. Em torno de John Williamson e Rudiger Dornbusch, se reuniram jovens professores, como Pérsio Arida, que foi presidente do Banco Central no governo FHC, André Lara Resende, que foi presidente do BNDES, Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda. E estudantes promissores como Edward Amadeo (ex-ministro do Trabalho de FHC); Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central de FHC); Armínio Fraga (ex-diretor do Banco Central de FHC).
2 - As afirmações são do sociólogo Francisco Oliveira feitas logo após as eleições. Francisco Oliveira, posteriormente, se afastou do PT. A expressão remete ao fato de que tivermos nos país duas ‘Era’ importantes: a ‘Era Vargas’ e a‘Era FHC’. Esses dois períodos da vida nacional foram distintos em função dos modelos econômicos aplicados. Chama-se ‘Era Vargas’ o conjunto das políticas econômicas e sociais com forte participação do Estado introduzidas no país a partir de 1930, que marcaram de maneira decisiva o processo de industrialização, urbanização e organização da sociedade brasileira. A ‘Era Vargas’ se inicia em 1930 quando Getúlio chega ao poder. Para alguns ela se encerra em 1954 com a morte do presidente, para outros, findou em 1964 com o golpe militar; e para outros, ainda, ela não teria acabado ou estaria em sua fase terminal a partir das políticas neoliberais introduzidas por Collor a partir de 1990 e reafirmadas com vigor pelos dois mandatos sucessivos de FHC, que inaugurou a ‘Era FHC’.
3 - A afirmação é do historiador inglês Eric Hobsbawn em entrevista para o Globo, 13-11-02.
4 - O entusiasmo político com a eleição de Lula se observou na Av. Paulista, onde uma multidão de 50 mil pessoas (multidão superior àquela que saiu às ruas paulistanas para comemorar o pentacampeonato da seleção brasileira), saiu as ruas no dia 27-10-02, para comemorar a vitória do PT.
5 - Fala do ministro José Dirceu numa reunião em maio de 2003 no Diretório Nacional do PT. Sem saber que suas palavras estavam sendo gravadas pela impressa, foi curto e grosso: “nós demos um cavalo-de-pau na economia”.
6 - Entrevista ao Estado de S. Paulo, 4-5-03.

III-Frases da Semana
1º de maio... e Serra
"Convidamos Serra para o evento, mas ele não veio por dois motivos: para que a imprensa fique falando que estamos fazendo política e porque ele não gosta de trabalhador" - Paulo Pereira da Silva, deputado federal - PDT-SP -, presidente da Força Sindical – O Estado de S. Paulo, 02-05-2010.

"O Serra não pode ser eleito porque ele vai retirar o direito dos trabalhadores. Ele precisa assumir o compromisso do que irá fazer com o 13º salário e com o FGTS" - Paulo Pereira da Silva,
deputado federal - PDT-SP -, presidente da Força Sindical – O Estado de S. Paulo, 02-05-2010.

1º de maio... e Dilma
"Nós, sindicalistas, vamos defender a Dilma. Se o Serra achar ruim isso, é problema dele” - Paulo Pereira da Silva, deputado federal - PDT-SP -, presidente da Força Sindical – O Estado de S. Paulo, 02-05-2010.

"Quando eu deixar a Presidência, vou mandar registrar em cartório tudo o que fiz (...), porque quero que quem venha depois de mim - e vocês sabem quem eu quero - saiba que vai ter de fazer mais e melhor" – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – O Estado de S. Paulo, 02-05-2010.

Direita em disputa
“Uma peculiaridade da campanha é que Serra, Dilma e Marina Silva vêm da esquerda. Mas serristas e dilmistas se estapeiam pelo apoio de siglas como PP, PTB, PRB e PSC (de Joaquim Roriz no DF), e uma certeza paira no ar: alguém vai ter que ocupar o espaço "de direita" – Eliane Cantanhêde, jornalista – Folha de S. Paulo, 02-05-2010.

Grande esperança
“Classificar o Brasil como “a grande esperança do Ocidente” pode soar como uma peça publicitária do ufanismo que domina hoje o governo brasileiro, mas quem o faz é o sociólogo francês Alain Touraine, que conhece muito bem o país e sabe do que está falando” – Merval Pereira, jornalista – O Globo, 02-05-2010.

Diferenças?
"Não há diferenças essenciais, mas de apresentação. Há um campo comum entre os dois (Serra e Dilma) e divergências na margem" - Luiz Gonzaga Belluzzo, economista, comentando a política industrial de Dilma e Serra – O Estado de S. Paulo, 25-04-2010.

Palavra de mestre
“De um mestre da política: "Todo serrista envergonhado mente que vai votar na Marina. Mas todo petista arrependido vota mesmo nela” – Jorge Moreno, jornalista – O Globo, 24-04-2010.

Dilma e o MST
"É incorreto e ilegal e não se pode conviver com ilegalidade estando no governo” - Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência da República, comentando a ocupação de prédios públicos pelo MST – O Estado de S. Paulo, 21-04-2010.

“Acho que não é cabível vestir o boné do MST. Governo é governo, movimento é movimento. Não concordo que alguém do governo assuma a bandeira do MST” - Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência da República – O Globo, 21-04-2010.

Dois ministérios
“A turma do Estado Mínimo está tendo faniquitos. O candidato do PSDB, José Serra, já prometeu a criação de dois novos ministérios: o dos Deficientes Físicos e o da Segurança Pública. E a eleição é em outubro” – Ilimar Franco, jornalista – O Globo, 27-04-2010.

Fogo de palha
“Você lembra o que ocorreu com Jirau? Lembra como foi Santo Antônio? Hoje ninguém mais fala nada, e as obras estão sendo tocadas” - Dilma Rousseff, candidata à Presidência da República, comentando que a polêmica sobre a usina de Belo Monte é passageira – O Globo, 27-04-2010.

Mais um
“A Time é apenas mais um veículo estrangeiro de comunicação a incluir o presidente brasileiro entre os líderes mais influentes do mundo. Financial Times, El País, News Week e Le Monde já incluíram Lula em listas desse tipo. O Fórum Econômico Mundial, que Lula combatia com ferocidade quando era um candidato de oposição, deu a ele o título de estadista global” – Rosane de Oliveira, jornalista – Zero Hora, 30-04-2010.

DEM chia
“Ou a revista (Time) ficou louca ou ganhou um patrocínio de uma estatal brasileira” - Paulo Bornhausen, deputado federal - DEM-SC – Zero Hora, 30-04-2010.

Todo-Poderoso

“Lula está navegando na maionese. Ele está se sentindo o Todo-Poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior: ninguém chega para ele e diz “Presidente, tenha calma" - Ciro Gomes, deputado federal - PSB-CE - iG, 23-04-2010.

Em resumo 1
“As três apostas erradas de Ciro foram, em ordem cronológica: a) esperar o apoio dos demais partidos do finado "bloquinho"; b) acreditar que subiria nas pesquisas a ponto de se tornar mais conveniente do que Dilma para Lula; c) contar com a desistência de Serra, o que lhe permitiria fazer um "bem bolado" com Aécio” – Renata Lo Prete, jornalista – Folha de S. Paulo, 24-04-2010.

Em resumo 2
“O erro fatal, porém, foi cair na conversa de Lula e transferir o domicílio eleitoral para São Paulo” - Renata Lo Prete, jornalista – Folha de S. Paulo, 24-04-2010.

Ajuntamento de assaltantes
“O PMDB, como partido, não tem problema. O PMDB tem tantas virtudes e defeitos como qualquer outro. O problema é a hegemonia. O problema é que quem manda no PMDB não tem nenhum escrúpulo, nem ético, nem republicano nem compromisso público. Nada. É um ajuntamento de assaltantes, na minha opinião” – Ciro Gomes, deputado federal – PSB-SP – O Globo, 27-04-2010.

O chefe
“O Michel Temer hoje é o chefe dessa turma, dessa turma de pouco escrúpulo. Sem dúvida” – Ciro Gomes, deputado federal – PSB-SP – O Globo, 27-04-2010.

Mudo
“Quando disseram ao presidente Lula o que o Ciro tinha dito, ele ficou mudo. Eu também vou ficar mudo” — Michel Temer, presidente da Câmara e do PMDB – O Globo, 27-04-2010.

Auto-perdão
"Isso é incrível e uma afronta. Leis de anistia foram tradicionalmente formuladas por aqueles que cometeram crimes, seja qual for o lado. É um auto-perdão que o século XXI não pode mais aceitar" - Fernando Mariño Menendez, jurista espanhol – O Estado de S. Paulo, 01-05-2010.

Isolado
"O Brasil está ficando isolado. Parece que, como na Espanha, as forças que rejeitam olhar para o passado estão prevalecendo” - Fernando Mariño Menendez, jurista espanhol – O Estado de S. Paulo, 01-05-2010.

Direção contrária
"Há um consenso entre os órgãos da ONU de que não se deve apoiar ou mesmo proteger leis de anistia. Com a decisão tomada pelo Supremo, o País está indo na direção contrária à tendência latino-americana de julgar seus torturadores e o consenso na ONU de lutar contra a impunidade" - Luis Gallegos Chiriboga, equatoriano, perito da ONU – O Estado de S. Paulo, 01-05-2010.

Para lembrar
“Só para lembrar. Anistia não é amnésia, embora a raiz seja a mesma. Perdoar sim, esquecer jamais” – Zuenir Ventura, escritor – O Globo, 01-05-2010.

Único
“O Brasil é o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os homens que se excederam na ditadura torturando e matando” – Pedro Simon, senador – PMDB –RS – Zero Hora, 27-04-2010.

Evo e os frangos
“E é por isso que os homens que comem esses frangos têm desvios em seu ser como homens” – Evo Morales, presidente da Bolívia, condenando os frangos produzidos industrialmente – O Globo, 22-04-2010.

“”O Ocidente nos traz cada vez mais veneno. Em 50 anos, todos os homens que consumirem esses alimentos serão carecas. Os europeus sofrem muito de calvície por causa disso. Os índios, não” - Evo Morales, presidente da Bolívia, condenando os frangos produzidos industrialmente – O Globo, 22-04-2010.

Capitalismo e a Terra
“Ou morre o capitalismo ou morre a Terra” - Evo Morales, presidente da Bolívia, condenando os frangos produzidos industrialmente – O Globo, 22-04-2010.

Candidato
“Desde que cheguei à Presidência tivemos 11 eleições para diversos cargos e daqui a dois anos e meio teremos eleição presidencial. Eleição depende da soberania popular. Se a população venezuelana e o meu partido quiserem, serei candidato novamente" – Hugo Chávez, presidente da Venezuela – Valor, 29-04-2010.

Deixar o poder?
"Não tenho previsto isso (deixar o poder). Não tenho sucessor à vista no momento nem um processo de sucessão" – Hugo Chávez, presidente da Venezuela – O Estado de S. Paulo, 29-04-2010.

Chávez
"Eu só não fui crucificado, porque faltava madeira para fazer cruz" – Lula lembrando a primeira vez em que defendeu o presidente venezuelano, em 2002, após a tentativa de golpe sofrida por Chávez – Valor, 29-04-2010.

Evo
"Se tivermos que eleger um rosto para personificar o avanço democrático na América Latina, eu elegeria o presidente Evo Morales. Não há nada mais justo do que a Bolívia, um país com 70% da população indígena, ser governada por um índio" – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – Valor, 29-04-2010.

Lugo de hoje
“O Lugo de hoje não é o Lugo que se elegeu há dois anos. Ele não é transparente, tem ações imprevisíveis e, apesar de carismático, se mostra incapaz de governar e tomar decisões” - Bernardino Cano Radil, sociólogo da Universidade Nacional de Assunção – O Globo, 27-04-2010.

Anti-imigrante
"Pode-se imaginar a situação: você é um americano hispânico no Arizona e seus antepassados podem ter vivido ali antes mesmo de o Arizona se tornar um estado. Mas, se o cidadão não está com seus documentos e sai com os filhos para tomar um sorvete, pode ser abordado pela policia, isso é algo que pode acontecer" – Barack Obama, presidente dos EUA, criticando a projeto de lei anti-migrantes do Arizona – Valor, 29-04-2010.

Santo de casa...
“"A Veja não gosta de mim, mas a revista Time gosta!" Lula, ao saber que a publicação americana colocou seu nome na lista de líderes mais influentes do mundo” - Tutty Vasques, jornalista – O Estado de S. Paulo, 30-04-2010.

Algo vai aparecer...
“Ir ao médico causa tanta apreensão quanto ir ao mecânico: se examinar bem, alguma coisa vai aparecer” – Paulo Sant’Ana, jornalista – Zero Hora, 22-04-2010.

Aliso...
“Meu cabelo é meio enrolado. Aí tem que alisar para o moicano espetar. E também pinto de loiro. Sou meio maluco, né?” - Neymar, jogador de futebol – O Estado de S. Paulo, 26-04-2010.

e depilo
“Depilo as pernas com uma maquininha. Da canela até as coxas. Acho que fica melhor assim. Ah, e faço o pé com a podóloga do CT (Centro de Treinamento do Santos). E, olha aqui, meu pé até que é bonitinho, né? O pessoal costuma ter a unha preta. Eu, não” - Neymar, jogador de futebol – O Estado de S. Paulo, 26-04-2010.

Conjuntura

Conjuntura da Semana. Instituto Humanitas Unisinos - IHU.



I-PT-PSDB. Diferenças menores do que se pensa
Em 2010, o PT e o PSDB disputarão pela quinta vez consecutiva a Presidência da República. Em duas delas (1994 e 1998), o PSDB levou a melhor; nas duas seguintes (2002 e 2006), ganhou o PT. Os dois partidos perdem em tamanho para o PMDB, partido que reúne o maior número de parlamentares no Congresso e mandatos no executivo em âmbito municipal e estadual, porém, PT e PSDB, já há algum tempo polarizam a política nacional. Os demais partidos, com poucas exceções, gravitam em torno de ambos.

PT e PSDB são partidos novos, surgem nos anos 1980 no denominado período da redemocratização brasileira, porém suas histórias começam bem antes e estão vinculados à modernização conservadora da sociedade brasileira. É impensável pensar o PT e o PSDB sem a Era Vargas, os anos JK, o período autoritário, e recentemente, a inserção do país na economia mundial. O amadurecimento que permite a origem desses partidos tem a ver por um lado com o amadurecimento tardio do capitalismo brasileiro e, por outro, e consoante a essa dinâmica, com o surgimento de uma forte sociedade civil.

Em que pese a intensa e já histórica disputa que travam, os ataques verbais e acusações que trocam mutuamente e permanentemente, as diferenças dos partidos, principalmente programática e de método – o jeito de se fazer política –, são menores do que se pensa. A afirmação pode parecer pouco compreensível e anacrônica ainda mais às vésperas das eleições e, sobretudo, quando se ouve reiteradamente que as eleições colocarão em disputa diferentes projetos políticos. A interpretação de que PT e PSDB são como óleo e água é propagada principalmente pelos movimentos sociais, e de fato a partir do olhar do movimento social há diferenças que se justificam, porém, a defesa dessa tese já não se faz apenas a partir de argumentos ideológicos como se via nos anos 90; hoje outros argumentos de viés pragmático somam-se aos anteriores como veremos à frente.

Na linha da tese de que as diferenças entre PT e PSDB não são programáticas, há aqueles que acreditam que no futuro os dois partidos estarão juntos. Na análise provocativa do sociólogo Rudá Ricci, “PT e PSDB continuam, por força do passado recente e ânsia de poder, a polarizar (...), mas ousaria dizer que este mito fundacional parece estar se corroendo aceleradamente”. Rudá cita o sociólogo francês Alain Touraine que “chegou a afirmar que o futuro do Brasil seria a união dos irmãos siameses, PT e PSDB”. Segundo o sociólogo brasileiro, “em 2004, Touraine afirmou que os governos de FHC e Lula faziam parte de um mesmo projeto, mesmo que não sendo exatamente iguais”.
Rudá lembra que “nas últimas eleições municipais, PT e PSDB se aliaram em 1.058 municípios (sendo que em 55 os petistas encabeçaram a chapa e em 46 foram os tucanos os cabeças de chapa, ocorrendo coligações nos outros 688 casos sem que PT ou PSDB estivessem á frente da disputa do executivo; em 161 municípios, PT apoiou informalmente as chapas encabeçadas pelo PSDB e em 108 casos ocorreu o inverso) e venceram em 245, governando juntos”. Cita ainda o caso de Minas Gerais, onde “os dois partidos que parecem externamente inconciliáveis governam 123 cidades”. O caso mais emblemático é o de Belo Horizonte, no qual após um acordo entre Aécio Neves (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) governam juntos, mesmo que indiretamente.

O sociólogo lembra ainda o fato de PT e PSDB terem formado recentemente a mesa diretora da Câmara Federal. Lembra também “a pregação pela aproximação dos dois partidos que o governador Aécio Neves e o ministro Tarso Genro fizeram nos últimos dois anos”.

Rudá Ricci faz um alerta: “que os militantes mais incautos se aprumem”, porque segundo ele, “a possibilidade de aliança e até mesmo coalizão entre tucanos (talvez, envolvendo tucanos não paulistas) e lulistas é mais certa do que ano eleitoral pode sugerir”. Na opinião do sociólogo, “os obstáculos para a aproximação são cada vez menores e os líderes partidários historicamente inimigos já fazem parte de uma geração de políticos que começa a dar sinais de seus últimos movimentos e são paulatinamente substituídos por lideranças mais técnicas e profissionais. Este é o caso da geração de Aécio Neves, Eduardo Campos, Eduardo Paes, Jacques Wagner, para citar alguns novos líderes que entram na cena política e que até então estavam no banco de reservas”.

Segundo Ricci, os “obstáculos de hoje são poucos”, entretanto, “dois são mais difíceis de serem removidos: a herança privatista da gestão FHC e a gana de poder de tucanos e petistas paulistas”. Cita ainda um terceiro obstáculo que já está sendo removido paulatinamente: “a disposição de enfrentamento dos militantes de base e dos cargos de confiança de ambos os partidos”, que estaria diminuindo. O “complicador, em sua opinião, é o perfil excessivamente agressivo e arrogante das lideranças paulistas, que se distinguem da tendência à concertação do restante do país”.

O sociólogo lembra a polarização eleitoral deste ano e que segundo ele não envolve efetivamente o país: “Não se trata de uma escolha democrática, que nasce do seio da sociedade. Trata-se de um arranjo entre grupos, em que o lulismo solapou tantos outros candidatos petistas (Antonio Palocci, José Dirceu, Marta Suplicy, Fernando Haddad, Tarso Genro, para citar alguns) e tucanos paulistas solaparam a candidatura tucana mais festejada, a de Aécio Neves”.

Matriz paulista. Representação financista e produtivista
A tese de Rudá Ricci – de que PT e PSDB estarão juntos muito antes do que se pensa – pode parecer à primeira vista provocativa, porém, instiga uma releitura da trajetória dos dois partidos. Faz algum tempo circulam análises de que PT e PSDB são estampas da matriz paulista – o “motor” do capitalismo brasileiro – e com o advento da nova ordem econômica internacional, a globalização, a representação financista (PSDB) e produtivista (PT) fizeram com que os mesmos se aproximassem programaticamente.

Vale aqui lembrar a análise do sociólogo Francisco Oliveira, de que os dirigentes de PT e PSDB são metades de uma mesma laranja. Segundo ele, "a partir da entrada do Brasil no processo de globalização, os tucanos promoveram as privatizações e ganharam prestígio e poder nas empresas privatizadas. Muitos ocupam altos postos nessas empresas. Já os ex-sindicalistas ligados a Lula têm funções importantes nos fundos de pensão, que são grandes investidores nessas empresas. Formam uma espécie de nova classe social, nesse processo de globalização financeira".

Algo semelhante pensa Luiz Werneck Viana, para quem “o PT e o PSDB nasceram no mesmo lugar, São Paulo, lugar por excelência do mercado, do liberalismo, do anti-Estado”. Segundo ele, “a matriz paulista do PT e do PSDB remete para as suas fortes ligações com o capital produtivo e financeiro. Particularmente, o PT paulista é tributário de um determinado tipo de relação capital-trabalho que não contempla quem está fora dela, daí o pouco apetite de Lula em promover rupturas incisivas e contentar-se com as políticas compensatórias na área social”. A partir dessa perspectiva, Fernando Henrique Cardoso teria governado oito anos a partir dos interesses paulistas articulados aos interesses do capital financeiro internacional, e Lula a partir da aliança “trabalho-capital” (capital produtivo) sem, entretanto, afrontar os interesses do capital financeiro.

A análise anterior é factível, considerando-se que o PT no governo não rompeu com a política econômico-financeira do PSDB e tratou de juntar à ortodoxia econômica políticas sociais de forte incidência junto aos mais pobres; agora tampouco, o PSDB romperá com as políticas sociais do PT.

Faz poucos dias José Serra anunciou que manterá o Bolsa-Família: "Eu vou manter e reforçar o Bolsa-Família porque é uma coisa que funcionou", disse ele. Assim como os banqueiros não apresentam resistências a candidatura de Dilma, aliás, recentemente um deles afirmou: "O risco de surpresa hoje vem do PSDB, e não do PT", disse Roberto Padovani, do banco West LB, sobre o fato de Dilma Rousseff ter vindo a público para dizer que manteria o tripé básico da política econômica e Serra, ainda não.

PSDB e PT. Trajetórias distintas que se cruzam
A vinculação do PSDB com os interesses financistas não é gratuita. A idéia de que os tucanos construíram fortes relações com o mercado financeiro é oriunda dos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) e do modelo econômico aplicado que pode ser definido como ‘inserção subordinada no mercado internacional’.

Os anos 1980 foram considerados a década perdida na economia mundial, particularmente na América Latina. No Brasil, a economia ficou estagnada, aumentou a recessão e o desemprego. Uma das propostas para se combater a crise econômica e retomar o crescimento foi apresentado num paper redigido por John Williamson (n.1), em 1989. Neste documento, o economista listava algumas recomendações dirigidas aos países dispostos a reformar suas economias para voltarem a crescer. Os pontos abordados e recomendados: disciplina fiscal, reforma tributária, taxas de juros, taxas de câmbio, abertura comercial, investimento direto estrangeiro, privatização, desregulação, direito de propriedade. O conjunto dessas políticas defendia na essência a retirada do Estado das atividades produtivas e a total liberdade ao mercado. Os países que seguissem à risca essas orientações, encontrariam novamente o “El Dorado” perdido, isto é, o caminho para o crescimento econômico.

Cinco anos depois do lançamento do ‘Consenso de Washington’ em 1994, FHC assume a presidência do Brasil e adota com vigor a agenda do ‘Consenso de Washington’. Uma ‘revolução silenciosa’ se processa no país. Abertura do mercado, privatizações, ajuste fiscal, reformas na legislação social. O governo FHC assume as orientações do Consenso de Washington como o caminho para voltar a crescer e distribuir renda. A reorganização do capitalismo brasileiro realizada no governo FHC significou uma ruptura com o modelo de desenvolvimento que se desenhou no país a partir dos anos 30 – a Era Vargas – no qual o Estado jogou um papel decisivo. A agenda fundada no período FHC se orienta pelo trinômio: abertura econômica, privatização e desregulamentação do Estado.

O PSDB impulsionou a metamorfose de um Estado empresário para um Estado regulador – na visão dos tucanos condição necessária para o retorno do crescimento econômico e para que o país pudesse se inserir de forma competitiva no mercado internacional. Em poucos anos promoveram-se alterações constitucionais significativas, a mais importante foi a reformulação do capítulo constitucional sobre a economia. O Estado deixou de ser o principal indutor da economia e delegou esse papel para o mercado.

Os anos 90 ficaram conhecidos como a década neoliberal e significaram a capitulação e a rendição ao receituário neoliberal, ou ainda, a vitória do mercado e do pensamento único. Os dois mandatos de FHC (1994-2002) aprofundaram as orientações do Consenso de Washington: desregulação do Estado, quebra de monopólios, venda de empresas estatais, tentativas reiteradas de desmonte da CLT. O país tornou-se o paraíso para investimentos internacionais que assumiram o filé mignon de setores estratégicos (finanças, telefonia, mineração, energia). Paralelo a esse processo de desfibração do Estado, os movimentos sociais passaram a ser criminalizados e desqualificados como forças reacionárias contrárias à modernização do país.

Os anos FHC redundaram em mais uma década perdida sob a perspectiva do crescimento econômico. O modelo econômico da inserção competitiva na economia internacional fracassou, revelou-se como integração passiva e foi derrotado nas eleições de 27 de outubro de 2002.

Foi nesse contexto de fortes críticas ao modelo encetado pelos tucanos que se deu a vitória do PT. A vitória de Lula – nas primeiras eleições brasileiras após a década neoliberal, em 27 de outubro de 2002 – foi saudada como a possibilidade de uma ‘refundação do Brasil’, o início de uma ‘Nova Era’ (n.2) e ‘uma reação ao Consenso de Washington’ (n.3).

A chegada de Lula ao poder foi vista mundo afora, particularmente na América Latina, com enorme expectativa em função do que sempre representou o PT no cenário político latino-americano – a representação da longa caminhada feita pelos movimentos sociais (sindical, popular, pastoral) -, e principalmente em função da possibilidade de se trilhar outros caminhos à ortodoxia neoliberal.

Em seu pronunciamento mais importante após a eleição, no pronunciamento intitulado ‘Compromisso com a Mudança’, Lula sintetizou essa enorme expectativa: “o Brasil votou para mudar”, sintonizando-se com a fantástica energia política liberada com sua eleição (n.4).

Lula assume, entretanto, um país vinculado à nova lógica internacional. Realidade essa que se manifesta pela pressão exercida pelo mercado financeiro. Logo após a eleição de Lula, o mercado financeiro rapidamente estabelece a sua pauta: 1- no orçamento de 2003, o superávit primário (despesas menos receitas), deve ser no mínimo de 4% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB), 2 - as reformas da Previdência e tributária são essenciais para equilibrar as contas públicas; 3 - o novo governo não deve ceder às pressões de estados e municípios para renegociar o pagamento da dívida com a União; 4 - os nomes que comporão a equipe econômica precisam inspirar credibilidade.

Lula assume e dá um “cavalo-de-pau na economia” (n. 5 ). Por ‘cavalo-de-pau’, entenda-se o aumento da taxa de juros de 25% para 25,5% e depois 26,5%. O aumento do superávit primário, de 3,5% para 3,75% e posteriormente para 4,25%, e cortes no orçamento no montante de R$ 14 bilhões que chegaram a atingir a área social. O ‘cavalo-de-pau’ foi dado com receio que a crise econômica se agravasse com a inflação recrudescendo, o dólar a US$ 4,00 e o risco brasil aumentando. Porém ainda antes, o PT tratou logo de acalmar o mercado financeiro nomeando para a presidência do Banco Central, o banqueiro Henrique Meirelles (ex-presidente internacional do Banco de Boston). A indicação de Meirelles foi sinalizada em Washington (EUA) na primeira viagem de Lula aos EUA.

O PT para justificar a guinada na política econômica invocou a ‘Carta ao Povo Brasileiro’ – conhecida também como ‘Carta de Ribeirão Preto’, lançada no dia 22-06-02. O documento escrito às pressas, mas calculadamente nas eleições de 2002, reafirma o compromisso do governo Lula em honrar os pagamentos com os credores. Ficou evidente que a orientação político-econômica do governo Lula imprimida em seu governo foi a manutenção da macroeconomia do governo anterior, tendo como pilares a disciplina fiscal e monetária. Os sinais foram abundantes: aumento na taxa de juros, aumento do superávit primário, cortes no orçamento que atingiram a área social, renovação do acordo com o FMI, entre outros.

Essa guinada do PT na política econômica surpreendeu a muitos, inclusive instituições internacionais. Vinod Thomas, diretor do Banco Mundial para o Brasil à época, não escondeu a sua admiração pelo novo governo: “nos primeiros meses, Lula mostrou, até mais que a ênfase no social, a responsabilidade macroeconômica”, disse ele (n.6). A possibilidade de se juntar o social com a ortodoxia econômica passou a ser chamada de pós-Consenso de Washington. É essa particular experiência que passa a acontecer no Brasil que entusiasma o Banco Mundial.
O governo Lula passa a ser o grande modelo de governo mundial, um governo capaz de unir o que antes era impensável: o mercado com o social. Por um lado, preservam-se os interesses da banca financeira, e por outro, atende-se os pobres com o Bolsa-Família – um vigoroso programa social que distribui renda para mais de 12 milhões de famílias brasileiras. A síntese dessa singularidade é manifesta pelo livre trânsito de Lula no Fórum Social Mundial e no Fórum Econômico Mundial. Em ambos, Lula é aplaudido.

Porém, é insuficiente afirmar que o governo Lula apenas acresceu ao modelo econômico rentista dos tucanos políticas de mitigação da pobreza. Lula também alterou o papel do Estado. Ao projeto econômico de corte neoliberal do governo anterior intitulado de ‘inserção subordinada à economia internacional’, o governo atual respondeu com a retomada do modelo econômico ‘nacional-desenvolvimentista’ – política econômica na qual o Estado exerce um forte papel indutor na perspectiva do crescimento econômico –, com significações semelhantes e distintas daquele adotado a partir dos anos 30.

O modelo neo-desenvolvimentista atual caracteriza-se por duas vertentes. Por um lado, tem-se o Estado financiador que, utilizando o seu banco estatal, o BNDES e os fundos de pensão, exerce o papel de indutor do crescimento econômico fortalecendo grupos privados em setores estratégicos. Por outro, tem-se o Estado investidor responsável pelo investimento em mega-obras de infra-estrutura que se manifesta no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Porém, diferentemente do nacional-desevolvimentismo da Era Vargas, o Estado não é o proprietário de empresas, mas se torna a principal alavanca para criar gigantes privados que tenham capacidade de disputa no mercado interno e internacional. Destaque-se ainda que ao lado do Estado financiador e do Estado investidor, tem-se o ‘Estado Social’, de que se falou anteriormente.

A junção dos interesses do capital financeiro, que foram preservados no governo Lula, com o capital produtivo manifesto no Estado investidor e financeiro, somados ao Estado provedor de políticas sociais, redundou nas altas taxas de popularidades do governo Lula em algo insólito: um presidente que é reconhecido e admirado por um lado pelos grandes banqueiros e empresários, e por outro, mitificado pelos mais pobres. Lula tornou-se quase uma unanimidade e contrários as raízes anti-populistas do PT – crítico do getulismo e brizolismo – deu origem ao fenômeno do lulismo.

Nos últimos dias Lula tem dito: "Quando eu deixar a Presidência, vou mandar registrar em cartório tudo o que fiz (...), porque quero que quem venha depois de mim saiba que vai ter de fazer mais e melhor.

O resultado de oito anos do governo Lula afirmaram o modelo neo-desenvolvimentista como a rota a ser seguida. A junção do capital financeiro com o capital produtivo acrescido de políticas sociais de mitigação da pobreza tornou-se a plataforma comum a ser perseguida pelos candidatos à presidente. É em função dessa lógica que se pode afirmar que não há diferenças programáticas substancias entre a candidatura de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).

Serra já mais de uma vez manifestou que defende a presença do Estado na economia diferentemente do que pregavam FHC em Alckmin. “A turma do Estado Mínimo está tendo faniquitos. O candidato do PSDB, José Serra, já prometeu a criação de dois novos ministérios: o dos Deficientes Físicos e o da Segurança Pública. E a eleição é em outubro”, afirma o jornalista Ilimar Franco.

O fato é que ganhe Dilma ou ganhe Serra, ambos são vistos como continuadores das bases políticas e econômicas do governo Lula. O próprio Lula tem repetido isso à exaustão: "Feliz do país que vai ter uma disputa que pode ter Dilma, Serra, Marina, Aécio. Houve no país um avanço qualitativo nas disputas eleitorais. O Fernando Henrique e eu já fomos um avanço extraordinário” disse recentemente o presidente. Em outro momento afirmou: “O Brasil está vivendo um momento rico, porque se a disputa se der entre Serra e Dilma, entre Marina Silva e Ciro, é um avanço extraordinário”.

Aliás, não são poucos os observadores da política nacional que vêem um processo de igualamento entre o PT e o PSDB: “O PT iguala-se cada vez mais ao PSDB”, analisa o cientista político Peter Kingstone, diretor do Centro de Estudos sobre América Latina e Caribe da Universidade de Connecticut. Segundo Kingstone, “tanto Serra quanto Dilma Rousseff representam a mesma possibilidade de mudança. Ambos têm forte orientação nacionalista. Com a eleição de um deles, o papel do governo assumirá uma direção mais nacionalista. Será uma mudança em relação às gestões de Lula e FHC. Não vejo uma vitória de Serra como uma guinada para a direita. A gestão Lula tem sido nacionalista mais na retórica do que na realidade”.

Corroborando a semelhança entre os candidatos, o economista João Manuel Cardoso de Mello, que deu aulas para Serra e Dilma, comenta: “A Dilma e o Serra são muito parecidos, têm a mesma visão de mundo. Se houvesse uma reorganização política, eles estariam no mesmo partido. É uma gente que não existe mais na política, gente compromissada com o Brasil. Ambos podem ser enquadrados no conceito inglês de servidor público”. "Não há diferenças essenciais, mas de apresentação. Há um campo comum entre os dois (Serra e Dilma) e divergências na margem", afirma também o economista Luiz Gonzaga Belluzzo.

Cada vez mais iguais no jeito de fazer política
Para além da semelhança programática, PT e PSDB se parecem cada vez mais iguais no jeito de fazer política. A ruptura prometida com a 'Velha República' e inclusive com a 'Nova República', através do surgimento do PT que arrombou a política nacional pela ‘porta dos fundos’ e se apresentou com a grande novidade na política brasileira não se efetivou. O PT e o governo Lula repetem os velhos métodos condenáveis da política nacional, ou seja, o clientelismo e o fisiologismo como regra justificável para se manter a governabilidade.

Se o PSDB tinha o PFL como grande aliado, o PT tem o PMDB. Ambos, PFL e PMDB em seus respectivos momentos de partilha do poder arrancam o que podem – cargos e recursos – para dar sustentação política aos “titulares” do poder. Foi o governo de coalizão que fez ressurgir no cenário nacional figuras que julgavam-se superadas como José Sarney, Jader Barbalho, Romero Jucá, Geddel Oliveira, Collor de Mello, entre outras. Tudo passou a ser justificado pela governabilidade. Registre-se que a tese da governabilidade é um velho argumento conservador. “Todos no Brasil que preferem manter o status quo usam o argumento da governabilidade", afirma Francisco de Oliveira.

Tristemente o PT foi também aos poucos sucumbindo ao centralismo, caciquismo e personalismo. A defendida tese de que os partidos é que devem ser valorizados e não as pessoas foi sendo deixada de lado. A realidade é que o PT foi engolido por Lula. É Lula quem decide, arbitra, define. Tudo passa por ele, do presidente do partido ao candidato à sucessão presidencial.

A candidatura de Dilma Rousseff é uma aposta pessoal de Lula. Dilma nunca foi a candidata do PT, mas o partido aceitou porque também foi “engolido” por Lula, e nome “forte” do partido, José Dirceu, perdeu-se nos meandros do poder de Brasília. Dilma, antes de aportar no PT, passou pelo PDT, partido que rivalizou historicamente com o PT, mas que com a morte de Brizola perdeu força política. Nesse sentido, poder-se-ia afirmar que a candidatura de Dilma é uma ruptura com a própria história do PT, uma ruptura com o seu programa radical transformador.

“A vida partidária no PT está muito ofuscada pela presença dominante de Lula. O presidente tomou conta do partido, que é hoje um instrumento dele”, afirma o sociólogo Werneck Vianna.

Na opinião da pesquisadora Maria Celina d’Araújo, o PT está se transformando em “um partido personalista, como foi o PTB, como foi o PDT de Brizola, não tem espaço para as divergências. Ou acatam a diretriz do chefe ou são considerados desleais, traidores. A política vira uma questão pessoal”. Chico de Oliveira diz algo semelhante: “O PT vai continuar na política como um grupo que se organiza para o poder. Assim como o PMDB, por exemplo. A maneira como o presidente Lula age sobre o partido é caudilhesca. Assim como a maneira que ele se livra das pessoas incomodas”.

A conclusão que se pode chegar é que ao contrário do sistema partidário se fortalecer, assiste-se a um processo de fortalecimento de “lideranças”. Segundo o sociólogo Rudá Ricci, “não há exatamente [hoje] projeto partidário no Brasil, mas e grupos articulados ao redor de uma liderança”. Segundo Rudá, isso vem se dando também no PT: “grupos internos – que o PT, um dia, denominou de correntes – hoje transitam (ao menos os grupos hegemônicos em seus respectivos partidos) por entre partidos e outros agrupamentos que, externamente, parecem adversários”.

Segundo ele, “o Brasil pós-FHC e pós-Lula tem um sistema partidário mais frágil, absolutamente controlado por tais grupos internos, de tipo neopatrimonialista. Lulismo, cada vez mais, independe do PT. Aécio Neves e tucanos paulistas disputam o PSDB, mas já publicou na grande imprensa, por mais de uma vez, que o governador mineiro poderia se deslocar para o PSB ou PMDB, justamente porque é maior que o PSDB. Ciro Gomes foi outra liderança que recentemente demonstrou que é distinto de seu partido, o PSB. Marina Silva é maior que PV, partido que trava com esta liderança um cabo de aço. Até mesmo um aparente partido programático como o PSOL trava uma disputa de foice no escuro a partir de suas estrelas maiores, a começar por Heloísa Helena e Plínio de Arruda Sampaio. O sistema partidário brasileiro é absolutamente corroído pelo personalismo e por projetos de poder pessoais, em todo seu espectro”.

O sociólogo conclui: “Este é o feito político maior de 16 anos de FHC e Lula no poder: a sociedade civil perdeu seu posto e o respeito pelos profissionais da política. A sociedade civil não é tão significativa para definir os rumos do país como no último processo constituinte”.

II-Movimentos Sociais: do ideário da transformação ao pragmatismo?
O posicionamento dos movimentos sociais frente às eleições de 2010 tem muito a ver com pragmatismo e pouco com utopia. A tese é polêmica, mas justifica uma reflexão sobre tema tão espinhoso e que causa arrepios em não poucos.

A preocupação em entender os movimentos sociais é uma constante em nossas análises, e está presente quer de forma temática, quer de maneira transversal. A questão política, mais especificamente, as eleições de outubro próximo, onde deságuam as expectativas e contradições dos movimentos sociais, servem de motivo para tecer algumas considerações a modo de ensaio, pois elas revelam também muito do que é o movimento social brasileiro hoje.

O “imaginário de transformação social” que embalou os principais movimentos sociais e as principais lutas nos anos 1980 se enfraqueceu. A convicção de que a realidade pode ser transformada perdeu a sua força, e o encantamento com a política já não existe mais. Os movimentos sociais vivem uma profunda crise e estão longe de exercerem o protagonismo dos anos 1980 e 1990.

Essas duas últimas décadas do século passado, produziram um vigoroso movimento social reivindicatório, cujo horizonte esteve voltado aos outros e na transformação da realidade, expresso na utopia de que outro Brasil era possível, e que passava, portanto, pelo Estado.

O governo Lula, neste contexto, passa a ser paradigmático. Por um lado, ele atende aos anseios da maior parte dos movimentos sociais e, por outro, contribui para o esgotamento do ideário quando, “a partir dos anos 90, lideranças sociais do país ingressaram na lógica da burocracia estatal e perderam a energia e força moral para impor uma nova lógica política. Abdicaram da ousadia”, como analisa Rudá Ricci.

O pragmatismo do movimento social revela-se na assertiva de que mesmo com todos os problemas, críticas e insatisfações com o governo Lula, têm mais a perder com uma eventual não eleição de Dilma Rousseff. A essa situação, soma-se outra: a autonomia, conceito caro aos movimentos sociais, encontra-se fragilizada ou mesmo relativizada.

Nesse processo de acomodação e enfraquecimento do poder contestatório do movimento social, certamente o mais significativo seja o que ocorreu com o movimento sindical. Segundo Rudá Ricci, “aconteceu uma mudança ideológica muito significativa, iniciada no final da primeira metade dos anos 1990. Alguns sindicalistas datam o período de ingresso na câmara setorial do setor automobilístico como o momento da inflexão. Eu considero que foi o ingresso na Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL) que provocou um grande debate interno. O ingresso na CIOSL ocorreu logo após o ingresso da Força Sindical, o que provocou uma ‘corrida ao pote de ouro’. Para provar sua relevância política, a CUT tinha de abandonar as estruturas paralelas (Departamentos Estaduais e Nacionais, por categoria, como o Departamento Nacional de Trabalhadores Rurais) e direcionar suas forças para filiar confederações e federações, a antiga estrutura sindical. Daí por diante, a ‘curvatura da vara’ não retornou mais ao seu eixo”, diz ele.

O significado desse processo segundo Ricci foi ideológico: “Teoricamente, a CUT deixou de se legitimar pela capacidade de mobilização (mobilismo) para ingressar na legitimação pela capacidade de negociação da agenda estatal. Ora, esta foi a postura da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) pré-1964, o modelo do PCB, o ‘partidão’. A linha oficial do partidão foi, por muito tempo, a de correia de transmissão, em que a organização de base legitimava os dirigentes de cúpula (quase sempre indicados pela direção do partido, como ocorreu com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura [Contag], cujo primeiro presidente não era trabalhador rural)”.

Com a eleição de Lula e o ingresso de vários sindicalistas na estrutura governamental, deu-se um processo ainda maior de acomodação. “A partir daí, convenhamos, não se trata mais de liderança sindical. É um agente governamental”, diz ele.

De fato, na história brasileira nunca um presidente teve uma relação tão cordial com o movimento sindical. Quem mais se aproximou de Lula nessa relação cordata foi Getúlio Vargas, criador da CLT e da estrutura sindical. Vargas, entretanto, enfrentou a contestação do movimento sindical na greve dos 300 mil em 1953 – fato que o empurrou a decidir-se pelo aumento do salário mínimo em 100% para aplacar a ira dos trabalhadores, e nomear João Goulart para o ministério do Trabalho. As duas decisões contribuíram para precipitar o desfecho de agosto de 1954.

Lula, produto da Era Vargas, da estrutura sindical varguista, e liderança emergente do chamado novo sindicalismo que irrompeu nas memoráveis greves do final dos anos 70, é o símbolo de uma geração de sindicalistas que chegou ao poder, e no poder deu visibilidade e reconhecimento ao movimento sindical. Esse reconhecimento manifesta-se pela agenda política e econômica.

Na agenda política registram-se, entre outras iniciativas, as constantes audiências cedidas às Centrais sindicais, o encaminhamento da Reforma Sindical, a institucionalização das Centrais sindicais acompanhado de repasse de recursos, o veto à Emenda 3, a nomeação de ministros indicados pelo movimento sindical – o exemplo maior foi a nomeação de Luiz Marinho como ministro do Trabalho, e posteriormente da Previdência, indicado pela CUT [atualmente prefeito de São Bernardo], e Carlos Luppi, atual ministro do Trabalho, indicado pela Força Sindical.

Na agenda econômica, o governo Lula deu guarida mesmo que com velocidade diminuída a uma antiga reivindicação dos sindicatos: o aumento real do salário mínimo, a correção da tabela do Imposto de Renda, a ampliação do seguro-desemprego, e o mais significativo, o aumento do emprego.

Por conta de algumas de suas políticas, há quem defenda que “Lula levou o getulismo ao extremo”, na medida em que “completou o processo de sujeição dos sindicatos ao Estado, iniciado por Getúlio”. A afirmação é de Ricardo Antunes, que lamenta o fato de que “os trabalhadores perderam uma oportunidade monumental de conseguir ganhos e de ampliarem sua representação social. Os ganhos são de pequena monta, e mesmo assim ocorrem por um preço alto, de servidão ao Estado. Não vejo, nas centrais que recebem dinheiro do governo, nenhuma possibilidade de florescimento do novo”.

Nos últimos anos, as centrais sindicais tiveram dinheiro como nunca. De 2008 para cá, as centrais repartiram entre si R$ 146,5 milhões transferidos pelo governo por meio do imposto sindical, cuja continuidade é uma das exigências das centrais sindicais em troca de apoio eleitoral.

Portanto, essa fartura em polpudos recursos procedentes do Estado, condiciona tanto a autonomia como o ideário político a ser perseguido e defendido. Mas essa não é uma questão que diz respeito apenas ao movimento sindical. Em maior ou menor grau, outras parcelas do movimento social recebem montas significativas de recursos públicos, quer federais, quer estaduais. A continuidade ou não de acesso a esses recursos está em jogo nessas eleições, razão pela qual elas adquirem um cunho pragmático ímpar. “Vários movimentos sociais e organizações populares se enredaram numa forte crise de financiamento e até hoje não acharam uma saída que lhes garanta autonomia política efetiva”, comenta a esse respeito Rudá Ricci.

Em razão dessa dependência, instaura-se uma relação quase esquizofrênica com o governo, que, por um lado, é criticado, mas, por outro, defendido em relação aos “demônios do neoliberalismo”. Ou seja, “tá ruim, mas tá bom”.

Entretanto, mesmo que haja muitas ou grandes semelhanças entre a política econômica de Dilma Rousseff e de José Serra, no trato com o movimento social, poderão existir diferenças mais acentuadas.

O movimento sindical admite que Dilma estará mais distante do movimento sindical que Lula, mas ainda teria maior sensibilidade à sua agenda que Serra, que inclusive se negou a participar das manifestações do 1º de Maio das Centrais Sindicais, onde, certamente, seria vaiado.

Com uma possível vitória do Serra, a relação com o movimento social, certamente, mudaria. Acredita-se que Serra seria mais duro e inflexível nas questões que envolvem tratamento com o movimento social, razão pela qual seriam mais tensionadas. A chances de as manifestações sociais serem tratadas com maior rigor e repressão, seriam grandes.

Outra questão é quais são os projetos de Brasil – se é que as há – dos movimentos sociais que se apresentam para as eleições de outubro próximo. Assiste-se a um esforço muito grande por parte da Assembléia Popular (AP) em forjar um projeto para o Brasil. Parte da militância está mais cética. Segundo Ivo Poletto que participa da coordenação da AP, "há uma frase, repetida nos espaços da Assembleia Popular, que também vive suas crises, que me parece indicar o melhor rumo a ser seguido pelos movimentos sociais: ‘em outubro, nosso candidato é o projeto popular’. Isso significa que não se deverá repetir o equívoco anterior, a saber: apostar todas as fichas em eleições, num partido, num candidato. A prática ensinou que, se não crescer a capacidade sociopolítica dos movimentos sociais, pode-se perder a disputa pela orientação política do governo eleito”.

Então, diz Poletto, “o caminho a ser seguido, e que pode ser permanente e autonomamente definido, é o reforço dos movimentos sociais, aprofundando seu enraizamento em sua base social; capacitando com consciência crítica mais lideranças; avançando na capacidade de trabalhar em rede; articulando-se para ser expressão democratizante do poder popular; democratizando as relações no interior dos movimentos, redes e articulações, para democratizar o Estado através da mobilização política da sociedade brasileira”.iculações, para democratizar o Estado através da mobilização política da sociedade brasileira”.

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Notas:

1 - John Williamson - economista britânico - foi professor no Departamento de Economia da PUC/Rio entre 1978 e 1981, assim como Rudiger Dornbusch, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT); os dois foram figuras centrais na elaboração do ‘Consenso de Washington’. Vários economistas que trabalharam no governo FHC se vincularam ao que se denominou o ‘grupo da universidade católica do rio’. Em torno de John Williamson e Rudiger Dornbusch, se reuniram jovens professores, como Pérsio Arida, que foi presidente do Banco Central no governo FHC, André Lara Resende, que foi presidente do BNDES, Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda. E estudantes promissores como Edward Amadeo (ex-ministro do Trabalho de FHC); Gustavo Franco (ex-presidente do Banco Central de FHC); Armínio Fraga (ex-diretor do Banco Central de FHC).
2 - As afirmações são do sociólogo Francisco Oliveira feitas logo após as eleições. Francisco Oliveira, posteriormente, se afastou do PT. A expressão remete ao fato de que tivermos nos país duas ‘Era’ importantes: a ‘Era Vargas’ e a‘Era FHC’. Esses dois períodos da vida nacional foram distintos em função dos modelos econômicos aplicados. Chama-se ‘Era Vargas’ o conjunto das políticas econômicas e sociais com forte participação do Estado introduzidas no país a partir de 1930, que marcaram de maneira decisiva o processo de industrialização, urbanização e organização da sociedade brasileira. A ‘Era Vargas’ se inicia em 1930 quando Getúlio chega ao poder. Para alguns ela se encerra em 1954 com a morte do presidente, para outros, findou em 1964 com o golpe militar; e para outros, ainda, ela não teria acabado ou estaria em sua fase terminal a partir das políticas neoliberais introduzidas por Collor a partir de 1990 e reafirmadas com vigor pelos dois mandatos sucessivos de FHC, que inaugurou a ‘Era FHC’.
3 - A afirmação é do historiador inglês Eric Hobsbawn em entrevista para o Globo, 13-11-02.
4 - O entusiasmo político com a eleição de Lula se observou na Av. Paulista, onde uma multidão de 50 mil pessoas (multidão superior àquela que saiu às ruas paulistanas para comemorar o pentacampeonato da seleção brasileira), saiu as ruas no dia 27-10-02, para comemorar a vitória do PT.
5 - Fala do ministro José Dirceu numa reunião em maio de 2003 no Diretório Nacional do PT. Sem saber que suas palavras estavam sendo gravadas pela impressa, foi curto e grosso: “nós demos um cavalo-de-pau na economia”.
6 - Entrevista ao Estado de S. Paulo, 4-5-03.

III-Frases da Semana
1º de maio... e Serra
"Convidamos Serra para o evento, mas ele não veio por dois motivos: para que a imprensa fique falando que estamos fazendo política e porque ele não gosta de trabalhador" - Paulo Pereira da Silva, deputado federal - PDT-SP -, presidente da Força Sindical – O Estado de S. Paulo, 02-05-2010.

"O Serra não pode ser eleito porque ele vai retirar o direito dos trabalhadores. Ele precisa assumir o compromisso do que irá fazer com o 13º salário e com o FGTS" - Paulo Pereira da Silva,
deputado federal - PDT-SP -, presidente da Força Sindical – O Estado de S. Paulo, 02-05-2010.

1º de maio... e Dilma
"Nós, sindicalistas, vamos defender a Dilma. Se o Serra achar ruim isso, é problema dele” - Paulo Pereira da Silva, deputado federal - PDT-SP -, presidente da Força Sindical – O Estado de S. Paulo, 02-05-2010.

"Quando eu deixar a Presidência, vou mandar registrar em cartório tudo o que fiz (...), porque quero que quem venha depois de mim - e vocês sabem quem eu quero - saiba que vai ter de fazer mais e melhor" – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – O Estado de S. Paulo, 02-05-2010.

Direita em disputa
“Uma peculiaridade da campanha é que Serra, Dilma e Marina Silva vêm da esquerda. Mas serristas e dilmistas se estapeiam pelo apoio de siglas como PP, PTB, PRB e PSC (de Joaquim Roriz no DF), e uma certeza paira no ar: alguém vai ter que ocupar o espaço "de direita" – Eliane Cantanhêde, jornalista – Folha de S. Paulo, 02-05-2010.

Grande esperança
“Classificar o Brasil como “a grande esperança do Ocidente” pode soar como uma peça publicitária do ufanismo que domina hoje o governo brasileiro, mas quem o faz é o sociólogo francês Alain Touraine, que conhece muito bem o país e sabe do que está falando” – Merval Pereira, jornalista – O Globo, 02-05-2010.

Diferenças?
"Não há diferenças essenciais, mas de apresentação. Há um campo comum entre os dois (Serra e Dilma) e divergências na margem" - Luiz Gonzaga Belluzzo, economista, comentando a política industrial de Dilma e Serra – O Estado de S. Paulo, 25-04-2010.

Palavra de mestre
“De um mestre da política: "Todo serrista envergonhado mente que vai votar na Marina. Mas todo petista arrependido vota mesmo nela” – Jorge Moreno, jornalista – O Globo, 24-04-2010.

Dilma e o MST
"É incorreto e ilegal e não se pode conviver com ilegalidade estando no governo” - Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência da República, comentando a ocupação de prédios públicos pelo MST – O Estado de S. Paulo, 21-04-2010.

“Acho que não é cabível vestir o boné do MST. Governo é governo, movimento é movimento. Não concordo que alguém do governo assuma a bandeira do MST” - Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à presidência da República – O Globo, 21-04-2010.

Dois ministérios
“A turma do Estado Mínimo está tendo faniquitos. O candidato do PSDB, José Serra, já prometeu a criação de dois novos ministérios: o dos Deficientes Físicos e o da Segurança Pública. E a eleição é em outubro” – Ilimar Franco, jornalista – O Globo, 27-04-2010.

Fogo de palha
“Você lembra o que ocorreu com Jirau? Lembra como foi Santo Antônio? Hoje ninguém mais fala nada, e as obras estão sendo tocadas” - Dilma Rousseff, candidata à Presidência da República, comentando que a polêmica sobre a usina de Belo Monte é passageira – O Globo, 27-04-2010.

Mais um
“A Time é apenas mais um veículo estrangeiro de comunicação a incluir o presidente brasileiro entre os líderes mais influentes do mundo. Financial Times, El País, News Week e Le Monde já incluíram Lula em listas desse tipo. O Fórum Econômico Mundial, que Lula combatia com ferocidade quando era um candidato de oposição, deu a ele o título de estadista global” – Rosane de Oliveira, jornalista – Zero Hora, 30-04-2010.

DEM chia
“Ou a revista (Time) ficou louca ou ganhou um patrocínio de uma estatal brasileira” - Paulo Bornhausen, deputado federal - DEM-SC – Zero Hora, 30-04-2010.

Todo-Poderoso

“Lula está navegando na maionese. Ele está se sentindo o Todo-Poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República. Pior: ninguém chega para ele e diz “Presidente, tenha calma" - Ciro Gomes, deputado federal - PSB-CE - iG, 23-04-2010.

Em resumo 1
“As três apostas erradas de Ciro foram, em ordem cronológica: a) esperar o apoio dos demais partidos do finado "bloquinho"; b) acreditar que subiria nas pesquisas a ponto de se tornar mais conveniente do que Dilma para Lula; c) contar com a desistência de Serra, o que lhe permitiria fazer um "bem bolado" com Aécio” – Renata Lo Prete, jornalista – Folha de S. Paulo, 24-04-2010.

Em resumo 2
“O erro fatal, porém, foi cair na conversa de Lula e transferir o domicílio eleitoral para São Paulo” - Renata Lo Prete, jornalista – Folha de S. Paulo, 24-04-2010.

Ajuntamento de assaltantes
“O PMDB, como partido, não tem problema. O PMDB tem tantas virtudes e defeitos como qualquer outro. O problema é a hegemonia. O problema é que quem manda no PMDB não tem nenhum escrúpulo, nem ético, nem republicano nem compromisso público. Nada. É um ajuntamento de assaltantes, na minha opinião” – Ciro Gomes, deputado federal – PSB-SP – O Globo, 27-04-2010.

O chefe
“O Michel Temer hoje é o chefe dessa turma, dessa turma de pouco escrúpulo. Sem dúvida” – Ciro Gomes, deputado federal – PSB-SP – O Globo, 27-04-2010.

Mudo
“Quando disseram ao presidente Lula o que o Ciro tinha dito, ele ficou mudo. Eu também vou ficar mudo” — Michel Temer, presidente da Câmara e do PMDB – O Globo, 27-04-2010.

Auto-perdão
"Isso é incrível e uma afronta. Leis de anistia foram tradicionalmente formuladas por aqueles que cometeram crimes, seja qual for o lado. É um auto-perdão que o século XXI não pode mais aceitar" - Fernando Mariño Menendez, jurista espanhol – O Estado de S. Paulo, 01-05-2010.

Isolado
"O Brasil está ficando isolado. Parece que, como na Espanha, as forças que rejeitam olhar para o passado estão prevalecendo” - Fernando Mariño Menendez, jurista espanhol – O Estado de S. Paulo, 01-05-2010.

Direção contrária
"Há um consenso entre os órgãos da ONU de que não se deve apoiar ou mesmo proteger leis de anistia. Com a decisão tomada pelo Supremo, o País está indo na direção contrária à tendência latino-americana de julgar seus torturadores e o consenso na ONU de lutar contra a impunidade" - Luis Gallegos Chiriboga, equatoriano, perito da ONU – O Estado de S. Paulo, 01-05-2010.

Para lembrar
“Só para lembrar. Anistia não é amnésia, embora a raiz seja a mesma. Perdoar sim, esquecer jamais” – Zuenir Ventura, escritor – O Globo, 01-05-2010.

Único
“O Brasil é o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os homens que se excederam na ditadura torturando e matando” – Pedro Simon, senador – PMDB –RS – Zero Hora, 27-04-2010.

Evo e os frangos
“E é por isso que os homens que comem esses frangos têm desvios em seu ser como homens” – Evo Morales, presidente da Bolívia, condenando os frangos produzidos industrialmente – O Globo, 22-04-2010.

“”O Ocidente nos traz cada vez mais veneno. Em 50 anos, todos os homens que consumirem esses alimentos serão carecas. Os europeus sofrem muito de calvície por causa disso. Os índios, não” - Evo Morales, presidente da Bolívia, condenando os frangos produzidos industrialmente – O Globo, 22-04-2010.

Capitalismo e a Terra
“Ou morre o capitalismo ou morre a Terra” - Evo Morales, presidente da Bolívia, condenando os frangos produzidos industrialmente – O Globo, 22-04-2010.

Candidato
“Desde que cheguei à Presidência tivemos 11 eleições para diversos cargos e daqui a dois anos e meio teremos eleição presidencial. Eleição depende da soberania popular. Se a população venezuelana e o meu partido quiserem, serei candidato novamente" – Hugo Chávez, presidente da Venezuela – Valor, 29-04-2010.

Deixar o poder?
"Não tenho previsto isso (deixar o poder). Não tenho sucessor à vista no momento nem um processo de sucessão" – Hugo Chávez, presidente da Venezuela – O Estado de S. Paulo, 29-04-2010.

Chávez
"Eu só não fui crucificado, porque faltava madeira para fazer cruz" – Lula lembrando a primeira vez em que defendeu o presidente venezuelano, em 2002, após a tentativa de golpe sofrida por Chávez – Valor, 29-04-2010.

Evo
"Se tivermos que eleger um rosto para personificar o avanço democrático na América Latina, eu elegeria o presidente Evo Morales. Não há nada mais justo do que a Bolívia, um país com 70% da população indígena, ser governada por um índio" – Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República – Valor, 29-04-2010.

Lugo de hoje
“O Lugo de hoje não é o Lugo que se elegeu há dois anos. Ele não é transparente, tem ações imprevisíveis e, apesar de carismático, se mostra incapaz de governar e tomar decisões” - Bernardino Cano Radil, sociólogo da Universidade Nacional de Assunção – O Globo, 27-04-2010.

Anti-imigrante
"Pode-se imaginar a situação: você é um americano hispânico no Arizona e seus antepassados podem ter vivido ali antes mesmo de o Arizona se tornar um estado. Mas, se o cidadão não está com seus documentos e sai com os filhos para tomar um sorvete, pode ser abordado pela policia, isso é algo que pode acontecer" – Barack Obama, presidente dos EUA, criticando a projeto de lei anti-migrantes do Arizona – Valor, 29-04-2010.

Santo de casa...
“"A Veja não gosta de mim, mas a revista Time gosta!" Lula, ao saber que a publicação americana colocou seu nome na lista de líderes mais influentes do mundo” - Tutty Vasques, jornalista – O Estado de S. Paulo, 30-04-2010.

Algo vai aparecer...
“Ir ao médico causa tanta apreensão quanto ir ao mecânico: se examinar bem, alguma coisa vai aparecer” – Paulo Sant’Ana, jornalista – Zero Hora, 22-04-2010.

Aliso...
“Meu cabelo é meio enrolado. Aí tem que alisar para o moicano espetar. E também pinto de loiro. Sou meio maluco, né?” - Neymar, jogador de futebol – O Estado de S. Paulo, 26-04-2010.

e depilo
“Depilo as pernas com uma maquininha. Da canela até as coxas. Acho que fica melhor assim. Ah, e faço o pé com a podóloga do CT (Centro de Treinamento do Santos). E, olha aqui, meu pé até que é bonitinho, né? O pessoal costuma ter a unha preta. Eu, não” - Neymar, jogador de futebol – O Estado de S. Paulo, 26-04-2010.